Após viralizar pedindo amigas, Isa lotou bar com mais de 30 mulheres
Apesar dos haters que ela ganhou nas redes sociais, tudo acabou em festa e novos amigos
Depois de viralizar pedindo amigos nas redes sociais, a arquiteta Isabela Tabalipa, de 30 anos, conseguiu lotar inúmeras mesas de bar e, enfim, ter as boas-vindas que tanto desejava. Foram mais de 30 mulheres desconhecidas que se reuniram nesta quinta-feira (26) para conhecer a “novata de Campo Grande”. Não faltaram abraços, palavras de incentivo e até flores para as futuras amigas. O Lado B conferiu de pertinho como a timidez deu espaço às risadas e tudo acabou em festa.
RESUMO
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Isabela Tabalipa, arquiteta de 30 anos recém-chegada a Campo Grande (MS), viralizou nas redes sociais ao publicar um vídeo pedindo amizades na cidade. O resultado foi surpreendente: mais de 30 mulheres compareceram a um encontro em um bar local para conhecê-la. A iniciativa, que gerou um grupo com 150 mulheres no WhatsApp, também atraiu comentários negativos e distorções do objetivo original. Apesar dos contratempos, o encontro foi um sucesso e revelou que outras mulheres da cidade compartilham da mesma dificuldade em fazer amizades, especialmente as que vieram de outros estados. O grupo planeja manter encontros mensais.
Para quem pegou o bonde andando e não está entendendo nada, Isabela se mudou para a Capital há 2 meses na “loucura”. Ela juntou o que tinha em Vilhena (RO) e resolveu tentar a vida em outro lugar. Foram mais de 1.500 km dirigindo para dar de cara com a simpatia do campo-grandense e a dificuldade de fazer amigos. Foi aí que fez um vídeo amador convidando pessoas para tomar cerveja na amizade. O conteúdo bombou.
Além das visualizações, o convite simples rendeu mais de 5 mil seguidores e um grupo no WhatsApp para marcar o encontro. Mas se engana quem achou que isso teria a ver com pegação. Pelo contrário. Isa já é comprometida e a intenção sempre foi fazer amigos na cidade.
A presença das meninas foi uma surpresa para Isa. O grupo tem 150 mulheres, mas nem todas puderam comparecer desta vez. Ela comenta que as pessoas aparecem de fato e que se sente feliz em ver que, de alguma forma, mulheres ainda se ajudam e se solidarizam com as dores umas das outras. O intuito do grupo, que ainda não tem nome fixo, é a troca de experiências e, quem sabe, uma amizade entre elas. O cenário foi positivo: foi cerveja, conversa, animação e entusiasmo. Ali, muitas dividem a mesma dor da arquiteta, mesmo estando há anos em Campo Grande.
Apesar da atitude positiva que motivou as pessoas a se unirem, o vídeo de Isabela também desencadeou reações contrárias: hates, ataques e distorção do intuito do encontro. Ela lamenta ter lido que o objetivo era para fins sexuais.
“Os caras comentaram que sou do job, ficaram perguntando se minha hora é R$ 300, que eles têm amigos casados para me apresentar. Também apareceram coisas como se eu estou recolhendo os números dos caras para mandar para as minhas amigas do job. Eu acho graça disso porque realmente o que o homem fala sobre mim não me afeta ou me atinge. É difícil para eles lidarem com uma mulher independente”.
Ela destaca que a terapia e a rede de apoio estão em dia, mas que se entristeceu com a postura das mulheres na postagem.
“Recebi comentários de mulheres que falavam que eu iria acordar morta, e não em um tom de preocupação. É quase como se a pessoa torcesse para isso acontecer. Isso é triste porque a gente vê que, em 2026, as mulheres ainda vão umas contra as outras nesse sentido. Venho de uma família de muitas mulheres, criada por mulheres. Isso me chocou um pouco, até porque o vídeo não tem nada demais. É a cabeça das pessoas que leva para outro lado”.
Ela também rebate outra crítica de ter sido taxada como carente.
A empresária Bárbara Sabrini, de 23 anos, viu no encontro uma chance de viver o que ainda não tinha conseguido desde que chegou. Vinda de Cuiabá (MT) há dois anos, ela conta que sentiu na pele a dificuldade de criar laços.
“Quando chegamos aqui, muitas pessoas nos informaram que será complicado ter amigos. A gente faz prospecção com alguns compradores e já achei difícil ter amizade com as pessoas. Eu acho que me senti da mesma maneira que ela quando cheguei aqui. Gostaria muito de ter amizade e é a primeira vez que estou tendo, conhecendo meninas maravilhosas”.

Para Helen Francini, de 32 anos, mentora e dona de ótica, o convite apareceu como oportunidade de conexão, algo que ela valoriza. “Eu amo fazer amizade, gosto de grupo de mulheres. Quando vi, entrei na hora”, conta. Na visão dela, a fama do campo-grandense não é à toa. Existe uma resistência, principalmente com quem vem de fora. Mas encontros assim quebram barreiras.
“Mulher que apoia outra mulher vai muito mais longe. Assim como a gente precisa se conectar a pessoas, tem gente que está fechada. Quando vemos pessoas alinhadas no mesmo propósito, vai mudar muita coisa na nossa realidade”.
Lucy Oliveira, de 41 anos, carrega essa sensação há mais de uma década. Natural de Natal (RN), ela mora em Campo Grande há 13 anos e ainda percebe a distância nas relações. “Já senti até xenofobia. Com o tempo a gente acostuma, mas a resistência existe”, afirma. Ao ver o vídeo de Isabela, se reconheceu na proposta. “Eu sinto essa necessidade de ter novas amigas aqui. Quando apareceu o vídeo, achei o movimento incrível.”
Agora, se depender delas, os encontros serão mensais.
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