Doença silenciosa ameaça cadelas e gatas e exige atenção rápida dos tutores
Infecção no útero pode evoluir sem sinais evidentes e já soma cerca de 30 atendimentos por mês em Campo Grande
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ina tranquila de um animal pode mudar de um dia para o outro. Discreta, mas agressiva, a piometra — infecção no útero de cadelas e gatas — avança quase sem aviso e, quando dá sinais, muitas vezes já está em estágio crítico.
A doença atinge principalmente fêmeas que não foram castradas e costuma surgir após o cio. Nesse período, alterações hormonais criam o ambiente ideal para a proliferação de bactérias dentro do útero, levando ao acúmulo de pus e ao risco de complicações graves.
Os primeiros indícios nem sempre chamam atenção: apatia, falta de apetite, febre, vômitos e um leve inchaço abdominal podem ser confundidos com problemas menos graves. Em alguns casos, há secreção vaginal com odor forte — sinal da forma “aberta” da doença. Já na versão mais perigosa, a “fechada”, não há qualquer secreção visível, o que dificulta o diagnóstico e acelera o agravamento.
Em Campo Grande, o alerta não é teórico. Dados da Superintendência de Bem-Estar Animal (Subea) apontam média de 30 casos por mês, número que reforça a urgência da prevenção e do diagnóstico precoce.
Um desses casos é o da cadela Shakira, de 3 anos. Após cerca de uma semana com inchaço abdominal e secreção, ela chegou à unidade em estado preocupante. O encaminhamento foi imediato para atendimento na UFMS, por meio de convênio com a Prefeitura, que garante suporte gratuito em situações de maior complexidade — incluindo cirurgia, exames e internação.
O tratamento para piometra não deixa espaço para alternativas: é cirúrgico. A retirada do útero e dos ovários precisa ser feita com rapidez para evitar que a infecção se espalhe e comprometa a vida do animal.
Prevenção começa antes dos sintomas
Mais do que tratar, o caminho mais seguro é evitar que a doença apareça. A castração é considerada a forma mais eficaz de prevenção, além de contribuir para o controle populacional e reduzir o risco de outras enfermidades reprodutivas.
Na Capital, a Subea oferece castração gratuita para cães e gatos de até 25 quilos. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira (exceto quartas), das 7h30 às 13h, com distribuição diária de 30 senhas — metade destinada a cirurgias e metade a consultas.
Para acessar o serviço, o tutor precisa apresentar cadastro atualizado no CadÚnico (últimos dois anos), comprovante de residência em Campo Grande e documento oficial com foto.
Sinal de alerta
Quando o comportamento muda, o silêncio pode ser perigoso. Em casos como a piometra, esperar pode custar caro — e, muitas vezes, irreversível.

