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Comportamento

Alunos usam roupas coloridas e bichinhos para ajudar autista treinar

Jovem tem TEA e ideia partiu do tio para tirar o sobrinho do sedentarismo

Por Natália Olliver | 04/04/2025 06:10
Alunos usam roupas coloridas e bichinhos para ajudar autista treinar
Osvaldo tirou Angelo do sedentarismo e os dois treinam juntos em um box de crossfit (Foto: Henrique Kawaminami)

Podia ser só mais uma aula de crossfit se não fosse a roupa combinando de todos os alunos e os brinquedos infantis espalhados pelo box. Os “mascotes” são parte da estratégia para estimular Angelo Mathias Lins Vianna Neiva, de 18 anos, a fazer atividade física. O jovem tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) e odiava qualquer exercício antes do tio, Osvaldo Lins Viana, treinar com ele vestido dos pés à cabeça com uma cor diferente todos os dias.

O ato estimulou os outros alunos que acabaram aderindo à prática divertida. Desde dezembro de 2024 Osvaldo manda no grupo dos atletas amadores qual cor foi a escolhida para a atividade no dia seguinte. A ideia é manter a atenção de Angelo e tornar o processo algo leve para ele e para todos.

A aula começa cedo, às 6h10 e vai até 7h015. Desta vez não havia roupa específica, valia qualquer uma, desde que fosse uma mistura, igual ao símbolo do autismo. Angelo escolheu azul - primeira cor do TEA - para comemorar o mês de conscientização sobre o tema. Durante esse tempo, sobrinho e tio ficam frente a frente e fazem todos os desafios juntos.

Formado em educação física, Osvaldo ajuda Ângelo a fazer os movimentos de forma correta. Inclusive, os bichinhos de borracha ajudam exatamente nisso. Eles ficam no chão ou próximos dos alunos para mostrar até onde é preciso ir para fazer a execução.

Alunos usam roupas coloridas e bichinhos para ajudar autista treinar
Alunos usam roupas coloridas e bichinhos para ajudar autista treinar
Bichos de borracha são usados para incentivar Angela na hora dos exercícios (Foto: Henrique Kawaminami)

“O primeiro bonequinho veio como uma maneira de ajudar a gente a fazer o movimento completo, como encostar o peito no chão, encostar o peito na barra.  Quando eu pensei nos bichinhos foi porque o mundo dele é muito brilhante. Ele é a alegria da casa. A atividade física exige do corpo. Então muita gente tende a desanimar, achar que o esforço, as dores que depois ficam acabam sendo uma atividade desagradável. Então eu queria que isso fosse uma atividade  boa para ele e funcionou”.

Os brinquedos são galinhas de borracha, tartarugas, jacarés, ursos e outros bichinhos. Eles ganharam o nome de Dogolino, Marcolino, Alvolino e Cagadinho, Azulino e Rosalino. No treino cada aluno recebe um e eles funcionam, além de auxiliar as atividades, como buzina de incentivo para completar as séries e repetições.

“Na verdade, eu nunca gostei de atividade física. O que eu gosto mesmo é de consertar eletrônico. Eu sou técnico em manutenção de celular, computador e notebook. Realmente essa é a minha atividade preferida, é consertar as coisas. É bom, [estar no box]. Eu gosto muito de assistir desenho, anime e jogar”, comenta Angelo. Sobre o uso dos brinquedos infantis ele conta que acha engraçado.

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Alunos usam roupas coloridas e bichinhos para ajudar autista treinar
Turma usou todas as cores para homenagear a Angelo e o símbolo do autismo (Foto: Henrique Kawaminami)

O tio explica que tinha receio do sobrinho ficar sedentário e isso prejudicar o corpo no futuro. Para evitar problemas as atividades começaram.

“Quando ele faz uma atividade, ele é muito intenso nela. Só que também na hora que desliga ele esquece. Então os bonequinhos, as cores foram uma maneira de chamar atenção de um jeito não agressivo quando ele foge, esquece ou para. Assim ele retoma muito bem. Chamar a atenção de uma maneira mais lúdica”.

Segundo Osvaldo, as pessoas do box receberam a ideia de forma animada e receptiva. Além de ajudar Angelo, fazer atividade física logo de manhã para Osvaldo é um alívio na rotina. A maneira como as pessoas receberam os dois é emocionante para ele.

Alunos usam roupas coloridas e bichinhos para ajudar autista treinar
Alunos usam roupas coloridas e bichinhos para ajudar autista treinar
Brinquedos ganharam nomes no antigo box, mas Osvaldo levou os bichinhos para o atual (Foto: Arquivo pessoal)

“Foi de uma maneira incrível, como eu nunca fui recebido numa atividade física. A partir daí, eles colocaram um professor a mais, inclusive, para poder estar perto e auxiliar. É muito emocionante, perceber que as pessoas se envolvem, não só com uma maneira carinhosa de aprovar o que a gente faz,mas como também uma maneira de dizer que é é essa sociedade que eles querem, uma sociedade bem inclusiva, bem acolhedora”.

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Ludimila Charão de Souza, dona do box de crossfit (Foto: Henrique Kawaminami)

A dona do box, Ludimila Charão de Souza conta que o crossfit é um treino em comunidade e que a inclusão faz parte, já que as aulas são para todas as idades sem divisão por faixa etária. Claro, que cada professor respeita as limitações de cada aluno e ajuda eles a superarem os receios.

“A partir do momento que eles chegaram só deu mais cor pra cá. Para gente ir treinar na leveza, sem ser aquela cobrança, sem ser algo que seja estressante. Então as pessoas chegam para se divertir mesmo e com isso é gratificante porque elas enxergam os resultados em seguida”.

O sentimento é de gratidão porque o trabalho tem dado certo. Ela comenta que muitas pessoas não iniciam no crossfit por acharem que é um esporte apenas para atletas. O ato ajuda a desmentir.

“As pessoas deixam de fazer atividade física, principalmente o cross, por achar que é só para atletas e aí é totalmente errado, é para dona de casa, é para pessoas sedentárias que querem,  é realmente para sair do sedentarismo”.

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