Diversificação do agronegócio impulsiona procura por qualificação técnica em MS
De 2024 para 2026, a busca de pessoas pelo curso aumentou 49%
O crescimento e a diversificação do agronegócio em Mato Grosso do Sul têm impulsionado a procura por formação técnica na área. As cadeias produtivas no Estado vão da bovinocultura à fruticultura, passando por grãos e florestas plantadas.
RESUMO
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O setor reúne diferentes atividades produtivas e demanda técnicos que atuam tanto na produção rural quanto em áreas de suporte, como assistência técnica, gestão, comercialização de insumos e tecnologias agrícolas.
A necessidade de qualificação também está diretamente ligada ao crescimento das cadeias produtivas regionais. Algumas delas, como o setor florestal, têm apresentado níveis elevados de empregabilidade para técnicos.
O curso técnico em Agronegócio do Senar/MS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul) é ofertado de forma ininterrupta há mais de uma década e segue sendo o curso com maior número de alunos da instituição. Neste setor, 1.655 alunos já foram formados, sendo 939 apenas no curso técnico em Agronegócio.
A cada ano, só aumenta o número de inscritos por técnico em agronegócio em Campo Grande. Em 2020, foram 534 inscritos; 2021, 772; 2022, 547; 2023, 811; 2024, 361; 2026, 541 pessoas inscritas. Os dados de 2025 se perderam, pois o sistema do Senar Central mudou.
Segundo o diretor do Centro de Excelência em Bovinocultura de Corte do Senar/MS, Gustavo Cavalca, essa diversidade é um dos fatores que explicam a expansão pela procura da formação técnica.
“O agronegócio sul-mato-grossense é um setor econômico forte e diversificado. O estado conta com diversas cadeias produtivas consolidadas, como florestas plantadas, grãos, suinocultura, fruticultura e bovinocultura. Nesse contexto, o profissional formado em Agronegócio encontra oportunidades de atuação em diferentes segmentos da produção rural, além de áreas de suporte, como empresas de insumos, assistência técnica e comercialização de máquinas e tecnologias para o campo”, afirmou.
Atualmente, a instituição mantém sete cursos técnicos em andamento, entre eles Agronegócio, Agricultura, Agropecuária, Fruticultura, Florestas, Segurança do Trabalho no Agro e Zootecnia, além de uma especialização em Sistemas de Produção de Animais Ruminantes.
As formações são oferecidas gratuitamente em 16 municípios de Mato Grosso do Sul, incluindo Campo Grande, Dourados, Maracaju, Chapadão do Sul, Sidrolândia e Três Lagoas.
"Isso ocorre porque a produção agropecuária está diretamente ligada às características de clima, solo e logística de cada região, o que gera oportunidades em diversas localidades. Contudo, quando observamos as cadeias produtivas, a região leste do estado tem se destacado atualmente pelos níveis mais elevados de empregabilidade", destacou.
Ele também comenta sobre o déficit. “De modo geral ainda há déficit de mão de obra técnica no estado. Mato Grosso do Sul apresenta um cenário de pleno emprego e, mesmo assim, a demanda por profissionais qualificados no agronegócio continua crescendo”, explicou Cavalca.
Uma das áreas que ainda enfrenta carência de profissionais preparados é a de finanças rurais, responsável pelo planejamento financeiro, controle de custos e apoio à tomada de decisões dentro das propriedades e empresas do setor.
Segundo informações da entidade, a remuneração inicial de um técnico em agronegócio recém-formado no Estado costuma variar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, podendo aumentar conforme experiência e área de atuação. O trabalho pode render remuneração bruta de até R$ 12,6 mil em Mato Grosso do Sul.
Os valores variam de acordo com a cadeia produtiva atendida. Atualmente, o valor mínimo é de aproximadamente R$ 355 e o máximo de R$ 420 por visita na propriedade.
A coordenadora técnica Andressa de Arruda, de 38 anos, é um exemplo de profissional que encontrou no agro uma carreira consolidada.

Formada como técnica em Agronegócio em 2021 e em Zootecnia em 2024, ela trabalha atualmente coordenando um setor de escrituração zootécnica e participando do manejo em propriedades rurais.
Para Andressa, a paixão pela área foi determinante para seguir carreira no agronegócio. “Sempre gostei. Sou apaixonada pelo agro”, destacou.
Ela também ressalta que o setor tem passado por mudanças importantes, especialmente com o aumento da presença feminina no campo.
“Me sinto muito feliz em trabalhar nesse meio. Sempre que tenho oportunidade eu falo sobre isso: nós mulheres quebramos esse tabu de que o agro é só para homem. Hoje temos muitas mulheres como referência na área, mas ainda existe muito preconceito. Temos um longo caminho pela frente”, disse.
Mesmo diante dos desafios, ela afirma que não se imagina atuando em outra área. “Não me vejo em outra profissão”, completou.
Para a profissional, o crescimento do setor e a diversidade de atividades explicam o interesse cada vez maior pela formação técnica.
“É uma área que vem ganhando muito espaço. O agro é um dos principais responsáveis pela economia do país. É uma profissão onde você pode atuar em diversas áreas. É excelente, mas hoje temos um déficit muito grande de mão de obra qualificada”, avaliou.
Avanço - Segundo dados da Carta de Conjuntura da Agropecuária divulgada pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) encerrou 2025 com crescimento de 23,68 e atingiu R$ 76,3 bilhões.
Com esse desempenho, Mato Grosso do Sul mantém a 7ª posição no ranking nacional, respondendo por 5,42% do VBP brasileiro.
A agricultura lidera com 63,83% do VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) estadual no ano passado. O percentual equivale a R$ 48,71 bilhões, avanço de 19,54% em relação a 2024.
A pecuária responde por 36,16%, com R$ 27,60 bilhões, crescimento de 31,71% na comparação anual. Entre os produtos, destacam-se soja, bovinos, milho, cana-de-açúcar, frango e suínos.
Além disso, o comércio exterior do Estado demonstra robustez, movimentando R$ 9,9 bilhões ao ano, com forte presença em mercados internacionais, exportando para 170 países, especialmente na Ásia, Europa e América do Norte.
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