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Infecção silenciosa pode matar até 88% e vira alvo de estudo em hospitais

Estudo com participação de Dourados tenta entender por que tratamento falha e aumenta risco de morte

Por José Cândido | 23/03/2026 17:29
Infecção silenciosa pode matar até 88% e vira alvo de estudo em hospitais
Pesquisa envolve coleta de amostras em hospitais para identificar fungos resistentes e melhorar o diagnóstico da aspergilose.

Um inimigo invisível, presente no ar, no solo e até dentro de ambientes hospitalares, tem mobilizado pesquisadores de diferentes regiões do país. A aspergilose — infecção causada por fungos do gênero Aspergillus — está no centro de um estudo nacional que busca melhorar o diagnóstico e entender por que, em alguns casos, o tratamento simplesmente deixa de funcionar.

RESUMO

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A aspergilose, infecção causada por fungos do gênero Aspergillus, é alvo de um estudo nacional que busca aprimorar diagnósticos e compreender casos de resistência ao tratamento. O Hospital Universitário da UFGD, em Dourados, integra a pesquisa que envolve hospitais de diferentes regiões do Brasil.A doença, que pode apresentar taxa de mortalidade de até 88% em casos de resistência medicamentosa, afeta principalmente pessoas com baixa imunidade e histórico de tuberculose. O estudo, financiado pelo CNPq, conta com 50 pesquisadores e visa melhorar protocolos de controle em ambientes hospitalares.

Em Dourados, o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) passou a integrar essa frente de investigação, que reúne hospitais de várias regiões do Brasil. A proposta vai além da pesquisa acadêmica: o foco é direto no paciente, especialmente aqueles mais vulneráveis, como pessoas com imunidade baixa, histórico de tuberculose ou internadas em UTI.

Quando o tratamento falha

O alerta principal do estudo está na resistência aos antifúngicos — medicamentos usados para combater a doença. Em alguns casos, o fungo não responde ao tratamento, o que pode agravar o quadro clínico.

Há situações em que a taxa de mortalidade pode chegar a 88% quando essa resistência é confirmada em laboratório. Esse dado coloca a aspergilose no radar de atenção da medicina, principalmente em ambientes hospitalares, onde pacientes já estão fragilizados.

Do laboratório ao leito

No HU-UFGD, a pesquisa será conduzida com coleta de amostras em diferentes setores do hospital — de ambulatórios a unidades de terapia intensiva. A ideia é identificar a presença do fungo, testar sua resistência e entender como ele circula nesses ambientes.

Além disso, o estudo também vai mapear outros micro-organismos presentes no hospital, analisando superfícies, água e até o ar. O objetivo é antecipar riscos, identificar possíveis surtos e melhorar protocolos de controle.

Impacto direto no SUS

Embora tenha base científica, o estudo tem aplicação prática imediata. Com diagnósticos mais precisos, médicos poderão definir tratamentos mais adequados e rápidos, o que pode fazer diferença no desfecho dos pacientes.

A aspergilose pulmonar crônica, por exemplo, pode atingir até 30% das pessoas que já tiveram tuberculose — um perfil comum em hospitais públicos de referência. Entender essa relação é essencial para evitar agravamentos silenciosos da doença.

Formação e ciência em rede

O projeto também envolve estudantes de graduação e pós-graduação, que participam da coleta de dados e análises laboratoriais. Ao todo, cerca de 50 pesquisadores integram a iniciativa, financiada pelo CNPq, dentro de um esforço nacional para enfrentar a resistência antimicrobiana.

A pesquisa será realizada simultaneamente em hospitais universitários de diferentes estados, conectando assistência, ensino e ciência dentro do SUS.

O que é a aspergilose

A doença é causada por fungos comuns no ambiente, especialmente em matéria orgânica em decomposição. A infecção ocorre pela inalação de esporos e afeta principalmente os pulmões.

Os sintomas incluem tosse persistente, falta de ar, febre e perda de peso. Apesar de não ser transmitida entre pessoas, o risco aumenta em ambientes com poeira, ventilação inadequada ou em pacientes com sistema imunológico comprometido.