Consumo dá sinal de retomada e confiança do campo-grandense cresce em março
Índice sobe, puxado pela melhora no mercado de trabalho, apesar de cautela no presente

Mesmo com o bolso ainda apertado no presente, o campo-grandense começa a olhar para frente com mais confiança — e isso já se reflete no comércio.
RESUMO
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Em março, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) subiu 0,5% e chegou a 109,7 pontos em Campo Grande, o melhor resultado desde abril do ano passado. Acima da linha dos 100 pontos, o índice indica um cenário de satisfação e disposição para consumir, ainda que com cautela.
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O avanço não veio por acaso. Ele é puxado, principalmente, pela melhora no humor em relação ao trabalho. A perspectiva profissional cresceu 3,7%, sinalizando que o emprego — ou a chance de melhorar nele — voltou a entrar no radar das famílias. Não por coincidência, mais da metade dos entrevistados (52,3%) afirma se sentir mais segura no trabalho do que há um ano.
Esse sentimento acaba abrindo espaço para planos que antes ficavam engavetados. A compra de bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis, também avançou (+1,3%), mostrando que, mesmo com cautela, o consumidor começa a se permitir pensar em investimentos maiores dentro de casa.
Por outro lado, o presente ainda pede freio. O consumo atual caiu 2,9%, evidenciando que a realidade financeira segue desafiadora para muitas famílias. É como se o campo-grandense estivesse segurando as rédeas hoje, mas já enxergando um caminho mais estável logo adiante.
A economista do IPF/MS, Regiane Dedé de Oliveira, resume esse momento de transição: há mais confiança no horizonte, especialmente puxada pelo mercado de trabalho, o que tende a movimentar o comércio de forma gradual nos próximos meses.
Outro sinal importante vem da base da pirâmide. Enquanto as famílias com renda mais alta seguem liderando o índice (122,2 pontos), ainda que com leve recuo, foram as famílias de menor renda que apresentaram crescimento na confiança. Isso indica que a recuperação, ainda que lenta, começa a se espalhar de forma mais ampla.
No fim das contas, o dado revela um consumidor que ainda pisa com cuidado, mas já não caminha com medo. E, para o comércio, essa mudança de postura costuma ser o primeiro passo para a retomada.

