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Economia

Fretes sobem com avanço da safra e MS registra altas acima de 30% em rotas

Demanda aquecida por transporte de grãos, chuvas e nova política de pisos mínimos pressionam preços no estado

Por Jhefferson Gamarra | 31/03/2026 14:24
Fretes sobem com avanço da safra e MS registra altas acima de 30% em rotas
Caminhoneiro fechando carregamento de grãos (Foto: Reprodução/Conab)

O avanço da colheita da soja, o aumento das exportações e as condições climáticas adversas elevaram os preços do transporte rodoviário de grãos em fevereiro de 2026. A avaliação consta no Boletim Logístico divulgado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que aponta um cenário de forte demanda por fretes em todo o país, com reflexos diretos em Mato Grosso do Sul, onde algumas rotas registraram alta superior a 30% em relação a janeiro.

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Os preços do transporte rodoviário de grãos subiram em fevereiro de 2026, impulsionados pelo avanço da colheita da soja, aumento das exportações e chuvas que dificultaram a logística. Em Mato Grosso do Sul, algumas rotas registraram alta superior a 30% em relação a janeiro. A Conab projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas em 2025/26, mantendo a pressão sobre os fretes nos próximos meses.

O movimento de alta está diretamente ligado ao aumento do volume exportado de soja no período e ao ritmo da colheita, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Além disso, o período chuvoso dificultou as operações logísticas, contribuindo para pressionar ainda mais os preços do transporte.

No cenário nacional, os principais corredores logísticos seguem concentrando o escoamento da produção. O Arco Norte respondeu por 40,8% das exportações de milho e 38,4% da soja no início de 2026, enquanto o porto de Santos concentrou 33,5% do milho e 36,8% da soja embarcada.

A perspectiva para os próximos meses é de continuidade da pressão sobre os fretes. Segundo a Conab, fatores externos como oscilações cambiais, incertezas geopolíticas e o comportamento do petróleo devem seguir influenciando os custos. Internamente, o avanço da colheita da primeira safra mantém elevada a demanda por transporte.

“Os produtores devem lidar com o avanço da colheita, o que mantém a pressão de alta nas cotações para a remoção dos grãos”, afirma o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.

O cenário de demanda elevada é reforçado pela expectativa de uma safra recorde de grãos no país. De acordo com o sexto levantamento da Conab, a produção brasileira em 2025/26 pode atingir 353,4 milhões de toneladas, crescimento de 0,3% em relação ao ciclo anterior.

A soja, principal cultura, deve alcançar 177,8 milhões de toneladas, mesmo com dificuldades climáticas registradas em fevereiro, como excesso de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste. Até o fim daquele mês, cerca de 50,6% da área plantada já havia sido colhida.

O milho também apresenta números expressivos. A produção total das três safras está estimada em 138,3 milhões de toneladas. No entanto, o plantio da segunda safra foi impactado pelo atraso na colheita da soja, causado pelas chuvas.

Apesar do bom desempenho produtivo, o ambiente econômico é mais desafiador. Em fevereiro, os preços internacionais da soja e do milho recuaram, pressionados pela ampla oferta brasileira e por fatores externos, como a queda do petróleo e tensões comerciais. No mercado interno, a combinação de preços mais baixos, custos elevados e queda nos prêmios de exportação reduziu a rentabilidade dos produtores.

Fretes em MS - Em Mato Grosso do Sul, o comportamento do mercado de fretes seguiu a tendência nacional, mas com intensidade significativa. O avanço da colheita da soja, que atingiu cerca de 55% da área no estado até o fim de fevereiro, aumentou a oferta de cargas e a necessidade de transporte para armazéns, indústrias e portos.

Na segunda quinzena do mês, houve aceleração da colheita, o que elevou a demanda por caminhões e sustentou a alta dos preços nas principais rotas monitoradas.

Os embarques para o mercado externo também contribuíram para esse cenário. Em fevereiro, o estado exportou 303,2 mil toneladas de soja e 119,4 mil toneladas de milho, segundo dados do governo federal. Esses volumes intensificaram o fluxo logístico, principalmente em rotas de média e longa distância com destino aos portos das regiões Sul e Sudeste.

Outro fator relevante foi o ambiente econômico favorável às exportações. Indicadores de mercado apontaram leve valorização da soja (cerca de 1,5%) e do milho (3%), combinada com um dólar elevado, o que aumentou a competitividade dos produtos brasileiros e estimulou o escoamento da produção.

Além da demanda aquecida, mudanças regulatórias também influenciaram o mercado. A entrada em vigor, em janeiro, da nova resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres que atualiza os pisos mínimos do frete incorporou a inflação de insumos como diesel, pneus e manutenção.

A intensificação da fiscalização eletrônica no pagamento do frete reduziu a possibilidade de negociações abaixo dos valores mínimos, contribuindo para sustentar os preços em patamares mais elevados.

Rotas com aumentos expressivos  - Os dados levantados mostram que diversas rotas em Mato Grosso do Sul registraram aumentos relevantes em fevereiro na comparação com janeiro. Entre os destaques:

  • Chapadão do Sul – Guarujá (SP): alta de 36%
  • São Gabriel do Oeste – Maringá (PR): alta de 28%
  • Sidrolândia – Maringá (PR): alta de 26%
  • Dourados – Maringá (PR): alta de 18%

Outros trajetos também apresentaram elevação, ainda que mais moderada, consolidando a tendência de valorização dos fretes no estado. (veja tabela completa abaixo)

Fretes sobem com avanço da safra e MS registra altas acima de 30% em rotas

Com a colheita ainda em andamento, exportações aquecidas e expectativa de safra recorde, o mercado de transporte rodoviário deve permanecer pressionado nos próximos meses. Em Mato Grosso do Sul, a combinação entre aumento da produção, forte demanda logística e custos elevados indica que o período sazonal de alta nos fretes ainda está longe do fim.