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Comportamento

Guido junta discos bolivianos há 13 anos, mas embolia "ameaça" coleção

Boteco vai fazer ação solidária para ajudar artista plástico que está com problema pulmonar grave na Bolívia

Por Natália Olliver e Geniffer Valeriano | 15/01/2026 10:16
Guido junta discos bolivianos há 13 anos, mas embolia "ameaça" coleção
Guido Velasco coleciona músicas bolivianas há mais de uma década (Foto: Arquivo pessoal)

Hoje, o som que a família do artista plástico e guardião da memória boliviana, Guido Velasco, escuta não é das canções que ele colecionava, mas um silêncio angustiante. O homem que dedicou 13 anos mantendo a coleção do pai, ‘Esplêndida Colección’, um acervo com cerca de 100 mil discos e fitas que contam a história de um país inteiro, agora está na UTI. É a filha, Karla Velasco, quem conta um pouco da história do pai e do avô ao Lado B.

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O artista plástico e guardião da memória boliviana, Guido Velasco Aguirre, encontra-se internado em UTI após sofrer embolia pulmonar grave e um pequeno derrame. Aguirre é responsável pela 'Esplêndida Colección', um acervo com aproximadamente 100 mil discos e fitas que documentam a história da Bolívia. Para auxiliar nos custos do tratamento, sua neta Karla Velasco organiza eventos beneficentes no Brasil e na Bolívia. A coleção, iniciada em 1946, inclui raridades como o primeiro disco com selo boliviano e o Hino Nacional gravado em 1904, sendo mantida ao longo dos anos com recursos próprios da família.

Ela explica que Guido sofreu uma embolia pulmonar grave e um pequeno derrame, e que está na Bolívia no momento. O artista viveu muitos anos em Campo Grande e para ajudar um boteco fará uma ação solidária.

A história da Esplêndida Colección começa em 1946, com o pai de Guido. Apaixonado por ópera e música clássica, ele iniciou o acervo que mais tarde se expandiu graças à Rádio Splendid, emissora AM da família. O rádio facilitou o acesso, mas também espalhou o “vírus” da música pela casa inteira.

A coleção cresceu, mudou de nome, incorporou novos gêneros e absorveu todos os registros da antiga rádio. O que antes era hobby virou missão. Manter esse acervo vivo nunca foi fácil. Falta de apoio institucional, ausência de políticas públicas, custos altos de conservação, catalogação e armazenamento. Tudo sustentado no braço, no bolso e na teimosia.

Guido junta discos bolivianos há 13 anos, mas embolia "ameaça" coleção
Parte do arquivo musical de Guido Velasco Aguirre e o filho Guido Velasco (Foto: Arquivo pessoal)

“Tudo foi mantido com esforço pessoal, trabalho contínuo e muita dedicação, enfrentando limitações financeiras, riscos de deterioração do material e a invisibilidade de um trabalho essencial para a história cultural do país”, conta a neta.

Para ajudar nos custos do tratamento do pai, ela fez uma ação solidária tanto na Bolívia quanto no Brasil. Por aqui, o evento será realizado no Boteco do Miau, neste sábado (17), às 21h. A ideia é que artistas se apresentem e doem parte do cachê para a causa. Karla é produtora cultural e conta por que precisa de apoio.

Guido junta discos bolivianos há 13 anos, mas embolia "ameaça" coleção
 Guido sofreu uma embolia pulmonar grave e um pequeno derrame (Foto: Arquivo pessoal)

“A Bolívia não conta com um sistema público de saúde. Isso tem gerado custos altos e diários. Não só com a internação, mas com os remédios, que chegaram ao valor de R$ 15 mil cada, duas injeções de trombolíticos. Ele vive com a venda de alguns discos mais comerciais da coleção, além de dar palestras e workshops sobre a história da música na Bolívia. Como está internado, as atividades dele estão suspensas, complicando ainda mais a situação”.

Guido junta discos bolivianos há 13 anos, mas embolia "ameaça" coleção
Guardião da memória, Guido Velasco com a família (Foto: Arquivo pessoal)

Na coleção de Guido estão verdadeiras relíquias do início do século XX, como o primeiro disco com selo boliviano, o Hino Nacional gravado em 1904, óperas encenadas no Teatro Municipal, arquivos radiofônicos de festas populares e vozes de artistas ainda crianças. Além do apoio do Buteco, Karla também criou uma vaquinha solidária. A meta é arrecadar R$ 20 mil.

O Buteco do Miau fica na Avenida José Nogueira Vieira, 1303., bairro Tiradentes. A entrada custará R$15. Mais informações falar com a filha, Karla, pelo número (67) 99261-5298.