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Capital

Esquema milionário de venda de veículos enganou até policial

Investigação aponta que esquema atingiu desde trabalhadores comuns até servidores públicos e agente federal

Por Dayene Paz | 30/01/2026 10:27
Esquema milionário de venda de veículos enganou até policial
Gigor de Sousa no momento da prisão em Campo Grande. (Foto: Divulgação)

Preso preventivamente por suspeita de comandar uma sequência de golpes envolvendo a venda e a intermediação de veículos de alto valor, Higor de Sousa Regis agora passa a ser o centro de uma série de relatos que expõem a dimensão do prejuízo causado às vítimas. Processos judiciais e inquérito policial apontam que o estelionatário faturou mais de R$ 1 milhão em pouco mais de dois meses, atingindo desde trabalhadores comuns até servidores públicos e um policial federal.

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Higor de Sousa Regis foi preso preventivamente em Campo Grande, suspeito de comandar uma série de golpes na venda e intermediação de veículos de luxo. As investigações apontam que ele causou prejuízos milionários a dezenas de vítimas em apenas dois meses. O suspeito abordava proprietários que anunciavam veículos em plataformas digitais, prometendo compradores com cartas de crédito. Após receber os automóveis e procurações, revendia-os a terceiros sem repassar os valores aos donos originais. Os prejuízos individuais variaram de R$ 14 mil a R$ 300 mil, atingindo desde trabalhadores comuns até servidores públicos.

O padrão se repete nos relatos reunidos pela Polícia Civil e pelo Judiciário. Higor se apresentava como proprietário de uma garagem e abordava pessoas que anunciavam veículos em plataformas digitais. Com discurso convincente, afirmava já ter compradores interessados, geralmente amparados por cartas de crédito ou consórcios contemplados. A promessa era de pagamento em poucos dias, desde que o veículo fosse entregue antecipadamente, muitas vezes acompanhado de procuração para transferência.

Em um dos casos investigados, o valor do negócio ultrapassava R$ 300 mil. A vítima entregou o veículo acreditando que receberia ao menos metade do valor de imediato, o que não ocorreu. O automóvel acabou transferido para terceiros, enquanto o pagamento jamais foi realizado. Em outro episódio, um servidor público federal teve prejuízo de cerca de R$ 97 mil após confiar na mesma promessa de liberação de crédito.

Há registros ainda de golpes que variam de R$ 14 mil até cifras superiores a R$ 140 mil por veículo. Em uma das ações judiciais, o valor ajustado para a venda era de R$ 142 mil. Após a entrega do automóvel, a empresa de Higor assinou uma confissão de dívida de R$ 100 mil, parcelada em duas vezes, mas nenhuma das parcelas foi quitada.

Em outro processo, o acordo previa o pagamento de R$ 134,9 mil, com entrada de 10% e o restante em até 20 dias úteis. O carro, porém, foi revendido no mesmo dia por valor inferior ao combinado, e o dinheiro nunca chegou ao proprietário original.

As vítimas relatam que, após o vencimento dos prazos, o contato com Higor se tornava cada vez mais difícil. Mensagens sem resposta, promessas vagas de que “iria resolver” e sucessivos adiamentos marcaram o desfecho das negociações. Em alguns casos, a descoberta de que o veículo já havia sido transferido para terceiros ocorreu apenas após consultas em sistemas oficiais.

Esquema milionário de venda de veículos enganou até policial
Uma das vítimas foi notificada sobre venda de veículo e nunca recebeu valor. (Foto: Reprodução | Processo judicial)

O impacto financeiro foi devastador para parte dos lesados. Um dos processos descreve que a vítima, além de perder mais de R$ 80 mil, passou a acumular dívidas bancárias expressivas, com saldo negativo em conta e cartão de crédito comprometido. A situação levou ao pedido de gratuidade da Justiça, diante da impossibilidade de arcar com custas processuais.

De acordo com a Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários), Higor é investigado por mais de 30 crimes de estelionato em pouco mais de dois meses. Há mais de dez processos em que ele figura como réu, a maioria envolvendo veículos avaliados em valores superiores a R$ 100 mil. O modo de atuação, segundo a polícia, demonstra reiteração criminosa e abuso de confiança das vítimas.

A prisão preventiva foi decretada após o avanço das investigações, que apontam que os veículos eram rapidamente repassados a terceiros, enquanto os valores das vendas não eram repassados aos verdadeiros proprietários. As apurações seguem em andamento para identificar o destino do dinheiro e ampliar a lista de vítimas.

A reportagem tentou encontrar algum advogado que representa o Higor, mas sem sucesso. O espaço encontra-se aberto.

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