Juiz mantém prisão de empresário visto como líder do contrabando na Capital
Brendon Tavares e o pai foram alvos de operação da PF que apreendeu eletrônicos no Camelódromo, este mês
A Justiça Federal manteve a prisão do empresário Brendon Alisson Medeiros Tavares, detido durante a Operação Iscariotes, deflagrada pela PF (Polícia Federal) no dia 18 de março, contra esquema de contrabando de eletrônicos e cooptação de policiais para facilitação dos crimes.
RESUMO
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A Justiça Federal manteve a prisão do empresário Brendon Tavares, preso na Operação Iscariotes da PF, que investigou contrabando de eletrônicos e cooptação de policiais. O juiz negou substituir a prisão por medidas cautelares, citando o papel central do investigado no esquema, que envolvia compras no Paraguai, logística até Campo Grande e distribuição para Minas Gerais, com movimentações mensais de valores milionários.
No despacho, publicado hoje pela 5ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, o juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, justifica a manutenção da prisão pelo perfil do investigado, com papel central na estrutura, participando desde a aquisição dos produtos no Paraguai até a distribuição em Campo Grande e envio do material para Minas Gerais.
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O pedido da defesa de Brendon Tavares era de que a prisão preventiva fosse substituída por “medidas cautelares menos gravosas”. Alegou que o empresário encerrou as atividades da BK Comércio de Eletrônicos Ltda, com nome fantasia Mi Imports, localizada no Camelódromo e alvo da operação da PF, o que evitaria qualquer "reiteração delitiva".
Ao avaliar o pedido, o magistrado citou trechos da investigação da PF que culminou no mandado de prisão contra Brendon e outros investigados na Operação Iscariotes.
De acordo com a apuração, o esquema seria comandado por Brendon juntamente com o pai, Clenio Alisson Tavares da Silva, preso em 4 de novembro de 2024, em outro processo. Mesmo com a detenção do pai, o filho manteve as negociações.
Conforme investigação, Brendon exercia funções de liderança, com controle financeiro e gerencial das atividades, além de realizar pedidos diretamente a fornecedores estrangeiros. Cabia a ele negociar diretamente com fornecedores em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, além de contratar motoristas responsáveis por atravessar a fronteira com mercadorias irregulares.
O empresário também organizava a logística de transporte até Campo Grande, onde os produtos eram comercializados em lojas ligadas à família ou distribuídos para outros mercados. Há ainda indícios de que, em algumas ocasiões, ele próprio participava das viagens ao país vizinho, acompanhado inclusive de agentes públicos que teriam sido cooptados pelo grupo.
Dois desses agentes foram presos no dia da operação: o policial civil Célio Rodrigues Monteiro, o “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca.
Outro elemento que reforçaria a atuação é o uso de veículos vinculados ao núcleo familiar em operações ligadas ao grupo. Um dos carros registrados em nome da esposa de Brendon foi apreendido em uma ocorrência em Rio Claro (SP), enquanto outro automóvel associado ao pai apareceu em episódio envolvendo transporte de ilícitos.
As investigações também indicam que Brendon, em determinadas situações, atuava como “batedor”, monitorando rotas e repassando informações sobre a presença policial a outros integrantes.
Em 21 de fevereiro de 2025, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência, foram recolhidos três aparelhos celulares. Apenas um deles teve os dados extraídos, já que os outros dois foram apagados remotamente horas após a ação policial, o que levanta suspeitas de tentativa deliberada de eliminação de provas.
Mesmo com essa limitação, o conteúdo recuperado revelou trocas de mensagens que detalham a engrenagem do esquema. Conversas com homem identificado como um dos principais compradores em Minas Gerais, mostram negociações de mercadorias, contratação de motoristas e organização de viagens.
Em mensagens posteriores, ele comenta prejuízos causados por apreensões registradas em 26 de dezembro de 2024 e 22 de janeiro de 2025, episódios que envolveram veículos interceptados com mercadorias ilegais. Ainda assim, a movimentação não cessou.
Documentos da investigação apontam que o grupo mantinha fluxo constante de envio de produtos entre Mato Grosso do Sul e Belo Horizonte, com operações que alcançariam valores milionários mensais. As mensagens permitiram identificar caminhoneiros recrutados para o transporte, entre eles indivíduos conhecidos pelos apelidos “Biro Biro” e “Paciência”, além de outros motoristas.
Outras conversas também citam compradores regulares e a participação de um agente identificado como “bombeiro”, posteriormente associado a um dos motoristas cooptados pelo grupo.
“Portanto, há elementos concretos que a indicam a possível participação e a posição de liderança ocupada por BRENDON dentro do esquema”, avaliou o magistrado.
O fechamento da empresa, citado pela defesa, não é suficiente para o juiz, “(...) porque o requerente, em tese, ocupa posição de relevância, mantendo controle operacional e financeiro, além de poder decisório relativo ao esquema”. Para ele, a BK é apenas uma das empresas usadas no esquema.
“Por trás disso, existe uma aparente estrutura organizada voltada ao contato com fornecedores paraguaios, contratação de transportadores e cooptação de agentes públicos de diferentes localidades, o que pode ser reorganizado a partir da soltura do requerente”.
O advogado Luciano Albuquerque Silva disse ao Campo Grande News que não há motivos para a manutenção da prisão preventiva, já que várias medidas foram tomadas após a operação. Ele informou que irá recorrer ao TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) para ingressar com habeas corpus.
Prisão – Em outro despacho, também publicado nesta segunda-feira (30), o juiz concedeu liberdade provisória ao policial civil Edivaldo Quevedo da Fonseca, mas impondo medidas cautelares.
Foi determinada fiança de 10 salários mínimos, o equivalente a R$ 16.210,00, além de comparecimento periódico em juízo, mantendo endereço e telefone atualizados, não praticar fatos definidos como crimes ou contravenções penais e proibição de se sair de Campo Grande sem autorização judicial prévia.
As mesmas medidas já haviam sido impostas ao policial Célio Monteiro, conforme determinação do dia 24 de março.
Operação – A ação policial deflagrada no último dia 19 envolveu 200 policiais federais no cumprimento de 90 ordens judiciais, sendo 31 mandados de busca e apreensão, 4 mandados de prisão preventiva, 1 monitoramento eletrônico, 2 afastamentos de função pública, 6 suspensões de porte de arma e bloqueio de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas, que somam cerca de R$ 40 milhões.
A investigação revelou esquema envolvendo policiais civis e militares, da ativa e aposentados, para transportar mercadorias ilegais. O grupo ainda atuava na lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos valores obtidos com a prática criminosa.
A PF esteve em endereços no Bairro Universitário e no condomínio Alphaville, além dos 4 boxes no Camelódromo e duas lojas em um posto de gasolina pertencentes a Clenio e Brendon.
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