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Capital

Testemunha diz que Bernal chegou atirando “sem chance de defesa”

Relato à polícia contradiz versão do ex-prefeito e aponta que vítima não reagiu à abordagem

Por Gustavo Bonotto | 24/03/2026 22:29
Testemunha diz que Bernal chegou atirando “sem chance de defesa”
Equipe da polícia militar fecha portão para retirada do corpo de fiscal morto. (Foto: Renan Kubota)

Testemunha que presenciou a morte do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, afirmou à Polícia Civil que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (sem partido), chegou ao imóvel no Jardim dos Estados e atirou sem dar chance de defesa, na tarde desta terça-feira (24).

RESUMO

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O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, foi preso após atirar e matar o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em uma residência no Jardim dos Estados. Segundo testemunha, Bernal chegou atirando sem dar chance de defesa, contradizendo a versão do ex-prefeito, que alega ter reagido a uma ameaça. O incidente ocorreu quando Mazzini foi ao local com uma notificação extrajudicial de desocupação do imóvel, arrematado em leilão da Caixa Econômica Federal. Bernal alegou pensar se tratar de invasores, afirmando possuir porte legal da arma. O caso será analisado com base em imagens de câmeras de segurança.

O relato foi prestado durante a investigação e apresenta versão diferente da declarada por Bernal em interrogatório. Segundo a testemunha, o ex-prefeito entrou na casa e efetuou os disparos de forma imediata.

“Ele já chegou atirando. Não deu chance de defesa”, afirmou a testemunha à polícia.

De acordo com o depoimento, Mazzini estava no imóvel acompanhado de outras pessoas para tratar da posse da casa, arrematada em leilão da Caixa Econômica Federal. A testemunha relatou que não houve discussão ou avanço contra Bernal antes dos tiros.

A versão contrasta com a apresentada pelo ex-prefeito. Em depoimento, Bernal afirmou que reagiu após se sentir ameaçado por um dos homens no local.

“Eu entrei e vi pessoas arrombando a porta. Um deles veio para cima de mim. Eu me senti ameaçado e atirei”, declarou.

Bernal disse ainda que não teve intenção de matar e que tentou atingir a perna da vítima.

“Eu dei um tiro e depois outro, mas para acertar no chão ou na perna. Não foi para matar”, afirmou.

A testemunha, porém, descreveu uma ação rápida, sem tempo para reação da vítima. Segundo o relato, os disparos ocorreram logo após a chegada do ex-prefeito ao imóvel.

Mazzini foi atingido e caiu na varanda da casa. Equipes de socorro tentaram reanimá-lo por cerca de 25 minutos, mas ele morreu no local.

O caso ocorreu quando o fiscal foi até o endereço com uma notificação extrajudicial que previa a desocupação voluntária do imóvel. O documento não autorizava retirada forçada, mas indicava a intenção de assumir a posse.

Bernal sustenta que considerou a situação como invasão. Ele afirmou que já havia registrado boletins de ocorrência por arrombamentos no mesmo imóvel e que agiu para proteger a casa.

“Para mim, eram invasores. Já tinha acontecido outras vezes”, disse.

No interrogatório, o ex-prefeito também afirmou que não conhecia a vítima e que acreditava se tratar de alguém envolvido em invasões anteriores. Ele declarou ainda que possui porte de arma regular e que adquiriu o revólver após sofrer ameaças.

A investigação reúne agora versões conflitantes sobre o caso. De um lado, Bernal afirma que agiu em legítima defesa. De outro, a testemunha diz que não houve chance de reação.

A Polícia Civil deve analisar imagens de câmeras de segurança da residência para esclarecer a dinâmica dos fatos. Bernal permanece preso e será apresentado em audiência de custódia nesta quarta-feira (25), quando a Justiça vai decidir se ele continuará detido ou responderá em liberdade.