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Economia

Exportações de MS aos EUA crescem 175%, mas tarifas de Trump preocupam

Nos primeiros dois meses de 2025, o Estado já exportou US$ 84,7 milhões para o mercado norte-americano

Por Gabriela Couto | 04/04/2025 14:23
Exportações de MS aos EUA crescem 175%, mas tarifas de Trump preocupam
Vários contêineres empilhados um sobre o outro aguardando exportação (Foto: Vosmar Rosa/MPOR)

As exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos cresceram de forma expressiva nos últimos cinco anos. O valor das exportações saltou de US$ 243 milhões em 2020 para US$ 669,5 milhões em 2024, um aumento de 175%.

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As exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos cresceram 175% nos últimos cinco anos, saltando de US$ 243 milhões em 2020 para US$ 669,5 milhões em 2024. No entanto, uma nova tarifa de 10% imposta pelos EUA sobre importações brasileiras, a partir de 5 de abril, ameaça este crescimento. Os principais produtos exportados são carne bovina (33,7%), celulose (31%) e óleos e gorduras animais. O secretário Jaime Verruck alerta que o custo adicional de US$ 66 milhões pode afetar toda a cadeia produtiva, do produtor rural ao consumidor final. O estado mantém superávit comercial significativo com os EUA, com saldo de US$ 520,6 milhões em 2024, enquanto as importações se mantiveram estáveis em US$ 148,8 milhões.

Esse crescimento consolidou os EUA como um dos principais destinos dos produtos do estado, ao lado dos mercados asiático e europeu. Os dados foram obtidos por meio de um levantamento realizado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

Nos dois primeiros meses de 2025, o estado já exportou US$ 84,7 milhões para os Estados Unidos, o que corresponde a 12,6% do total exportado em 2024. Caso o ritmo de vendas se mantenha, é possível que o ano registre novo crescimento.

No entanto, a recente decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 10% sobre todas as importações do Brasil, a partir de 5 de abril, gera preocupações quanto ao impacto para o setor produtivo sul-mato-grossense.

Desde 2020, Mato Grosso do Sul tem mantido um superávit significativo na balança comercial com os Estados Unidos. Enquanto as exportações mais do que dobraram no período, as importações se mantiveram estáveis, variando de US$ 90 milhões em 2020 a US$ 148,8 milhões em 2024. O saldo comercial do estado passou de US$ 152,7 milhões em 2020 para US$ 520,6 milhões em 2024, um aumento de 241%.

Os EUA são um mercado estratégico para produtos agroindustriais e de base florestal de Mato Grosso do Sul. Em 2024, os principais produtos exportados para os Estados Unidos foram a celulose, representando 31% das exportações, com US$ 213,4 milhões; carne bovina e derivados, com US$ 225,6 milhões, correspondendo a 33,7% do total; e óleos e gorduras animais, com US$ 46,1 milhões. A imposição de uma tarifa de 10% pode encarecer esses produtos, afetando a competitividade das exportações brasileiras.

O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, comentou sobre o cenário. "Nos últimos cinco anos, Mato Grosso do Sul teve um crescimento expressivo de 175% nas exportações para os Estados Unidos, alcançando US$ 669 milhões em 2024. O mercado norte-americano é estratégico para o estado, especialmente para a carne bovina, celulose e óleos, que juntos representam a maior parte das vendas".

De acordo com ele, a nova tarifa de 10% sobre as importações brasileiras imposta pelo governo americano pode impactar diretamente a competitividade desses produtos. "Esse custo adicional de cerca de US$ 66 milhões pode ser repassado ao consumidor americano ou diluído ao longo da cadeia produtiva, afetando desde as empresas exportadoras até os produtores rurais sul-mato-grossenses."

Diante dessa situação, Verruck ressaltou que o governo federal deve avaliar como responder à medida, considerando que os EUA têm um superávit na balança comercial com o Brasil.

"Retaliações podem ser complexas, e a solução mais viável seria negociar a redução das alíquotas para minimizar os impactos ao setor produtivo. Mato Grosso do Sul já abastece outros mercados, como China e Europa, mas redirecionar completamente as exportações não seria simples. A prioridade, agora, é buscar formas de manter a competitividade, reduzir custos e entender os desdobramentos dessa tarifa nos próximos meses", finalizou o secretário.

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