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Por que quem usa Mounjaro está arrotando com cheiro de ovo podre?

Apesar do incômodo, médica explica que efeito não aparece em todos os pacientes e não há risco à saúde

Por Clayton Neves | 25/03/2026 06:20
Por que quem usa Mounjaro está arrotando com cheiro de ovo podre?
O chamado “arroto do Mounjaro” tem descrições que vão de cheiro de enxofre a odor de “ovo choco”.

Quem usa o medicamento à base de tirzepatida, o famoso Mounjaro, tem relatado um efeito colateral no mínimo curioso e pouco discreto. Nas redes sociais, o chamado “arroto do Mounjaro” virou assunto, com descrições que vão do cheiro de enxofre odor de “ovo choco”.

Apesar do incômodo, a explicação existe e, segundo especialistas, não é motivo para pânico.

De acordo com a médica Mariana Vilela, o odor forte não tem relação direta com enxofre puro, mas sim com uma substância chamada sulfeto de hidrogênio, produzida naturalmente durante o processo digestivo.

“Esse arroto ruim, que a gente chama tecnicamente de eructação, pode acontecer sim com o uso tanto da tirzepatida quanto de medicamentos como a semaglutida”, explica.

A razão está no funcionamento do próprio remédio. A tirzepatida atua simulando hormônios intestinais, principalmente o GLP-1, que entre outros efeitos, desaceleram o esvaziamento do estômago. Na prática, a comida permanece mais tempo no canal digestivo, sendo processada por mais tempo.

“Quando esse alimento fica mais tempo no estômago, ele sofre ação das enzimas digestivas e acaba produzindo mais gases. Um desses gases é o sulfeto de hidrogênio, que tem esse cheiro característico”, detalha Mariana.

Por que quem usa Mounjaro está arrotando com cheiro de ovo podre?
Mariana Vilela é médica e especialista em tratamentos com tirzepatida. (Foto: Renan Kubota)

Ou seja, o mau cheiro pode até constranger, mas, segundo a médica, não representa risco direto à saúde. “Não é um sinal de alarme. O paciente pode ficar tranquilo”, reforça.

Ainda assim, nem todo mundo vai passar por isso. Segundo Mariana Vilela, a reação varia de pessoa para pessoa e depende da sensibilidade individual ao medicamento. “É algo muito particular. Tem gente que não sente nada, enquanto outros podem se incomodar bastante”, destaca.

Outro ponto importante é que não existe um tratamento específico para esse efeito colateral. Como ele está ligado ao próprio mecanismo de ação do remédio, não há como “bloquear” completamente o sintoma.

Mesmo sendo considerado um efeito leve, o uso da medicação exige atenção. A especialista alerta que, em casos mais intensos, a lentidão gastrointestinal pode evoluir para quadros mais sérios, como a gastroparesia, condição que pode até levar à internação.

“É um medicamento hormonal, da classe das incretinas, então precisa ser usado com acompanhamento médico. Apesar de ser seguro na maioria dos casos, existem riscos se não for bem monitorado,” finaliza.

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