Prefeituras entram no jogo para destravar pequenos negócios em MS
Programa tenta reduzir burocracia e mudar rotina interna das administrações

Enquanto grandes investimentos costumam dominar o discurso econômico, é no balcão do pequeno comércio, na sala improvisada do MEI e nas empresas familiares que boa parte da economia de Mato Grosso do Sul realmente gira.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O programa Cidade Empreendedora, presente em 36 municípios de Mato Grosso do Sul, busca simplificar a vida dos pequenos empresários através da reorganização da gestão municipal, redução da burocracia e estabelecimento de regras mais claras para o funcionamento de negócios. Em um estado onde 98% das novas empresas são de pequeno porte, a iniciativa foca em transformar as prefeituras em aliadas do empreendedor, oferecendo capacitação, revisão de processos e planejamento econômico local. O objetivo é não apenas facilitar a abertura de empresas, mas garantir sua sobrevivência e impacto positivo na economia regional.
É nesse território, menos visível e mais cotidiano, que o programa Cidade Empreendedora tenta atuar: mexendo na engrenagem das prefeituras para facilitar — ou ao menos não atrapalhar — a vida de quem quer empreender.
A proposta passa longe de incentivos milionários. O foco está na organização da gestão municipal, na redução da burocracia e na criação de regras mais claras para abertura, funcionamento e crescimento dos pequenos negócios.
Em vez de promessas grandiosas, o programa trabalha com ajustes práticos: capacitação de servidores, revisão de processos internos e planejamento econômico local.
Atualmente, 36 municípios sul-mato-grossenses participam da iniciativa, que estrutura ações conforme o porte e a realidade de cada cidade. A metodologia inclui desde a elaboração de planos de desenvolvimento municipal até ações voltadas à educação empreendedora, compras públicas locais e estímulo à formalização.
Os números ajudam a dimensionar o cenário. Apenas nos primeiros dias de 2026, Mato Grosso do Sul registrou a abertura de cerca de 3,1 mil novas empresas. Quase todas — 98% — são pequenos negócios, e a maioria absoluta formada por microempreendedores individuais.
O dado reforça um retrato conhecido: o empreendedorismo no Estado nasce pequeno, muitas vezes por necessidade, e depende diretamente do ambiente criado pelas administrações municipais.
Na prática, o que o Cidade Empreendedora tenta fazer é simples de explicar, embora difícil de executar: transformar a prefeitura de obstáculo em aliada. Isso significa menos carimbo, menos espera e mais orientação para quem decide sair da informalidade ou manter o negócio de portas abertas.
O desafio, porém, vai além da formalização. Especialistas alertam que abrir empresa é apenas o primeiro passo. O verdadeiro teste está na sobrevivência desses negócios ao longo dos anos, na geração de empregos e na capacidade de movimentar renda local. É aí que o programa precisará mostrar resultados consistentes — não apenas em números de adesão, mas em impacto real na economia das cidades.
Entre planilhas, capacitações e discursos sobre desenvolvimento, a expectativa é que a política pública consiga chegar onde realmente importa: no empreendedor que acorda cedo, fecha a conta no fim do mês com dificuldade e sustenta boa parte da economia sul-mato-grossense sem holofotes, mas com muita persistência.

