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Capital

"Campo Grande não sobrevive sem tapa-buraco", diz secretário

Desde início do mês, 112 mil buracos foram tampados, em gasto mensal médio de R$ 6 milhões

Por Silvia Frias e Gennifer Valeriano | 31/03/2026 12:03
"Campo Grande não sobrevive sem tapa-buraco", diz secretário
Do lado esquerdo, a situação da Rua Marquês de Herval, ontem; do lado direito, o trabalho de tapa-buraco na via esta manhã (Fotos: Osmar Veiga)

Com 112 mil buracos tapados no primeiro trimestre do ano, o trabalho está longe de acabar. Só ontem, foram mais 2.052 fechados, um serviço é contínuo sem o qual a cidade entra em colapso, segundo o titular da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), Marcelo Miglioli. “Campo Grande não sobrevive hoje sem tapa-buraco”, afirmou.

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Campo Grande tapou 112 mil buracos no primeiro trimestre de 2025, com média de 2,3 mil reparos diários. O município gasta R$ 6 milhões por mês na operação, com R$ 18 milhões investidos no ano. O secretário Marcelo Miglioli afirma que a cidade não sobrevive sem o serviço e que a falta de drenagem agrava o problema. Mil quilômetros de vias ainda não têm pavimentação ou drenagem adequada.

A situação foi evidenciada ontem pelo Campo Grande News, que mostrou as condições da Rua Marquês de Herval, na região do Bairro Nova Bahia. Do alto, as imagens mostram o zigue-zague dos condutores para escapar dos buracos. (vídeo abaixo).

A autônoma Elizabeth Schmamez, de 48 anos, observava o trabalho da equipe. Ela relatou à reportagem prejuízos com os buracos. “Estava sendo bem complicado. Já estourei dois pneus nesses buracos”, disse. Segundo ela, o problema se agravou após o período de chuvas. “Antes de começar a chuvarada eles até tamparam, mas depois abriu tudo de novo”.

Já Fabíola Amidas, de 51 anos, afirma que a situação oferecia risco constante. “Ontem eu passei na buraqueira. Bom que estão arrumando, porque acontece muito acidente”. Ela diz que se preocupa principalmente com o filho, que usa moto, sobretudo no período da noite.

A aposentada Aparecida Ramires, de 67 anos, avalia que o serviço resolve apenas parcialmente. “O necessário aqui é passar uma camada de asfalto por cima. Há três meses tamparam e agora abriu tudo de novo”. Mesmo assim, reconhece que o tapa-buraco reduz riscos imediatos, principalmente em dias de chuva. “De bicicleta, você não vê o buraco por causa da água e pode cair”.

Inês Cabral, de 85 anos, afirma que a via já teve melhores condições. “Era muito boa essa rua. Agora virou isso”. Para ela, o período de estiagem deve ser aproveitado. “Tem que aproveitar a seca para consertar esses buracos”.

Crítico - O trabalho na Rua Marquês de Herval foi mais um dos centenas feitos na cidade. “Estamos em um momento crítico, muito defasados por conta do período da chuva, mas estamos restabelecendo a normalidade”.

Atualmente, o município gasta cerca de R$ 6 milhões por mês com a operação. Com reforço de recursos autorizado para março e abril, a produção diária chegou à média de até 2,3 mil reparos.

De acordo com o secretário, o avanço recente dos trabalhos só foi possível por conta da estiagem, que permitiu manter as equipes nas ruas sem interrupções. Desde o início do ano, a prioridade foi atender vias principais, corredores de ônibus e acessos aos bairros, pontos onde o desgaste do asfalto é mais crítico.

"Campo Grande não sobrevive sem tapa-buraco", diz secretário
Equipe tapou buracos na Rua Marquês de Herval esta manhã (Foto: Osmar Veiga)

O serviço é executado por oito equipes fixas, distribuídas por regiões da cidade, além de um grupo reserva para atendimentos emergenciais.

“Nós imaginamos que, em mais 30 ou 40 dias com esse tempo, a gente consiga avançar bastante no serviço de tapa-buraco”, diz Miglioli. Este ano, segundo ele, já foram investidos R$ 18 milhões no trabalho.

Com a melhora das condições climáticas, a prefeitura afirma que começa agora a avançar para dentro dos bairros, com frentes já em fase final em regiões como Chácara Cachoeira, Carandá Bosque e Guanandi, além de atuação em vias como a Rua Marquês de Herval.

Apesar da intensidade da operação, o secretário reconhece que a ausência de drenagem em parte da cidade agrava o problema. Áreas onde a água se acumula tendem a ter deterioração mais rápida do asfalto, o que exige retorno frequente das equipes aos mesmos pontos.

Campo Grande ainda tem cerca de mil quilômetros de vias sem pavimentação ou drenagem. Nos casos mais simples, como instalação de bocas de lobo ou pequenas redes, a prefeitura afirma que tem atuado. Já obras mais complexas dependem de recursos específicos e ainda não têm previsão.

A prefeitura também aposta em um novo contrato de recapeamento, já homologado, que deve ampliar a capacidade de intervenção nas vias mais críticas. A execução, no entanto, continua condicionada à disponibilidade financeira.

Miglioli diz que nenhum serviço será feito sem que haja previsão de drenagem, justamente para evitar erros passados e comprometer a qualidade da pavimentação.

“A gente não tem orçamento separado para drenagem, a gente tem um orçamento só onde a gente faz aquilo que o projeto determina de drenagem. Nós estamos fazendo todos os projetos com análise técnica e não financeira. Onde não há recurso para executar drenagem, nós não vamos fazer pavimentação”, afirmou.

Segundo Miglioli, o número de buracos cresce ano a ano, reflexo do envelhecimento da malha asfáltica. “Agora é olhar para frente e recuperar esse prejuízo”.






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