Dólar à vista fecha estável a R$ 5,24 com cautela externa
Moeda encerra sem variação e Ibovespa cai mais de 2% após correção e temor no mercado
O dólar à vista fechou estável, cotado a R$ 5,24, nesta quarta-feira (4), em São Paulo (SP), após investidores reagirem à cautela no cenário internacional e a sinais do governo federal sobre o comando do Banco Central, enquanto a bolsa brasileira registrou forte queda no mesmo pregão.
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O dólar à vista encerrou estável a R$ 5,24 em São Paulo, refletindo a cautela nos mercados internacionais e as reações às possíveis indicações para o Banco Central. O mercado demonstrou preocupação com a possível nomeação dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para diretorias do BC. No cenário externo, o setor de tecnologia registrou quedas, especialmente em empresas de software, devido a preocupações com o impacto da inteligência artificial. Dados do mercado de trabalho americano também influenciaram o câmbio, com a criação de vagas abaixo do esperado, gerando incertezas sobre a economia dos EUA.
A estabilidade da moeda ocorreu em um dia de aversão ao risco nos mercados globais. No Brasil, investidores reagiram negativamente à informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve confirmar os economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti, indicados pelo ministro Fernando Haddad, para diretorias do BC (Banco Central). O mercado demonstrou receio de que as escolhas enfraqueçam o controle da inflação.
No exterior, o setor de tecnologia manteve trajetória de queda e ampliou a cautela dos investidores. A desvalorização atingiu principalmente ações de empresas de software, diante da avaliação de riscos relacionados ao avanço da inteligência artificial sobre os modelos de negócio do setor.
Nos Estados Unidos, dados do mercado de trabalho também influenciaram o câmbio. O relatório da ADP (Automatic Data Processing) apontou a criação de 22 mil vagas no setor privado em janeiro, número abaixo da expectativa de 48 mil. O resultado reforçou incertezas sobre o ritmo da economia americana e os próximos passos da política de juros.
No Brasil, o Banco Central divulgou dados do fluxo cambial de janeiro, que registrou saldo positivo de US$ 5,086 bilhões. No acumulado, o dólar apresenta alta de 0,04% na semana e no mês, mas queda de 4,36% no ano.
No mesmo dia, o principal índice da bolsa brasileira, caiu 2,14% e fechou aos 181.708 pontos. A retração refletiu o cenário externo mais cauteloso e um movimento de correção após recordes recentes.
A queda da bolsa ganhou força com a reação negativa aos balanços do setor bancário. O Santander registrou lucro líquido de R$ 4,1 bilhões no quarto trimestre de 2025, dentro do esperado, mas apresentou resultado antes de impostos abaixo das projeções. As ações do banco caíram mais de 2%, movimento que se espalhou para Banco do Brasil, Bradesco e Itaú.
Indicadores internos também pesaram sobre o mercado. O PMI (Índice de Gerentes de Compras) de serviços do Brasil recuou para 51,3 pontos em janeiro, após marcar 53,7 em dezembro, segundo a S&P Global. Apesar de indicar crescimento, o dado mostrou perda de ritmo e levou empresas a reduzir contratações.


