Seminário debate novas estratégias contra violência doméstica
Polícia Militar reúne especialistas, juíza, ex-ministra e sobrevivente de feminicídio para discutir prevenção
A violência doméstica continua sendo uma das faces mais duras da realidade brasileira. Para enfrentar esse cenário com mais preparo e integração, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul realiza, nos dias 18 e 19 de março, em Campo Grande, o seminário “Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar: desafios e caminhos na Polícia Militar”.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul promove, em Campo Grande, o seminário "Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar", nos dias 18 e 19 de março. O evento reunirá policiais militares, especialistas e autoridades para debater estratégias de prevenção e proteção às vítimas. Entre os destaques da programação estão a participação da tenente-coronel Denice Santiago, criadora da Ronda Maria da Penha, e o depoimento de Bárbara Penna, sobrevivente de tentativa de feminicídio. O encontro também contará com apresentação de dados sobre violência contra mulheres e discussões sobre políticas públicas.
O encontro reunirá policiais militares que atuam diretamente no atendimento a ocorrências desse tipo de crime em todo o Estado, além de especialistas, autoridades e ativistas que trabalham na proteção às mulheres. A proposta é ampliar o debate, compartilhar experiências e fortalecer estratégias de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.
- Leia Também
- Após 10 anos de violência, Kátia sobreviveu ao feminicídio, mas perdeu os dentes
- Capitão da Aeronáutica é preso com cocaína após agredir namorada
A programação começa na quarta-feira (18) com uma aula magna que discutirá o papel das instituições no enfrentamento à violência doméstica — seus limites, desafios e responsabilidades. A convidada é a tenente-coronel Denice Santiago, da Polícia Militar da Bahia, criadora da Ronda Maria da Penha, um dos programas de referência no país no acompanhamento de mulheres com medidas protetivas.
Ainda no primeiro dia, uma mesa temática reunirá profissionais que atuam na linha de frente do combate à violência contra a mulher. A discussão vai abordar desde a prevenção até o atendimento e a proteção das vítimas. Participam do debate a tenente-coronel Dyrlene Santana, da Polícia Militar de Goiás, a delegada Milena Suegama e novamente Denice Santiago. A mediação será da subcomandante-geral da PMMS, coronel Neidy Nunes Barbosa Centurião.
Entre os momentos mais marcantes do seminário está o depoimento da ativista Bárbara Penna, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio que chocou o país. Em 2013, ela foi agredida, incendiada e jogada da janela pelo ex-marido, em um ataque que também matou os dois filhos do casal. A tragédia transformou sua vida em uma missão: hoje, ela lidera o Instituto Bárbara Penna, dedicado à conscientização e ao combate à violência doméstica.
No segundo dia, quinta-feira (19), o seminário amplia o olhar para os números e as políticas públicas. A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, apresentará dados atualizados sobre a violência contra mulheres no Brasil e os desafios para enfrentar o problema em nível nacional.
Também participam do debate sobre políticas públicas e caminhos futuros a ex-ministra das Mulheres Aparecida Gonçalves, a subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres Manuela Nicodemos e a juíza Jacqueline Machado, titular da 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar de Campo Grande. A mediação será da coordenadora estadual da Casa da Mulher Brasileira, Carla Stephanini.
Segundo a Polícia Militar, o seminário reforça uma estratégia que vem sendo construída ao longo dos últimos anos. Desde 2014, a corporação mantém o Promuse (Programa Mulher Segura), que atua na prevenção e no acompanhamento de casos de violência doméstica em todos os municípios de Mato Grosso do Sul. O programa envolve visitas às vítimas, intervenções familiares e encaminhamento para a rede de proteção formada por órgãos públicos e instituições de apoio.
Para o comando da PM, encontros como este ajudam a aprimorar o atendimento e fortalecer a articulação entre as instituições que atuam na proteção às mulheres.


