Com Mercosul no radar, União Europeia amplia liderança nos investimentos em MS
Levantamento aponta a entrada de US$ 59,2 milhões de 2019 a 2024, puxada pela ampliação do Santander
Em meio aos sinais de avanço do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), estudo da ApexBrasil, vinculada ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), sobre oportunidades de exportação e investimentos no Estado, aponta o alinhamento econômico e institucional de Mato Grosso do Sul com países europeus. A união entre os blocos dará origem à maior zona de livre comércio do mundo, segundo especialistas.
RESUMO
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A União Europeia mantém liderança nos investimentos em Mato Grosso do Sul, com destaque para a Espanha, responsável por 48,1% dos US$ 59,2 milhões em investimentos estrangeiros diretos entre 2019 e 2024. O avanço ocorre em meio às negociações do acordo comercial entre UE e Mercosul. O setor financeiro concentra 83,9% dos investimentos no estado, impulsionado principalmente pela expansão do banco Santander. O estudo da ApexBrasil indica que há espaço para diversificação produtiva, já que outros setores como alimentação e comércio varejista têm participação residual nos investimentos.
O estudo, ao qual o Campo Grande News teve acesso e que foi concluído em novembro, praticamente um mês antes da aprovação do acordo, na última sexta-feira (9), por ampla maioria dos Estados-membros europeus, traça um perfil dos IED (Investimentos Estrangeiros Diretos) em Mato Grosso do Sul, mapeia oportunidades de atração de investimentos estrangeiros diretos para projetos locais, além do potencial das exportações estaduais.
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O levantamento, com 39 páginas, mostra que o Estado recebeu US$ 59,2 milhões em IED no período de 2019 a 2024, o equivalente a R$ 318,6 milhões, considerando a cotação atual do dólar. A maior parte desses recursos teve origem na Espanha, responsável por quase metade dos valores aplicados em Mato Grosso do Sul (48,1%), somando US$ 48,1 milhões (R$ 258,8 milhões), impulsionados pelo plano de expansão de agências bancárias do Santander no Brasil.
A Apex informa que os dados do estudo foram extraídos da base internacional Orbis Crossborder Investment, da Moody’s Analytics, que monitora o fluxo de IED no mundo, incluindo novos projetos de investimentos produtivos ou aportes em empresas existentes que envolvam expansão física e geração de empregos.
Além da Espanha, a lista de países com investimentos estrangeiros diretos em Mato Grosso do Sul no período analisado inclui ainda Japão, Suíça, França e Estados Unidos. A presença de países europeus entre os principais investidores no estado sinaliza uma aproximação econômica com a União Europeia, embora os dados reflitam mais um histórico de relações do que um efeito direto do tratado, negociação há mais de 26 anos. A entrada em vigor plena do acordo ainda dependerá de etapas posteriores, como a aprovação pelo Parlamento Europeu e pelos legislativos nacionais.
O cerne do acordo é a redução progressiva de tarifas. Enquanto o Mercosul se compromete a eliminar tarifas sobre cerca de 91% das importações da União Europeia, o bloco europeu prevê eliminar tarifas sobre aproximadamente 92% das importações do Mercosul, em prazos de médio e longo termos. Os compromissos estão distribuídos em cronogramas diferenciados, que podem se estender por até dez anos, conforme o setor e a sensibilidade econômica de cada produto.
O tratado envolve um mercado de cerca de 700 milhões de consumidores e um volume bilateral de comércio superior a US$ 110 bilhões por ano, entre bens e serviços. Para o Brasil, responsável por mais de 80% do comércio do Mercosul com a UE, o acordo representa uma aposta estratégica no fortalecimento dos vínculos com um parceiro de alta renda e padrões regulatórios exigentes.
Distribuição do IED no Centro-Oeste
De acordo com o estudo da Apex, a região Centro-Oeste atraiu 2,8% do total de IED anunciado no Brasil entre 2019 e 2024, o equivalente a US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões, pela cotação atual do dólar). Mato Grosso do Sul respondeu por 5,9% desse montante e ficou na última posição regional. No total nacional, o Estado teve participação modesta, de 0,2% do IED no período.
O Distrito Federal liderou no Centro-Oeste, com 44,6% do IED regional e 1,3% do total brasileiro. Goiás ficou em segundo lugar, com 34,1% do IED regional e 1% do nacional. Mato Grosso apareceu na sequência, com 15,4% e 0,4%, respectivamente.
Concentração de serviços financeiros
Em Mato Grosso do Sul, os investimentos estrangeiros diretos concentraram-se majoritariamente nos setores financeiros – bancos, seguros e serviços –, impulsionados em parte pelo Santander. O segmento respondeu por 83,9% do total investido, ou US$ 49,7 milhões.
O estudo avalia que os investimentos ainda ocorrem de forma seletiva, o que indica espaço para a construção de uma nova agenda de diversificação produtiva e de infraestrutura. “O quadro indica elevada dependência de um único empreendimento, recomendando monitoramento de cronogramas e estratégias para a diversificação dos investimentos externos”, destaca o relatório da Apex.
A análise aponta que a participação dos demais segmentos no IED estadual é considerada “residual”. Entre eles estão o setor de alimentação, com 7% do total (US$ 4,1 milhões); o comércio varejista, com 6,8% (US$ 4,0 milhões); e transportes, que somaram US$ 1,4 milhão (2,3%).
Celulose
A ausência do setor de celulose nos dados recentes de IED do estado não indica queda de interesse externo. Ao priorizar novos anúncios com VCR (Vantagem Comparativa Revelada) e potencial de atração futura de investimentos estrangeiros diretos, o estudo acaba deslocando do foco setores já consolidados em Mato Grosso do Sul, como o de celulose, que atualmente se enquadra mais como atividade madura do que como oportunidade emergente.
Presença de outros grupos estrangeiros
Entre outros grupos estrangeiros presentes no Estado, além do Santander, está a japonesa Sompo Seguros S.A., com 7,5% do total investido por estrangeiros (US$ 4,4 milhões) no estado. A seguradora passou a atuar no Brasil de forma unificada após a fusão e incorporação da Marítima Seguros e da Yasuda Seguros, por volta de 2016.
Outra empresa é a espanhola East West Company Spain SL, com sede em Barcelona, ligada à marca de chás e produtos naturais, responsável por 4,7% do total aplicado no estado (US$ 2,8 milhões) no período analisado.
A lista inclui ainda a varejista holandesa C&A Mode Co. KG, com 2,4% (US$ 1,4 milhão); a japonesa Nissan Motor, com 2,3% (US$ 1,4 milhão); a suíça Chocoladefabriken Lindt & Sprüngli, uma das maiores fabricantes de chocolates premium do mundo, com 2,3% do IED estadual (US$ 1,3 milhão); além da norte-americana AutoZone Inc., uma das maiores varejistas de autopeças, e também a japonesa Daiso Industries Co. Ltd., rede de lojas de variedades, com 2,1% (US$ 1,3 milhão).
Conforme a Apex, o objetivo do estudo é contribuir para o processo de formulação de políticas públicas para o comércio exterior, atração de investimentos estrangeiros do estado de Mato Grosso do Sul e fornecer insumos para os processos de tomada de decisão das empresas sul-mato-grossenses e suas estratégias de exportação.





