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Política

PSDB encolhe em MS e vira palco de disputa interna por sobrevivência

Sem suas principais lideranças, partido tenta montar chapa sob pressão, exigências e ameaças de debandada

Por José Cândido | 18/03/2026 08:55


RESUMO

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O PSDB de Mato Grosso do Sul enfrenta uma grave crise após a saída de suas principais lideranças. O ex-governador Reinaldo Azambuja migrou para o PL e o atual governador Eduardo Riedel filiou-se ao Progressistas, deixando o partido em situação delicada no cenário político estadual. Em meio a disputas internas, o deputado federal Geraldo Resende condicionou sua permanência à presidência estadual do partido e à candidatura de sua filha, Barbara Resende, à Assembleia Legislativa. O partido, que já governou o estado por dois mandatos consecutivos, agora luta para manter sua relevância política e evitar novas deserções.

O PSDB de Mato

PSDB encolhe em MS e vira palco de disputa interna por sobrevivência
Geraldo Resende defende unidade no PSDB, nega crise interna e diz que foco deve ser a construção da chapa eleitoral no Estado.

O PSDB de Mato Grosso do Sul vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. Após anos como protagonista da política estadual, a sigla enfrenta agora um processo acelerado de esvaziamento que a reposiciona como coadjuvante no tabuleiro eleitoral.

A debandada das principais lideranças abriu um vácuo difícil de preencher. O ex-governador Reinaldo Azambuja migrou para o PL, enquanto o atual governador Eduardo Riedel se filiou ao Progressistas. Sem seus dois maiores nomes, o partido perdeu densidade política, estrutura de poder e capacidade de articulação.

O que restou foi uma legenda que tenta, agora, se reorganizar às pressas para não desaparecer do mapa eleitoral.

Sobrevivência com corda esticada

Nos bastidores, o clima está longe de pacificado. Parte dos que permaneceram no PSDB o fez por alinhamento histórico — e, em alguns casos, por pedido direto das lideranças que saíram, mas ainda exercem influência nos rumos do partido.

Ainda assim, o ambiente interno é de tensão constante.

Disputas pela presidência estadual, ameaças de saída e exigências por espaço nas chapas eleitorais se tornaram rotina. O partido, que antes distribuía poder, hoje negocia sua própria sobrevivência.

Exigências, reação e versão de Geraldo

Um dos casos mais emblemáticos é o do deputado federal Geraldo Resende. Insatisfeito com o cenário interno, ele chegou a abrir conversas com o PV e deixou claro que poderia deixar a sigla.

A permanência veio condicionada — ao menos na leitura de interlocutores do partido. Mas o próprio parlamentar contesta a versão de imposições e nega que haja um ambiente de crise irreversível.

“Não tem isso, tem gente querendo polarizar, tem vontade enorme de ver o circo pegar fogo. Quem quiser ficar… Mas quem está insatisfeito pode sair, pode aproveitar a janela partidária e sair”, afirmou.

Sobre a disputa interna pelo comando da sigla, Geraldo sustenta que não há novidade.

“Assumir a presidência é automático, eu sou vice-presidente e não estou disposto a renunciar.”

Candidatura da filha amplia ruído

Outro ponto de atrito interno é a possível candidatura da filha do deputado, Barbara Resende, à Assembleia Legislativa — movimento que gerou reação entre pré-candidatos do próprio partido.

Geraldo, porém, minimiza o desgaste e afirma que a decisão não passa por imposição.

“Ela não é filiada, mas vai filiar no partido que eu estiver. A disputa eleitoral é um desejo dela, e eu não interfiro na vontade dela.”

Para ele, a polêmica é artificial.

“Isso é um conflito na cabeça de quem quer mandar em tudo quanto é lugar.”

Nos bastidores, a estratégia de “dobradinha” — com o deputado buscando a reeleição à Câmara Federal e a filha disputando vaga na Assembleia — segue sendo vista com resistência por parte da base tucana.

Racha silencioso

A disputa por espaço evidencia um partido fragmentado, onde interesses individuais se sobrepõem à construção coletiva. O desconforto interno cresce à medida que o PSDB tenta montar uma nominata competitiva com menos força política e menor capacidade de atrair novos quadros.

Geraldo, por sua vez, defende foco no projeto eleitoral.

“Espero que a gente jogue nossa energia na construção da nominata, e não ficar digladiando.”

De protagonista a coadjuvante

O partido que já comandou Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos agora luta para manter relevância. A nova realidade impõe um desafio imediato: reorganizar suas bases, conter novas saídas e construir, quase do zero, um projeto eleitoral viável.

No tabuleiro político de 2026, o PSDB deixou de ser protagonista. E, diante do atual cenário, corre contra o tempo para não se tornar apenas figurante.