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Capital

Tradicional procissão de São José reúne devotos do “santo dos trabalhadores”

Celebração chega a 85 anos na Capital e mobiliza comunidade com caminhada, missa e testemunhos de fé

Por Jhefferson Gamarra e Judson Marinho | 19/03/2026 18:35
Tradicional procissão de São José reúne devotos do “santo dos trabalhadores”
Fiés na saída da procissão na Paróquia São José (Foto: Paulo Francis)

A celebração do dia 19 de março, dedicada a São José, voltou a reunir centenas de fiéis em Campo Grande, mantendo viva uma das mais tradicionais manifestações religiosas da cidade. Considerado o santo dos trabalhadores e das famílias, São José é homenageado anualmente com uma procissão seguida de missa na Paróquia São José, tradição que, segundo a organização, já dura cerca de 85 anos.

RESUMO

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A tradicional procissão em homenagem a São José reuniu centenas de fiéis em Campo Grande, mantendo viva uma celebração que já dura cerca de 85 anos. O evento, realizado no dia 19 de março, incluiu uma caminhada pelas ruas centrais da cidade, seguida de missa na Paróquia São José. A celebração, que atrai entre 5 e 6 mil pessoas anualmente, tem registrado crescimento gradual após a interrupção causada pela pandemia. São José, considerado o santo dos trabalhadores e das famílias, é venerado como pai adotivo de Jesus Cristo e patrono da Igreja Universal, representando um importante símbolo de fé e proteção para a comunidade local.

Em 2026, a programação seguiu o formato habitual. A procissão teve início às 18 horas, saindo da paróquia e percorrendo ruas centrais da cidade, como Rua Pedro Celestino, Avenida Afonso Pena, Rua Padre João Cripa e Rua Marechal Rondon, antes de retornar ao ponto de partida. Após o trajeto, os fiéis participaram da Santa Missa, celebrada às 19 horas.

O pároco da igreja, Padre Paulo Roberto de Oliveira, explicou que a procissão é uma expressão concreta da fé da comunidade e um marco histórico para a cidade. “É uma demonstração de fé, uma prática que já acontece há cerca de 85 anos aqui em Campo Grande. São José esteve presente na história da cidade durante todo esse tempo e continua sendo um sinal de que temos um padroeiro que acompanha o seu povo”, afirmou.

Tradicional procissão de São José reúne devotos do “santo dos trabalhadores”
Pároco da igreja São José, padre Paulo Roberto de Oliveira (Foto: Paulo Francis)

Ele destacou ainda o papel de São José na tradição cristã e na vida dos fiéis. “Ele é o patrono da Igreja e também dos trabalhadores, dos operários. Por isso, essa celebração é uma forma de vivermos e expressarmos a nossa fé”, disse.

Ao falar sobre o significado do santo, completou: “São José é o pai adotivo de Jesus Cristo, escolhido por Deus para cuidar de seu filho aqui na Terra. Ele foi escolhido por sua fidelidade, seu amor e sua constância. A Bíblia o apresenta como um homem justo, e quando se fala em ‘justo’, estamos falando de um homem santo”.

A celebração também simboliza um momento de retomada. De acordo com o pároco, a participação popular tem crescido gradualmente após o período de interrupção causado pela pandemia. “Normalmente, participam entre 5 e 6 mil pessoas. A cada ano esse número tem crescido, já que estamos retomando essa tradição que precisou ser interrompida entre 2019 e 2020”, explicou.

Tradicional procissão de São José reúne devotos do “santo dos trabalhadores”
Arcebispo da capital, Dom Dimas Lara Barbosa que vai celebrar missa na paróquia (Foto: Paulo Francis)

O arcebispo da capital, Dom Dimas Lara Barbosa, reforçou a relevância histórica e espiritual da celebração para a Igreja local. “A Paróquia São José é uma das mais tradicionais de Campo Grande. Por aqui passou o saudoso Dom João Crippa, e São José possui uma devoção muito grande, muito próxima do povo. Além disso, ele é o patrono da Igreja Universal. Nesse sentido, o Papa São João Paulo II lembrava que São José foi o custodiante de Maria e de Jesus. Portanto, para nós, é a celebração do nosso pai, um momento muito especial para toda a comunidade”, declarou.

Sobre a programação, ele destacou a continuidade do rito tradicional. “Hoje teremos a procissão, que percorrerá as ruas do centro, retornando à paróquia. Em seguida, haverá a Santa Missa”, afirmou, acrescentando que a celebração eucarística ocorre logo após o encerramento da caminhada.

Entre os fiéis, a procissão é vivida não apenas como um evento religioso, mas como um espaço de convivência, partilha e fortalecimento espiritual. A devota Vera Lúcia Brandão, de 64 anos, mantém uma relação antiga com a paróquia. “Eu nasci e fui criada aqui em Campo Grande, então sempre frequentei a paróquia. Me ausentei por um período, porque tenho uma propriedade rural em Alcinópolis, mas sempre estou presente aqui na Paróquia São José”, contou.

Tradicional procissão de São José reúne devotos do “santo dos trabalhadores”
Fiéis durante caminhada pelas ruas do Centro de Campo Grande (Foto: Paulo Francis)

Para ela, a devoção a São José atravessa gerações e ganha ainda mais importância no contexto atual. “Eu acho que é uma devoção que vem de muito tempo. São José é o protetor das famílias, e hoje em dia o conceito de família está muito fragilizado. Então, essa procissão traz uma renovação, um fortalecimento para as famílias”, afirmou.

A participação anual é, segundo ela, um compromisso de fé. “Sempre, sempre. Em todas as procissões eu estou presente”, disse. Mais do que tradição, a celebração também representa um momento pessoal de reconstrução. “Para mim, é um momento de renovação, de renascimento. Eu perdi uma filha há pouco tempo, e é dentro da igreja que estou me reencontrando. É aqui, em São José, que encontro força”, relatou.

O sentimento de pertencimento e continuidade também está presente na história de João Assis, de 78 anos, que acompanha a comunidade há décadas. “Eu participo desde muito pequeno. Cheguei aqui com um ano de idade, minha mãe me trazia todos os dias. Com o tempo, houve algumas pausas, principalmente na época do Exército e depois por causa do trabalho, que tomava todo o meu tempo”, contou.

Tradicional procissão de São José reúne devotos do “santo dos trabalhadores”
João Assis, de 78 anos, que acompanha a comunidade há décadas (Foto: Paulo Francis)

Ele relembra o retorno à paróquia como uma reconexão com suas origens. “Mais tarde, quando minha vida se estabilizou, decidi voltar às minhas origens. Retornei em 2006 e, desde então, estou aqui todos os dias”, afirmou.

Ao longo dos anos, ele acompanhou mudanças na organização da procissão, especialmente no trajeto. “Essa tradição da procissão vem de muito tempo. Antigamente, o trajeto era diferente: saía daqui, descia até a Rua 13 de Maio, virava e subia a Avenida Afonso Pena, fazendo o retorno até a igreja. Hoje, por causa do trânsito, o percurso precisou ser adaptado, mas a tradição continua viva”, disse.

Além da celebração religiosa, ele também destaca o valor histórico da igreja para a cidade. “A igreja faz parte da nossa história. Ela é tombada como patrimônio, então não pode sofrer grandes modificações. Algumas partes foram ajustadas ao longo do tempo, mas a estrutura original, tanto interna quanto externa, permanece praticamente a mesma”, explicou.

A devoção a São José tem origem nos relatos da tradição cristã, que o apresentam como carpinteiro em Nazaré e escolhido por Deus para ser o guardião de Jesus e esposo de Maria. Reconhecido por sua fidelidade, humildade e confiança, é descrito como um homem justo, que aceitou sua missão mesmo diante das incertezas.

Tradicional procissão de São José reúne devotos do “santo dos trabalhadores”
Coroinhas durante procissão de São José pelas ruas de Campo Grande (Foto: Paulo Francis)

Segundo a tradição, José enfrentou desafios desde o início, como a aceitação da gravidez de Maria e a responsabilidade de proteger sua família. Ao longo da vida, manteve-se fiel à vontade divina, inclusive ao conduzir Maria e o menino Jesus para o Egito, fugindo de ameaças. Sua trajetória é vista como exemplo de confiança em Deus e perseverança diante das dificuldades.

Ele também é conhecido como padroeiro da Sagrada Família e da boa morte, título atribuído pela crença de que morreu na presença de Jesus e Maria. Ao longo dos séculos, sua devoção se fortaleceu na Igreja Católica, especialmente a partir do século XV, quando sua festa foi oficialmente instituída.

Tradicional procissão de São José reúne devotos do “santo dos trabalhadores”
Imagem de São José levada em carro durante procissão (Foto: Paulo Francis)

Hoje, São José é invocado como protetor das famílias, dos trabalhadores e daqueles que enfrentam momentos difíceis, sendo uma das figuras mais importantes da espiritualidade católica.

Em Campo Grande, a procissão em sua homenagem reafirma esse legado, reunindo milhares de pessoas em uma manifestação que vai além da religiosidade. A celebração conecta passado e presente, tradição e vivência pessoal, mantendo viva a fé de uma comunidade que, ano após ano, encontra em São José um símbolo de proteção e esperança.

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