MS já prendeu 23 bolivianos na "rota dos engolidores" que leva droga até SP
Trajeto sai da Bolívia, atravessa o Estado e segue para São Paulo explorando corpo de quem tem pouco a perder
Com apreensão recorde ontem, em apenas 21 dias de janeiro deste ano, o número de “mulas” do tráfico presas em Mato Grosso do Sul já representa 42% de todos os 58 casos registrados ao longo de 2024. Ao todo, 23 cidadãos bolivianos foram flagrados transportando cocaína ou derivados no estômago ou em mochilas, usando o transporte rodoviário como rota até São Paulo. A chamada “rota dos engolidores” sai da Bolívia, atravessa MS e segue para SP, explorando o corpo de quem tem muito pouco a perder.
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Delegada da Receita Federal em Corumbá, Tatiane Suhogusoff afirma que a ação realizada ontem na fronteira, com a prisão de 18 pessoas, representa um recorde histórico em todo o país, e não apenas na Alfândega de Corumbá. “Para dimensionar a evolução desse fenômeno criminoso: em todo o ano de 2024, foram registrados 58 casos de ‘engolidores’ na região; apenas em 2025, já foram contabilizados 23 casos até o momento”, disse.
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Apesar dos números expressivos, a delegada pondera que ainda não é possível falar em explosão de casos. “O que posso afirmar é que houve um aprimoramento significativo nas técnicas de fiscalização e na integração entre os órgãos de segurança”, afirma, citando investimentos em cães farejadores e a intensificação do monitoramento de ônibus irregulares.
Para ela, é provável que dois fatores estejam atuando simultaneamente: “um aumento real na utilização desse método criminoso e, ao mesmo tempo, uma maior capacidade de detecção por parte das autoridades”. A ação de ontem envolveu, além da Receita Federal, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Marinha do Brasil, PRF (Polícia Rodoviária Federal), Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Polícia Rodoviária Estadual e Polícia Militar.
Perfil – Bolivianos pobres, em situação de vulnerabilidade e que vivem em condições precárias são o principal alvo dos aliciadores. Segundo a delegada, “esse tipo de esquema costuma explorar pessoas em situação de fragilidade, oferecendo quantias que podem parecer significativas para quem está em extrema necessidade, mas que representam uma fração ínfima do valor final da droga”.
Sobre a ausência de brasileiros utilizados como engolidores, Suhogusoff avalia que moradores de Corumbá tendem a ser empregados em outras funções dentro da cadeia do tráfico e elenca três fatores para a priorização de cidadãos bolivianos: maior vulnerabilidade econômica, logística já estabelecida do lado boliviano e menor consciência sobre a severidade das leis brasileiras e as consequências penais.
Por fim, ela destaca a importância da cooperação internacional nessas ações, com “tratativas sobre investigações criminosas, identificação e responsabilização de agenciadores e desarticulação de redes”, realizadas em conjunto com a Polícia Federal.
Na operação de ontem, dos 18 presos, 17 haviam engolido cápsulas de droga. Cada um ingeriu aproximadamente 100 cápsulas, totalizando cerca de 1,1 quilo por pessoa. Os 17 bolivianos, 14 homens e três mulheres, permanecerão sob custódia da Receita Federal no Pronto-Socorro Municipal por um período de um a três dias, até a completa eliminação das cápsulas. Após o procedimento, todos serão encaminhados à Polícia Federal para as providências legais.
Paralelamente às apreensões de entorpecentes, o Ministério da Agricultura reteve cerca de duas toneladas de produtos de origem animal e vegetal transportados sem a documentação sanitária obrigatória, configurando mais uma frente de combate ao contrabando e às irregularidades no transporte interestadual.
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