MS disputa R$ 100 milhões de subvenção para inovação de empresas no Centro-Oeste
Especialistas apontam potencial e desafios para ampliar acesso aos recursos não reembolsáveis

A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) vai destinar R$ 300 milhões em subvenção econômica – recurso federal não reembolsável – para impulsionar projetos empresariais nas regiões Norte (R$ 50 milhões), Nordeste (R$ 150 milhões) e Centro-Oeste (R$ 100 milhões). Mato Grosso do Sul disputará esses recursos com os demais Estados.
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Embora não haja divisão prévia por estado, a distribuição regional dependerá da qualidade dos projetos apresentados. A iniciativa da Finep, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é realizada em parceria com as superintendências regionais e o Sebrae.
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Podem participar empresas com faturamento anual de até R$ 90 milhões – ou que apresentem plano consistente de crescimento até esse patamar. Cada proposta poderá pleitear entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões. O prazo para envio vai até 7 de abril.
O superintendente da Área de Operações Descentralizadas e Regionais da Finep, William Rospendowski, disse ao Campo Grande News que o objetivo é fortalecer a reindustrialização nacional com foco em sustentabilidade, autonomia tecnológica e redução da dependência externa, além de estimular emprego e renda.
(Divulgação/Finep)
Foco regional inédito
Segundo ele, essa é a primeira vez que a instituição lança um edital de subvenção econômica com recorte regional estruturado. O arranjo envolve a Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) e a Sudeco (Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste), além do Sebrae.
A estratégia prevê ampliar a participação de empresas fora do eixo Sul-Sudeste, historicamente mais contemplado nos financiamentos à inovação. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o volume de propostas submetidas ainda é considerado baixo.
A chamada integra um pacote de 13 editais que somam R$ 3,3 bilhões para projetos alinhados à Nova Indústria Brasil (NIB). Os recursos são provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e destinam-se a iniciativas ligadas à transição energética, cadeias industriais, saúde, tecnologias digitais, defesa, transformação mineral, economia circular, cidades sustentáveis, mobilidade, semicondutores e agricultura familiar, entre outras áreas.
Até o fim de 2025, a Finep investiu R$ 44,3 bilhões (incluindo contrapartidas) em 3.090 projetos relacionados à NIB.
Potencial de Mato Grosso do Sul
Para o especialista em políticas de inovação Márcio de Araújo Pereira, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os recursos representam um primeiro passo para estimular a inovação nas regiões menos contempladas, embora ainda insuficientes para corrigir desigualdades históricas.
Ele ressalta que não é possível estimar quanto caberá a Mato Grosso do Sul, já que a distribuição dependerá da qualidade e do volume de projetos apresentados. “É fundamental mobilizar o ecossistema local”, afirma.
Pereira, que presidiu a Fundect e o Confap até o fim de 2025, destaca que o Estado possui empresas com potencial para captar os recursos, principalmente nas cadeias ligadas à celulose e a setores industriais estruturados. No entanto, aponta a necessidade de desenvolver mais a cultura de acesso à subvenção econômica.
“A subvenção não é empréstimo. A empresa apresenta o projeto, executa e presta contas dos resultados. Não há devolução do recurso”, explica. Segundo ele, diversos avanços na indústria farmacêutica e automotiva brasileira foram viabilizados por esse instrumento.
Corrida por recursos e preparação das empresas
O especialista avalia que a capacitação das empresas para estruturar bons projetos será determinante para ampliar a competitividade regional. No ano passado, Mato Grosso do Sul tinha cerca de 600 startups registradas na base do Sebrae, mas nem todas estariam aptas a acessar os recursos.
Além das startups (com faturamento de até R$ 16 milhões), empresas maiores também podem participar, desde que apresentem planejamento adequado.
Ele acrescenta que novos editais devem contemplar instituições de ciência e tecnologia (ICTs), como universidades e institutos federais, o que pode fortalecer a integração entre academia e setor produtivo.
“Finep pelo Brasil” e estrutura de P&D
Pereira defende que Mato Grosso do Sul receba uma edição do programa “Finep pelo Brasil”, iniciativa que apresenta editais diretamente a empresários e lideranças locais. Segundo ele, eventos presenciais tendem a ampliar a participação e qualificar os projetos.
Entre os estados do Centro-Oeste, Goiás e Mato Grosso do Sul aparecem com bom potencial de captação, conforme avalia. Goiás se destaca na área de inteligência artificial, enquanto Mato Grosso do Sul possui um ecossistema organizado, embora ainda precise ampliar sua estrutura de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
Para o dirigente da Finep, a instituição oferece condições diferenciadas para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, como apoio de até 100% nas linhas Mais Inovação e Inovação para Competitividade (percentual superior ao das demais regiões, que é de 90%).
Críticas ao modelo do edital
O especialista Gesil Sampaio Amarante Segundo, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), na Bahia, e coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica da mesma instituição, avalia que o edital concentra apoio em empresas já estabelecidas, enquanto instituições e parques tecnológicos seguem com demanda reprimida.
Para ele, há risco de os recursos se concentrarem onde já existe estrutura consolidada, sem fortalecer adequadamente o ambiente de criação de novos empreendimentos inovadores nas regiões contempladas.
Questionada, a Finep informou que a parceria com ICTs e universidades não é obrigatória nos editais regionais, mas pode melhorar a avaliação dos projetos. Segundo a instituição, a subvenção permite que empresas envolvam pesquisadores e doutores em suas iniciativas, ampliando a cooperação com o meio acadêmico.



