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Estrutura para conter enchentes preocupa moradores por falta de manutenção

Local que deveria ser uma solução para alagamentos tem gerado uma série de novos problemas

Por Judson Marinho e Raíssa Rojas | 24/03/2026 16:46
Estrutura para conter enchentes preocupa moradores por falta de manutenção
Local onde a obra de contenção água de chuvas foi realizado no bairro Nova Campo Grande (Foto: Paulo Francis)

Moradores do bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande, relatam preocupação crescente com a obra de uma bacia de contenção de águas pluviais que, segundo eles, apresenta abandono e riscos estruturais.

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Moradores do bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande, expressam preocupação com a obra de uma bacia de contenção de águas pluviais, que apresenta sinais de abandono e riscos estruturais. A estrutura, parte de um projeto de drenagem iniciado em 2023, foi projetada para armazenar mais de 53 mil metros cúbicos de água, mas tem gerado problemas como poeira excessiva, descarte irregular de lixo e aumento da insegurança. Os moradores temem que a área possa se tornar um "novo Brumadinho", em referência ao desastre de 2019 em Minas Gerais. A vegetação alta e a falta de manutenção têm facilitado a entrada de pessoas em situação de rua e o aparecimento de animais peçonhentos. Apesar das reclamações, nenhuma ação judicial foi movida até o momento, enquanto a prefeitura afirma que medidas podem ser adotadas para minimizar os impactos.

O temor, inclusive, é de que o local possa se tornar um “novo Brumadinho”, em referência ao desastre ocorrido na queda de barragem na cidade de Brumadinho (MG).

A estrutura foi construída como parte de um projeto de drenagem no fundo de vale do Córrego Imbirussu, iniciado em 2023, e prevê capacidade para armazenar mais de 53 mil metros cúbicos de água da chuva.

No entanto, moradores afirmam que o que deveria ser uma solução para alagamentos tem gerado uma série de novos problemas.

Antes, a principal reclamação era o excesso de poeira provocado pelo tráfego intenso de caminhões durante as obras. Hoje, o cenário mudou: o mato alto tomou conta da área, acompanhado de lixo descartado irregularmente, presença de andarilhos e aumento da insegurança.

Síndica de um condomínio vizinho ao local, Eliany Mary Guimarães dos Santos, de 48 anos, relata que o problema da poeira chegou a provocar mudanças de moradores.

“Se não fosse o mato, a terra entraria toda para dentro do condomínio. Tivemos moradores que saíram por causa disso, e não afetava só os apartamentos da frente, mas todo o bloco”, afirma.

Estrutura para conter enchentes preocupa moradores por falta de manutenção
Eliany Mary Guimarães dos Santos, de 48 anos (Foto: Paulo Francis)

Segundo ela, o espaço próximo ao lago virou ponto de descarte irregular de resíduos. “Jogam móveis, roupas, garrafas e até animais mortos. Ficou uma área abandonada”, diz. A vegetação alta também tem facilitado a entrada de pessoas em situação de rua e o aparecimento de animais peçonhentos.

A preocupação maior, no entanto, é com a segurança da estrutura. “Ali só tem terra em cima de terra. Não tem pedra, não tem malha. Quando chove forte, a água escorre do mesmo jeito. A gente fala em ‘Brumadinho’ porque o medo é real de um desmoronamento”, alerta.

Moradora há 40 anos da região, a aposentada Maria Gonçalves da Silva, de 73 anos, afirma que a situação piorou com o tempo. “Virou uma imundice. Tem sapo por todo lado. A gente precisa jogar água no quintal todo dia por causa da poeira, e a conta vem alta”, relata.

Estrutura para conter enchentes preocupa moradores por falta de manutenção
Aposentada Maria Gonçalves da Silva, de 73 anos (Foto: Paulo Francis)

Ela diz que, durante o período mais intenso das obras, a poeira era constante. “Era poeirão o dia inteiro, e não fizeram nada. Até hoje continua, só diminuiu um pouco,” completa.

O casal Rodolfo Ramon Ortogoza, de 70 anos, e Ana Evelia Alvarenga, de 66, que vive no bairro há mais de três décadas, também enfrentou dificuldades.

Estrutura para conter enchentes preocupa moradores por falta de manutenção
Rodolfo Ramon Ortogoza, de 70 anos (Foto: Paulo Francis)

“A gente molhava a frente da casa direto para diminuir a poeira. Teve vizinho que colocou tela na casa por causa dos sapos”, conta Rodolfo.

Apesar dos transtornos, nenhum dos moradores entrevistados entrou com ação judicial até o momento.

Em 2024, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) informou, por meio de assessoria, que os problemas com poeira estavam relacionados às obras da bacia e que medidas poderiam ser adotadas para minimizar os impactos.

Agora, com a mudança no cenário, moradores cobram novas providências e fiscalização mais rigorosa na área. Para eles, a obra que deveria trazer segurança hídrica se transformou em motivo de apreensão diária.

A reportagem entrou em contato com a Sisep sobre o abandono do espaço relatado pelos moradores.

De acordo com a secretaria, as bacias de contenção no Nova Campo Grande foram concluídas entre 2024 e 2025, e a sua manutenção consiste em retirar o material acumulado dentro, como terra, pedras e outros resíduos. Isso para manter a capacidade de reter a água da chuva.

"Quanto a roçada no entorno, ela é feita regularmente, o que ocorre é que as chuvas tem sido frequentes nos últimos meses e com isso o mato cresce mais rápido e em muitos locais não é possível fazer a roçada mecanizada, só com equipamentos manuais. Quanto ao lixo acumulado, são materiais jogados por alguns moradores nas vias, dai a importância dos cidadãos terem a consciência de que o descarte irregular do lixo traz transtornos a todos e prejuízo ao meio ambiente", respondeu a Sisep em nota.

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