Casa de 1954 vira restaurante inspirado em cabaré francês
Imóvel é tombado pelo município e a obra manteve piso, paredes e outros detalhes desde a construção

Depois de anos abandonado, um imóvel histórico da Rua Padre João Crippa enfim ganhou uma aparência à altura dos 72 anos que carrega. Guilherme Tokunaga Zamboni resgatou a casa de 1954 e a transformou em restaurante, com decoração inspirada nos cabarés franceses. O interior é marcado pelo vermelho, cortinas do teto ao chão, abajures antigos, pias que parecem ter saído do baú dos bisavós e quadros que dialogam com a proposta: ser um “cafona chique”, nas palavras do próprio dono.
RESUMO
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O antigo prédio histórico da Rua Padre João Crippa, em Campo Grande, ganhou nova vida após anos de abandono. O chef Guilherme Tokunaga Zamboni transformou o imóvel de 72 anos em um restaurante no estilo cabaré francês, batizado de Maison Rouge Brasserie. O estabelecimento, inaugurado em março de 2024, manteve as características originais do patrimônio tombado, incluindo o telhado triangular e os pisos históricos. O interior foi decorado em tons de vermelho, com cortinas do teto ao chão e mobiliário vintage, oferecendo um cardápio que inclui clássicos da culinária francesa como Boeuf Bourguignon e Steak Tartar.
Cafona nem abala Guilherme, que vê tudo como identidade e exagero no sentido bom. A ideia do lugar é uma imersão nos cabarés da França e na gastronomia deles de um jeito diferente. Guilherme rotula seu menu como comida do dia a dia, mas garante que para isso não precisa abrir mão do glamour. Ao todo, foram 8 meses para deixar o lugar com a cara do dono, mas a restauração começou em 2023.

“Campo Grande não tem nenhuma casa francesa característica, tem alguns bistrôs, mas fogem um pouco do que a gente acredita da identidade fiel. Eu gosto muito de frequentar esse tipo de local em outros lugares, como São Paulo e Rio de Janeiro. Eu, como chef, gosto muito da linha da culinária francesa, e a gente quis trazer esse conceito de brasserie, que é um francês um pouco mais típico, mais tradicional. E o nosso tema, que é o nosso lema, seria assim: é um francês descomplicado”.
Quem passava pela rua e via o imóvel há 5 anos reconhece, mas não acredita. Por fora, quase nada foi alterado. O imóvel é patrimônio histórico tombado pelo município. Ainda há o telhado triangular que lembra a idade do prédio.
O charme começa na varanda lateral, onde arcos redondos e muretas de cacos de cerâmica convidam a entrar. Por dentro, o chão conta a história. O famoso "caquinho paulista" (vermelho, amarelo e preto) reveste a calçada e a varanda. Já no que seria a “sala”, o ladrilho hidráulico decorado vai até a segunda parte, anexa ao prédio. Por ali, o chão é de cimento queimado.

Nos banheiros, são usados os tijolos antigos aparentes. Tudo isso entre portas vermelhas com sapatos, espelhos antigos e pias “velhas”.
“Essa coisa do vermelho, do cabaré, também é um gosto pessoal meu, dessa coisa carregada. Aí eu quis trazer esse movimento de um francesão bem, vamos dizer, cafona, bem cheio de cortina”.
Essa não é a primeira vez que Guilherme aposta nesse estilo. Ele também é dono do Centrale Osteria, que também tem uma temática que aposta na decoração carregada, dessa vez no estilo italiano.
No cardápio, o destaque das entradas fica para o Steak Tartar, vendido a R$ 92, e o Cogumelo Sauté, acompanhado de ovo mollet e a crocância do presunto de Parma, vendido a R$ 72. Para quem busca algo mais profundo em sabor, a Moela à Borgonha, R$ 64, é uma homenagem às raízes das brasseries.
Nos pratos principais, a estrela é o Boeuf Bourguignon, vendido a R$ 108. Ele é servido com purê de batata. Para os amantes de frutos do mar, a Lagosta Thermidor, acompanhada de arroz de amêndoas, R$ 156, e a Pescada à Belle Meunière, R$ 118, são opções. Há ainda o clássico Pato Confit com Cassoulet, por R$ 118.
As massas também ganham espaço com o Strozzapreti ao ragu de coelho, R$ 89. Para encerrar, o Crème Brûlée com mirtilo desafia o paladar com o contraste da quebra do açúcar, enquanto a Poire au vin rouge (pêra ao vinho) com gelato de mascarpone encerra a noite. Os dois custam R$ 38.
Guilherme explica que alugou o prédio histórico da Rua Padre João Crippa e que antes do restaurante, o dono pensou em alugar para um café, mas como o Centrale fica na mesma rua, o chef estava namorando o prédio.
“Eu via um prédio lá de restauração, aquela coisa que eu gosto muito desse tipo de prédio, de arquitetura e tudo mais. Fechamos acordo e fiz uma adaptação para fazer a brasserie, o Rouge”.

Para ele, o foco ali não é nem a decoração, nem a parte de vinhos e drinks, é a gastronomia. “A gente ama gastronomia e somos muito chatos em relação à comida. É o nosso lema da cozinha, vivemos a gastronomia apaixonadamente”, acrescenta.
Natural de Araçatuba (SP), no interior de São Paulo, Guilherme trabalhava fazendo móveis na empresa dos pais quando viu uma cafeteria e decidiu que teria uma.
“Eu comecei a estudar, fiz curso de barista, depois disso fiz faculdade de gastronomia. Então eu não queria mais café, queria ter um restaurante, queria cozinhar, queria fogão, queria criar prato, essa viagem de virar chef. E comecei a empreender”.
O primeiro restaurante foi inaugurado em 2015 em Araçatuba (SP) e era um botequim. Na pandemia, ele parou e encerrou as atividades. Seu objetivo era atuar em uma cidade maior. Há cinco anos, ele resolveu vir para Campo Grande e montou seu primeiro restaurante na cidade. O segundo, chamado Maison Rouge Brasserie, abriu as portas em 5 de março.

História
A residência no número 1739 da Rua Padre João Crippa, antiga 15 de Agosto, é um fragmento preservado da Campo Grande de 1954. Construída originalmente para o Sr. Antônio Martins de Souza, a casa de estilo eclético personifica o estilo da classe média de meados do século passado.
Utilizando técnicas que permitem à estrutura "respirar", como o uso de tintas minerais, ao mesmo tempo em que resgata o passado, o imóvel se adapta à contemporaneidade. A casa é a primeira a receber a placa de identificação com QR Code vinculada à Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano). Nele, as pessoas podem conhecer um pouco da história do imóvel.
Quem quiser conhecer o restaurante, o endereço é Rua Padre João Crippa, 1739 - Centro.
Confira a galeria de imagens:
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