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Capital

Morador de rua vive em calçada ao lado de posto de saúde para seguir tratamento

Com diabete e pressão alta, "Véio" encontrou ali o mínimo para seguir vivendo

Por Kamila Alcântara | 03/01/2026 10:55
Morador de rua vive em calçada ao lado de posto de saúde para seguir tratamento
Valdemir conversa em pé, ao lado da sua cama, nas proximidades do CRS Tiradentes (Foto: Marcos Maluf)

Diabetes, pressão alta e problemas com ácido úrico levaram Valdemir Arruda, que acredita ter “70 anos e uns calibrados”, a fixar seus pertences no entorno do posto de saúde do Bairro Tiradentes, em Campo Grande. Conhecido como “Véio”, ele vive em situação de rua há pelo menos duas décadas e diz ter aprendido, com o tempo, onde encontrar o mínimo necessário para sobreviver.

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Um idoso em situação de rua escolheu fixar moradia próximo ao Centro Regional de Saúde Dr. Antônio Pereira, no Bairro Tiradentes, em Campo Grande, devido a problemas de saúde. Conhecido como "Véio", Valdemir Arruda enfrenta diabetes, pressão alta e complicações com ácido úrico. Após perder os pais e enfrentar problemas com drogas, ele vive nas ruas há duas décadas. Atualmente, faz pequenos serviços para comerciantes locais e mantém um "kit de sobrevivência" com medicamentos básicos. Em Campo Grande, segundo o CadÚnico, existem 1.681 pessoas em situação de rua.

“Para quem vive na rua, o importante é saber entrar e sair dos lugares, se relacionar bem com as pessoas em volta. Você faz um servicinho e ganha algo em troca. Às vezes o comerciante nem precisa, mas ajuda por caridade”, conta o idoso em situação de rua. Na manhã desta sexta-feira (2), a cama improvisada estava em uma rua lateral ao CRS (Centro Regional de Saúde) Dr. Antônio Pereira, com vista para a Avenida José Nogueira Vieira.

De barba feita, roupas limpas e comunicativo, ele alterna a conversa entre experiências de vida, o período em que consumiu drogas, conflitos familiares e reflexões pessoais. Em meio ao relato, explica o motivo de ter se fixado na região da Lagoa Itatiaia.

“Vim para a situação de vulnerabilidade depois da morte dos meus pais. Perdi tudo o que tinha por direito porque era usuário de drogas. Naquela época, experimentei tudo o que existe no submundo. Essa é a minha realidade, e a gente precisa saber jogar para sobreviver”, afirma. Ele garante estar há anos sem consumir entorpecentes.

Morador de rua vive em calçada ao lado de posto de saúde para seguir tratamento
Alguns dos itens do "kit de sobrevivência" do idoso em situação de rua (Foto: Marcos Maluf)

As condições de vida, no entanto, deixaram marcas. “Tenho pressão alta, ácido úrico descontrolado e preciso acompanhar a diabetes. Fico aqui porque, quando sinto qualquer coisa, já vou ali no posto. Eles me atendem, claro que não é sempre. Os enfermeiros têm os pacientes novos. É jogo de cintura dos dois lados, meu e deles”, relata.

Não é possível confirmar se Valdemir é, de fato, o nome dele. Todos o chamam apenas de Véio, e ele não permitiu acesso ao cartão do SUS. Entre os poucos pertences espalhados pela rua, mostrou o que chama de “kit de sobrevivência”. Dentro da sacola havia pastilhas para dor de cabeça, remédio para controle de diarreia, pasta de dente, descongestionante nasal e algumas moedas.

“Por todo lado tem gente como eu, nessa situação social. Eu estou aqui porque escolhi esse lugar por causa da minha saúde. Quando chove, tem a varanda da moça ali”, diz, apontando para uma loja. “Ela deixa eu ficar, consigo trabalhar e assim vou seguindo até o fim. É a minha liberdade”, conclui.

Morador de rua vive em calçada ao lado de posto de saúde para seguir tratamento
Usando uma mochila para apoiar a cabeça e descalço, outro homem dorme no gramado nos fundos da unidade de saúde (Foto: Marcos Maluf)

Véio não é o único tentando sobreviver nas ruas da cidade. Estar perto de um posto de saúde foi a estratégia que ele encontrou. Em Campo Grande, a população em situação de rua soma 1.681 pessoas, conforme dados atualizados do CadÚnico (Cadastro Único).

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