Fora dos holofotes, encontro revela potência da ciência cidadã de MS na COP15
Ministra Marina Silva e governador Riedel conhecem plataforma criada no Estado que mapeia fauna global

Enquanto os discursos oficiais dominavam a abertura da COP15, nesta segunda-feira (23), em Campo Grande, foi nos bastidores do evento que uma iniciativa sul-mato-grossense chamou atenção de autoridades e evidenciou a força da produção científica local.
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A COP15, em Campo Grande, foi palco de um importante reconhecimento da produção científica local. Durante o evento, a ministra Marina Silva e o governador Eduardo Riedel conheceram o trabalho de Leonardo Avelino Duarte, criador do Biofaces, maior plataforma colaborativa de registros de biodiversidade do Brasil. O encontro destacou a publicação do livro "Mamíferos não voadores do Pantanal e entorno", primeiro guia científico sobre espécies da região. A iniciativa coincide com avanços na política ambiental estadual, incluindo a Lei do Pantanal e o programa de Pagamento por Serviços Ambientais, que já destinou R$ 3 milhões a produtores rurais.
Em um encontro fora da plenária principal, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, foram apresentados a um amplo trabalho de mapeamento de fauna desenvolvido no Estado. A mediação foi feita pelo presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho.
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O destaque ficou por conta da trajetória de Leonardo Avelino Duarte, presidente da ONG Panthera no Brasil e criador do portal Biofaces — hoje considerado a maior plataforma colaborativa de registros de biodiversidade do país, baseada em ciência cidadã.
Durante a conversa, Leonardo entregou à ministra um exemplar do livro Mamíferos não voadores do Pantanal e entorno, obra que reúne registros inéditos e consolida o primeiro guia científico de referência voltado à catalogação de espécies da planície pantaneira. O material preenche uma lacuna histórica na literatura regional e fortalece o conhecimento sobre a biodiversidade local.
Ao tomar conhecimento da dimensão do projeto, o governador demonstrou surpresa ao descobrir que a principal plataforma brasileira de biodiversidade tem origem em Mato Grosso do Sul. “Não sabia disto. Você é detentor do maior site de fauna do Brasil”, comentou Riedel durante o encontro.
A descoberta ocorre em um momento estratégico para a política ambiental do Estado. Após a implementação da Lei do Pantanal, o governo estadual estruturou o PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), iniciativa que remunera produtores rurais pela conservação do bioma. Até agora, cerca de R$ 3 milhões já foram destinados a 40 produtores, e uma nova etapa do programa está com inscrições abertas.
Na cerimônia de abertura da COP15, Marina Silva destacou o simbolismo de Campo Grande sediar o evento às portas do Pantanal, descrevendo o bioma como um território de encontro da biodiversidade: “onde rios se tornam lagos, onde a floresta se abre em campos, onde aves do norte e do sul encontram pouso”.
Com 13 anos de existência, o Biofaces reúne milhares de registros de fauna de diferentes partes do mundo e se consolida como ferramenta estratégica para monitoramento ambiental. Segundo Leonardo Duarte, a plataforma permite mapear a ocorrência de espécies em diversos biomas, contribuindo para pesquisas, políticas públicas e ações de conservação.
Mais do que um encontro casual, a cena nos corredores da COP15 expôs um recado claro: parte das respostas para os desafios ambientais globais pode estar sendo construída, silenciosamente, a partir de iniciativas locais.

