Comércio e serviços sustentam expansão de empresas em Mato Grosso do Sul
Capital lidera ranking de novos negócios; indústria representa apenas 2,6% das aberturas

O setor terciário continua sendo o principal motor da abertura de empresas em Mato Grosso do Sul. Dados do Relatório de Aberturas e Fechamentos de Empresas, divulgado pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) com base em informações da Jucems (Junta Comercial de Mato Grosso do Sul), mostram que 2.371 novos negócios foram registrados no Estado apenas no primeiro bimestre de 2026.
RESUMO
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A capital segue como principal polo empreendedor. Somente em fevereiro, Campo Grande concentrou 664 novas empresas, o equivalente a cerca de 44% de todos os registros do Estado. Na sequência aparecem Dourados, com 138 aberturas, e Chapadão do Sul, com 130 novos empreendimentos.
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O levantamento confirma a predominância do setor terciário na economia sul-mato-grossense. Serviços lideram com ampla vantagem, respondendo por 78,2% das empresas abertas entre janeiro e fevereiro. O comércio aparece em segundo lugar, com 19,2%, enquanto a indústria representa apenas 2,6% dos novos registros.
Esse cenário reforça o perfil do empreendedor local, que tem buscado oportunidades principalmente em atividades ligadas ao consumo e à prestação de serviços.
Alta rotatividade no mercado
Apesar do ritmo de abertura de empresas, o relatório também acende um alerta para a alta rotatividade empresarial. Em fevereiro, o índice de rotatividade saltou para 90,1%, superando os 72,5% registrados no mesmo período do ano passado.
O aumento nos encerramentos resultou em um saldo negativo de 178 empresas no acumulado do ano, com crescimento de 18,61% nas baixas.
No entanto, parte desse movimento está relacionada a um processo administrativo. Segundo o relatório, a Receita Federal tem intensificado a baixa de empresas inativas para atualizar cadastros e reduzir a inadimplência, o que acaba inflando as estatísticas de fechamento.
Base econômica no consumo
Mesmo com o ajuste cadastral, o cenário desenhado no início de 2026 mostra que a economia estadual segue fortemente apoiada no comércio e nos serviços.
Para a CDL Campo Grande, os números reforçam a importância de políticas de incentivo ao empreendedorismo nesses setores.
“O domínio do comércio e dos serviços nas estatísticas de abertura mostra que o empreendedor sul-mato-grossense continua apostando em atividades voltadas ao consumo e ao atendimento. O desafio agora é garantir que essas empresas não apenas abram, mas tenham condições de crescer e se consolidar no mercado”, destaca a entidade.
O retrato do primeiro bimestre indica, portanto, um mercado ainda dinâmico, mas que exige atenção à sustentabilidade dos novos negócios — especialmente nos segmentos que hoje sustentam a maior parte da atividade econômica do Estado.

