Os brasileiros perseguidos no Paraguai criaram uma cidade no MS
A construção da hidrelétrica de Itaipu foi determinante para a expulsão de 9.000 famílias de brasileiros trabalhadores rurais para o Paraguai. A área inundada pela represa foi gigantesca: 100.000 hectares. Ao chegarem no país estranho, fruto de um tratado entre os governos do Brasil com o vizinho, sofreram todos os tipos de tormentos possíveis. Em verdade, o Paraguai não queria esses brasileiros despojados de suas terras. Sonhava em repetir um modelo utilizado algum tempo antes quando recepcionaram alemães egressos do Rio Grande do Sul.
As três cidades paraguaias construídas por alemães gaúchos.
No final do século XIX e no início do XX, foram fundadas colônias de descendentes de alemães, vinculados à Igreja Luterana do Brasil, que receberam os nomes de “Obligado”, “Hohenau” e “Encarnación”. De um desses enclaves, saiu Alfredo Stroessner, o ditador paraguaio por trinta anos. Essas colônias tiveram sucesso no “branqueamento” do Paraguai, como forma de criar riqueza e substituir os “indolentes guaranis” que se negavam a trabalhar nas parcas lavouras. Era esse modelo que o governo paraguaio almejava.
Brasileiros perseguidos.
A cada três meses, os brasileiros eram obrigados a renovar a permissão para permanecer em território paraguaio. Era caro e muitos não tinham condições de pagá-lo. A terra era fértil, produzia bem, mas os preços não compensavam. Não era incomum os proprietários das terras tomarem a totalidade da produção, usando violência. O comércio da região onde trabalhavam também lhes explorava, cobrava preços muito mais elevados que para os paraguaios. Quase todas as crianças ficaram sem estudar pois as aulas eram apenas em espanhol e os brasileirinhos eram recusados pela insuficiência linguística.
As sigilosas tratativas para o retorno.
Alguns lideres desses trabalhadores resolveram voltar ao Brasil. Começaram a dialogar com o governo de Brasília. As conversas eram sigilosas. Havia o receio de serem expulsos caso as tratativas fossem divulgadas. Finalmente, conseguiram trazerem de volta 800 famílias. Foram elas que criaram o município de Novo Horizonte do Sul, com terras adquiridas pelo governo de uma gigantesca fazenda, com mais de 80 mil hectares, denominada Someco. Curiosamente, no início, só aceitavam levar a essa terra quem tivesse menos de 60 anos e fosse casado.
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