Caso Orelha mobiliza ato por punições mais severas contra maus-tratos a animais
Manifestação em Campo Grande reuniu protetores e veterinários mesmo sob chuva
Mesmo sob chuva, manifestantes se reuniram neste domingo (1º), na Praça do Rádio Clube, em Campo Grande, para pedir justiça pela morte do cão comunitário Orelha, caso que ganhou repercussão nacional, e para cobrar medidas mais duras contra maus-tratos e abandono de animais. O ato foi organizado pelo SindiVet-MS (Sindicato dos Médicos Veterinários de Mato Grosso do Sul) e pelo movimento Lute Vet.
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Para a presidente do sindicato e liderança do movimento nacional, Nathália Cordoba, de 29 anos, a mobilização vai além de um episódio isolado. “A gente se solidarizou porque foi um acontecimento brutal, com alta repercussão, mas não é um caso isolado. Isso acontece todos os dias e é abafado”, afirmou.
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Segundo ela, o caso de Orelha foi usado como catalisador para dar visibilidade à causa animal e à realidade dos animais em situação de rua. “Somos um movimento trabalhista, mas não tinha como não se posicionar diante disso”, completou.
Vice-presidente do SindiVet-MS, James Barbosa Andrade, de 43 anos, disse que Campo Grande convive com ocorrências frequentes de maus-tratos. “Aqui na nossa cidade, vemos animais feridos, vítimas de abandono e violência. O que muda nesses casos é a visibilidade”, disse.
Para ele, ainda persiste uma visão ultrapassada sobre o valor da vida animal. “Existe o pensamento de que ‘já morreu, compra outro’. Isso precisa mudar. O bem-estar animal é um direito”, afirmou.
A presidente do Projeto Mi Pets Resgate Animal, Mariley Romero, de 60 anos, que atua como voluntária há mais de duas décadas, descreveu um cenário de sobrecarga. “Todo dia a gente resgata, trata e tenta dar conta. É enxugar gelo”, disse.
Ela relatou que o trabalho é feito além das possibilidades financeiras e emocionais dos voluntários. “Todos nós estamos lotados. O que aconteceu com o Orelha acabou juntando todo mundo”, afirmou, destacando que mantém sob seus cuidados dezenas de animais.
As irmãs gêmeas Nicoly e Giovanna Rolon Barreto, ambas de 21 anos e estudantes de veterinária, disseram que a repercussão do caso de Orelha reforçou a necessidade de punições mais efetivas.
“Muitos crimes não são punidos como deveriam. A gente busca justiça, leis mais fortes e penas mais severas”, afirmou Nicoly. Para ela, a prevenção passa por atenção cotidiana. “Às vezes, ao lado da nossa casa, um animal sofre e ninguém se importa”, disse.
Giovanna citou um caso recente em Campo Grande para defender fiscalização mais rigorosa. “Isso poderia ser evitado com fiscalização e atuação efetiva. Muitas vezes a denúncia vira só uma conversa”, afirmou, ao defender respostas mais firmes do poder público diante de suspeitas de maus-tratos e abandono.
Durante o ato, participantes reforçaram que a mobilização não se limita a um caso específico. O pedido é por leis mais rígidas, fiscalização contínua e políticas públicas que enfrentem o abandono, problema recorrente na Capital. Cartazes e falas pediam responsabilização dentro da lei e proteção efetiva aos animais.
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