Dani largou escritório e encontrou na cerâmica 'a cura de tudo'
Sem nunca ter mexido com arte manual, ela resolveu se aventurar em um novo ramo e se surpreendeu
Sem nunca ter mexido com cerâmica ou artes manuais, Daniela Loch, 30 anos, resolveu largar o escritório para se aventurar pelo mundo da cerâmica. A surpresa é que ela encontrou o que procurava justamente fazendo algo totalmente novo. Formada em design de interiores, ela sempre gostou de peças de decoração e utilitários, mas até então apenas admirava.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Daniela Loch, designer de interiores de 30 anos, encontrou uma nova vocação ao trocar o escritório pela arte da cerâmica. Em 2020, após tentar empreender em seu ramo de formação durante a pandemia, decidiu transformar um hobby em negócio, montando seu próprio ateliê. A artesã realiza todo o processo de produção manualmente, desde a modelagem até a entrega das peças, que podem levar até 30 dias para ficarem prontas. O trabalho inclui duas queimas em alta temperatura e requer atenção especial às condições climáticas. Apesar dos desafios de valorização do trabalho manual em Campo Grande, Daniela participa mensalmente de feiras e destaca a singularidade de cada peça produzida.
Em 2020, após terminar a faculdade, ela abriu um escritório e resolveu fazer sozinha algumas peças de cerâmica para receber os clientes. Na lista estavam xícaras, pires e pratos de sobremesa. Tudo foi feito no ateliê de uma conhecida. O escritório, que ela sonhou tanto, não foi para frente por causa da pandemia de covid-19. Foi aí que ela viu na cerâmica uma nova oportunidade de negócio.
“Foi uma dúvida se fechava o escritório ou não, e resolvi fechar. Me veio a ideia de começar a produzir peças de cerâmica. Montei o ateliê num quarto do fundo de casa e comecei a fazer peças para amigos. Até que um dia cresceu e abri meu espaço.”
Ela conta que tudo é feito sozinha e que o processo pode chegar a durar até 30 dias para ser finalizado. Isso porque há o tempo de secagem das peças, que muda com o clima, e por dividir a rotina entre ajudar o pai nas finanças de uma empresa de caminhões e o ateliê.
“Vir pro ateliê, meu cantinho que eu amo, me cura de tudo. A gente aprende todo dia alguma coisa, a cerâmica tem muitas técnicas, tanto de modelagem quanto de esmaltação. Todo dia é alguma coisa nova para aprender. Eu adoro mostrar que minhas peças são feitas à mão. Se colocar todas as do mesmo modelo juntas, elas não vão ser totalmente iguais. Um prato do mesmo modelo pode ficar bem diferente do outro.”
Outro fator que faz com que o prazo de produção seja mais longo é a mão de obra. Ela modela, esmalta, queima e entrega pessoalmente cada trabalho, incluindo os personalizados com logos e carimbos.
“É uma terapia, mexer com argila é muito bom, ver o resultado das peças no final é gratificante. Receber um elogio de um cliente que encomendou. Eu amo poder inventar, modelar peças é super legal. Mesmo sabendo do resultado final após a queima, eu sempre fico ansiosa e animada pra abrir o forno.”

Falando nisso, no começo Daniela conta que não tinha forno próprio e que levava as peças em outro ateliê.
“Faz 1 ano e pouco que investi no meu e foi a melhor coisa que eu fiz. Agora a produção aumentou, participo de feira 1 vez por mês. Por serem feitas à mão, saem tortinhas, com marcas de produção manual, e isso deixa elas únicas para cada cliente que compra.”
Apesar de ainda haver quem considere o trabalho manual caro, há também quem valorize cada detalhe. A ceramista conta que já chegou a escutar que as peças estavam além do preço normal.
“Se o tempo estiver úmido, demora quase 7 dias para secar; se tiver muito seco, ela seca mais rápido, porém pode trincar na queima. Depois de seca, ela passa por uma queima, que chamamos de biscoito; ela fica por 8h numa temperatura de 1050 graus e, após essa queima, vem a esmaltação, onde usamos esmaltes próprios para cerâmica, e ela passa por outra queima; no meu forno vai a 1210 graus por 9h30.”
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e Twitter. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.