Recomeço do Morenão ignora quem fez história
Memória esquecida - O ato era institucional. Palanque montado, autoridades alinhadas, discursos afinados. Na Governadoria, o anúncio da cedência do Morenão da UFMS para o Governo do Estado foi tratado como um novo começo para um estádio que há anos vive o abandono. Mas, no meio da formalidade, havia uma cena que dizia mais do que qualquer fala.
Silêncio das arquibancadas - Sentados ali, discretos, estavam Biro-Biro e Diogo. Dois nomes que ajudaram a escrever a história daquele mesmo estádio que agora se tenta resgatar. Jogaram quando o Morenão pulsava, quando arquibancadas cheias eram regra, não exceção. Quando Operário e Comercial levavam multidões e transformavam o lugar em um dos maiores palcos do futebol regional. Nenhum dos dois foi citado. Nem uma menção. Nem uma lembrança. Nem um aceno simbólico.
E a identidade? - O evento que falava de futuro ignorou quem representa o passado. E talvez esteja aí um dos problemas. Porque recuperar concreto é possível. Reformar arquibancadas, trocar gramado, modernizar estruturas, tudo isso entra em projeto, orçamento e cronograma. Mais difícil é reconstruir identidade.
História viva - O Morenão não é só um estádio. É memória coletiva. É barulho de torcida, clássico quente, domingo de sol e camisa suada. É história viva, ou deveria ser. Ao deixar de reconhecer quem ajudou a construir essa história, o evento revelou algo maior que o descuido: mostrou como, por vezes, se tenta recomeçar sem olhar para trás. E estádio sem memória não passa de obra.
Fauna política - Uma onça-pintada feita de concreto, pesando mais de 150 kg foi entregue ao escritório estadual do PL (Partido Liberal) em Campo Grande. Ela foi confeccionada por um artesão do município de Jardim e levada pelo prefeito Juliano Guga Miranda, que participou do ato de filiação na última segunda-feira (31). A onça se junta a escultura de dourado, dedicado ao ex-governador Reinaldo Azambuja e exposta no aparador do cafezinho.
Bem Gen Z - A pré-candidata a deputada federal pelo PP, Viviane Luiza, antes de deixar a Secretaria Estadual de Cidadania, usou as redes sociais para divulgar um conteúdo institucional com foco no público jovem. Usando gírias atuais e citando até a Chappell Roan, ela avisou que a juventude está incluída no projeto de governo. Ela foi icônica, babilônica e trouxe o hit que incluiu divos e divas, com vários emojis.
Informativo – A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), sancionou lei que obriga cartazes nos ônibus do transporte coletivo com informações sobre violência contra a mulher, incluindo canais de denúncia, sinais de socorro e direitos. Os cartazes devem ser de fácil visualização. Os custos ficarão a cargo do próprio Consórcio Guaicurus.
Apagão? - O governo federal suspendeu, por tempo indeterminado, o prazo para que estados e municípios prestem contas sobre o uso de recursos do Índice de Gestão Descentralizada do Programa Bolsa Família referentes a 2024 e 2025. A medida foi tomada devido a problemas técnicos na integração e migração de dados entre sistemas usados na prestação de informações, o que impede o envio correto dos dados ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
Sala de aula - Campo Grande virou vitrine nacional no sistema prisional por liderar o ranking de detentos trabalhando no país: são cerca de 990 internos em atividade no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, o maior número do Brasil, segundo o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. A maioria recebe um salário mínimo por meio de parcerias com empresas e órgãos públicos, dentro de um modelo que combina cumprimento de pena no regime semiaberto com foco na ressocialização.
Menos custos - O trabalho também gera impacto fora dos muros, como a produção de mais de 1,5 milhão de pães doados a entidades, além de permitir a redução de pena por remição e ajudar a diminuir custos do Estado, com internos atuando tanto em atividades internas quanto em serviços externos.


