Maria vive há 80 anos na escola onde chegou como aluna e foi diretora
Aos 92 anos, irmã estudou, ensinou e dirigiu a escola onde passou quase toda a vida

Quando a irmã Maria Nilda Rangel atravessou os portões do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora pela primeira vez, tinha apenas 8 anos de idade. O ano era 1942 e a construção do prédio ainda nem tinha sido finalizada. Hoje, aos 92 anos, ela permanece na escola onde passou quase toda a vida, no lugar onde conhece cada canto.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A irmã Maria Nilda Rangel, hoje com 92 anos, mantém uma relação de oito décadas com o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Campo Grande. Desde 1942, quando ingressou como aluna aos 8 anos, ela vivenciou diferentes papéis na instituição, incluindo o de professora e diretora. Durante sua gestão nos anos 1990, Maria foi a única diretora que experimentou todas as etapas como aluna antes de assumir a administração. O colégio, que inicialmente funcionava como internato feminino e recebia alunas de várias regiões do Mato Grosso, completará 100 anos em 2026.
“Naquele tempo, as irmãs ainda estavam organizando tudo. A gente entrava pelo fundo, por uma varanda perto do pátio. Tinha árvores, figueiras bem cuidadas. O meu primeiro pátio foi ali”, relembra.
O Auxiliadora ainda funcionava como internato feminino naquela época e recebia meninas de várias partes do então Mato Grosso. No começo, Maria não dormia na escola porque a família morava perto, na região da Antônio Maria Coelho. Mas, de 1944 em diante, ela conta que passou a viver no internato, onde permaneceu até concluir o ginásio, no fim da década de 1940.
A veterana conta que a rotina era rigorosa. As internas só podiam sair poucas vezes ao ano, e a convivência diária criava vínculos que ultrapassavam o tempo escolar. “A gente vivia tudo aqui dentro”, resume.
Com memória de dar inveja, Maria lembra da primeira professora, irmã Augusta Vieira. “Até hoje eu lembro dela. Era cuiabana, muito culta, educada. As irmãs cativavam a gente pela educação, pelo jeito de tratar”, conta.
Segundo ela, o Auxiliadora reunia alunas de diferentes classes sociais. “Tinha filha de pequeno e de grande fazendeiro, de pequeno e de grande comerciante. Era a educação feminina mais valorizada da época”, detalha.

Até o fim da década de 1970, o colégio era exclusivamente feminino. “O Auxiliadora era para meninas, o Dom Bosco para meninos. Isso só mudou depois”, lembra.
Foi ainda adolescente, ainda no colégio, que Maria sentiu o chamado para a vida religiosa. “Eu queria viver a vida que eu via as irmãs vivendo. A vocação é um chamado que você sente e nem sabe explicar”, define.
O pedido para se tornar irmã veio cedo, aos 14 anos, e encontrou resistência da mãe, que não aceitava perder a única filha mulher. Como alternativa, Maria foi enviada para Ribeirão Preto, onde cursou parte do ensino científico. Mesmo longe, ela afirma que o vínculo com o Auxiliadora nunca se rompeu.
Quando retornou a Campo Grande, Maria ingressou no magistério e retomou o caminho que sentia ter sido traçado ainda na infância.
Décadas depois, a ex-aluna voltou como professora e, mais tarde, como diretora. Irmã Maria comandou o Auxiliadora durante toda a década de 1990, período em que acompanhou mudanças no sistema educacional e na própria estrutura da escola.
“Eu fui diretora desde a pré-escola até o magistério. Fiz todo o ciclo aqui dentro”, destaca. Segundo ela, foi a única diretora a ter vivido todas as etapas como aluna antes de assumir a gestão.
Andando pelos corredores do colégio que completa 100 anos em 2026, a irmã sempre resgata uma memória ou outra. “Esses dois blocos que estão em reforma fazem parte do início da escola. Numa daquelas salas eu estudei. Quando eu olho, eu lembro de tudo”, comenta, enquanto caminha pelo espaço junto com a equipe do Lado B.
Hoje, Maria se afastou das funções administrativas, mas continua no local onde esteve por décadas. Para ela, a própria história foi escrita dentro dos muros do colégio para o qual dedicou toda a vida. “Eu faço parte bem grande dessa história”, finaliza.
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e Twitter. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.






