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Cidades

Despachante que ficou dois anos foragido fala à Justiça sobre fraude no Detran

Caso envolve a liberação irregular de veículos com restrições administrativas e foi descoberto em 2023

Por Lucia Morel e Ketlen Gomes | 30/01/2026 16:56
Despachante que ficou dois anos foragido fala à Justiça sobre fraude no Detran
O despachante David Cloky Hoffman Chita sendo conduzido para a audiência. (Foto: Renan Kubota)

O despachante David Cloky Hoffman Chita, que ficou dois anos foragido, participou da primeira audiência de instrução hoje na 3ª Vara Criminal de Campo Grande. Ele é acusado de ser líder de fraude no Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito) que envolve a liberação irregular de veículos com restrições administrativas.

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O despachante David Cloky Hoffman Chita, foragido por dois anos, participou de sua primeira audiência na 3ª Vara Criminal de Campo Grande. Ele é acusado de liderar esquema de fraudes no Detran/MS, envolvendo liberações irregulares de veículos com restrições administrativas. O caso veio à tona após denúncia de um servidor que identificou 29 liberações suspeitas em fevereiro de 2024. Além de Chita, também são réus a ex-servidora Yasmin Osório Cabral, em prisão domiciliar, e os despachantes Hudson Romero Sanches e Edilson Cunha Nogueira. O processo corre em segredo de Justiça.

Outros três réus foram ouvidos: a ex-servidora comissionada do Detran Yasmin Osório Cabral, que responde em prisão domiciliar; e os despachantes Hudson Romero Sanches e Edilson Cunha Nogueira. Também foram ouvidas testemunhas de defesa e indicadas pelo Ministério Público, responsável pela acusação. O processo corre em segredo de Justiça.

O esquema investigado envolve a liberação irregular de veículos com restrições administrativas no sistema do Detran/MS, mediante pagamento de propina. As fraudes foram identificadas após denúncia interna de um servidor, que apontou 29 liberações fora do padrão, feitas em fevereiro de 2024, utilizando seu login e senha, mesmo em dias em que ele não estava no órgão.

As baixas no sistema ocorreram em 9 e 15 de fevereiro daquele ano e se limitavam a registros genéricos como “OK VISTORIA”. A apuração interna chegou a um computador usado para 27 liberações indevidas em um único dia, que pertencia à servidora comissionada Yasmin. Foi identificado ainda que, um dia antes das fraudes, documentos de 25 veículos haviam sido baixados por David, além de Hudson e Edilson, todos ligados ao mesmo escritório de despachante.

Após a audiência, a defesa de Yasmin afirmou que ela nega participação nos fatos. Segundo os advogados Isabela Buchara e Celso Pajoro, há documentos e testemunhas que demonstram que a ex-servidora não praticou os atos atribuídos a ela. Eles destacaram que ainda há outras oitivas previstas e que a versão da defesa está nos autos. Yasmin foi presa em julho de 2024, mas obteve prisão domiciliar após descobrir gravidez poucos dias depois de ingressar no presídio.

Despachante que ficou dois anos foragido fala à Justiça sobre fraude no Detran
A ex-servidora do Detran, Yasmin Osório Cabral. (Foto: Renan Kubota)

O advogado de David, Mateus Tomazini dos Santos, disse que a defesa será feita exclusivamente no processo e negou a existência de qualquer negociação de delação premiada. Segundo ele, rumores externos têm atrapalhado o andamento do caso.

Questionado sobre o período em que o despachante permaneceu foragido, o advogado afirmou que havia receio relacionado à prisão e questões graves de saúde, que exigem uso contínuo de medicamentos. Disse ainda que a defesa já apresentou pedidos de habeas corpus, inclusive um recente, relacionado à realização da audiência.

Hudson Romero Sanches responde ao processo em liberdade, mas está submetido a medidas cautelares que o impedem de se aproximar do Detran ou atuar em procedimentos do órgão. O crachá funcional foi recolhido.

O advogado dele, Mikhail Monteiro afirmou que a defesa avalia de forma positiva o resultado da audiência e sustenta que não há provas de envolvimento do cliente. Segundo ele, das testemunhas ouvidas, apenas uma mencionou o nome de Hudson, sem atribuir crime.

A acusação aponta inserção de dados falsos no sistema e organização criminosa, mas a defesa argumenta que Hudson atuava como preposto e não tinha acesso ou função que permitisse cometer as fraudes descritas.

A defesa de Edilson Cunha Nogueira não se manifestou após a audiência.

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