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Medo de empréstimo devorar aposentadoria faz Neide ser 1ª da fila na Defensoria

A idosa conta que saiu das Moreninhas às 8h30 e chegou ao Centro após pegar dois ônibus

Por Aline dos Santos | 30/01/2026 06:27
Medo de empréstimo devorar aposentadoria faz Neide ser 1ª da fila na Defensoria
Sentada na calçada. Neide espera por atendimento na Defensoria Pùblica. (Foto: Henrique Kawaminami)

Às 11h de terça-feira (dia 21), o sol que abafa a cidade na hora do almoço encontra Neide de Almeida Cardoso, de 68 anos, sentada na escada aos pés do prédio da Defensoria Pública, na Rua Antônio Maria Coelho, Centro de Campo Grande.

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Neide de Almeida Cardoso, de 68 anos, enfrenta dificuldades financeiras devido a um empréstimo consignado que consome sua aposentadoria. Ela chegou cedo à Defensoria Pública de Campo Grande, após pegar dois ônibus, para buscar ajuda. Com problemas de saúde, incluindo um marcapasso, Neide relata que o desconto em folha a impede de comprar alimentos e medicamentos. A Defensoria Pública, que oferece assistência jurídica gratuita, encaminhou seu caso para uma nova data. Outra moradora, Zilda da Silva, também aguardava atendimento para ajudar um amigo com documentos. A instituição é essencial para garantir os direitos de quem não pode pagar por um advogado.

Ela só terá acesso a uma das 160 cadeiras da recepção às 12h, quando o local abre as portas. Mas, para quem tem um empréstimo com desconto em folha devorando a aposentadoria, a pressa é impositiva. É mais uma história na série sobre filas, iniciada nesta semana pelo Campo Grande News para mostrar que, à primeira vista, é só espera, mas na prática, pode ser dignidade preservada ou negada.

Neide conta que saiu das Moreninhas às 8h30 e chegou ao Centro após pegar dois ônibus. “E vim direto aqui. Estou sentada porque cansa né. Problema de coração, marcapasso. Se tiver que desmaiar, você desmaia aqui fora. Tem dia que o coração está batendo a 40, tem dia que vai para 60, tem dia de taquicardia”, conta a idosa.

Medo de empréstimo devorar aposentadoria faz Neide ser 1ª da fila na Defensoria
Defensoria abre às 12h, mas pessoas saem cedo dos bairros e ficam na porta do prédio. (Foto: Henrique Kawaminami)

Ela relata que foi lesada num empréstimo consignado feito em Corumbá, com valor de R$ 48 mil. “Estão descontando há anos. Não está sobrando para comer e nem para o medicamento. Acabei vindo hoje, nem estou muito legal, mas estou sentada. Vou esperar me atenderem e vou embora”.

No dia seguinte, por telefone, ela contou à reportagem que foi feito um encaminhamento e terá que voltar no dia 4 de março.

Medo de empréstimo devorar aposentadoria faz Neide ser 1ª da fila na Defensoria
Fila na porta da Defensoria Pùblica, que atende quem não pode pagar advogado. (Foto: Henrique Kawaminami)

Também na porta da Defensoria Pública, Zilda da Silva, 47 anos, veio do Bairro Vida Nova 3. Para chegar ao Centro, também foi necessário pegar dois ônibus. Ela conta que já sabia que a espera seria longa, mas preferiu chegar mais cedo.

A ida ao local é para buscar informações para auxiliar um amigo, que precisa de acesso a documento para fazer identidade.

A Defensoria Pública se define como “instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados”. Ou seja, o defensor público representa os direitos do cidadão que não pode pagar por um advogado.

O Campo Grande News solicitou informações à Defensoria Pública e aguarda retorno.

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