Vítima foi à casa com notificação, pedindo que Bernal deixasse imóvel leiloado
O documento previa a saída voluntária do ex-prefeito, que matou comprador da casa com dois tiros
O fiscal tributário do Estado, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, foi até o imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, com uma notificação extrajudicial de desocupação, mas nem chegou a apresentá-la a Alcides Bernal, foi assassinado antes pelo ex-prefeito.
RESUMO
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O fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, foi assassinado ao tentar retomar posse de um imóvel ocupado pelo ex-prefeito Alcides Bernal, em Campo Grande. A vítima portava uma notificação extrajudicial de desocupação, que permaneceu em sua caminhonete após o crime. O documento, datado de 20 de fevereiro, estabelecia prazo de 30 dias para desocupação voluntária do imóvel, adquirido por Mazzini em leilão da Caixa Econômica Federal. Embora o prazo estivesse vencido, não havia ordem judicial para retirada forçada quando o fiscal foi ao local acompanhado de um chaveiro.
O papel ficou dentro do veículo da vítima, uma Hilux que segue estacionada em frente ao local do crime. O documento previa a saída voluntária de Bernal.
A notificação, datada de 20 de fevereiro de 2026, formaliza a tentativa de retomada do imóvel e aponta Mazzini como proprietário do bem, adquirido após adjudicação e posterior venda pela Caixa Econômica Federal em leilão. No texto, o ex-prefeito Alcides Bernal é identificado como residente no local e notificado a desocupar o imóvel.
O documento estabelece prazo de 30 dias para entrega voluntária do imóvel, livre de pessoas e bens, com devolução das chaves. Esse prazo já havia expirado quando Mazzini foi ao endereço, nesta terça-feira (24), mas não havia decisão judicial que autorizasse a desocupação forçada.
Por se tratar de uma notificação extrajudicial, o documento funciona como aviso formal e não tem poder de execução imediata. Em caso de descumprimento, o caminho previsto é o acionamento da Justiça, com pedido de reintegração de posse ou despejo.
O texto também detalha possíveis consequências financeiras. Entre elas, a cobrança de valor mensal equivalente a 1% do imóvel, fixado em R$ 24.135,45, além de custas processuais, honorários advocatícios e eventual indenização por perdas e danos.
Mazzini morreu na varanda da casa, após ir ao local acompanhado de um chaveiro, o que indica a intenção de assumir a posse do imóvel após o prazo concedido, ainda que sem ordem judicial para retirada compulsória.



