Chiquinha, Frajola e outros: Campo Grande tem cerca de 590 animais comunitários
Programa da Subea reúne cães e gatos cuidados coletivamente em bairros da Capital

Nos últimos dias, centenas de brasileiros se comoveram com a história de Orelha, o cão comunitário que foi morto por adolescentes na Praia Brava, em Santa Catarina. O choque tem alento na ação de outros cidadãos, preocupados com o bem estar dos pets. Em Campo Grande há, pelo menos, 590 animais comunitários , entre cães e gatos cadastrados na Subea (Superintendência de Bem-Estar Animal).
RESUMO
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O programa de animais comunitários em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, conta atualmente com 64 cadastros oficiais na Superintendência de Bem-Estar Animal (Subea). O serviço oferece assistência veterinária completa, incluindo microchipagem, vacinação e castração para cães e gatos que vivem em espaços públicos sob cuidados compartilhados da comunidade. Entre os casos de sucesso está o gato Frajola, primeiro animal comunitário oficialmente registrado na capital, que vive em um condomínio sob os cuidados de sete famílias. Sua história contribuiu para a regulamentação municipal da lei do animal comunitário, publicada em março de 2022, e inspirou um projeto de lei federal sobre o tema.
No entanto, esse número tende a ser ainda maior, pois há animais com tutela compartilhada por comunidades que não estão cadastrados no programa. Além disso, existem locais registrados pela Subea que atendem mais de um animal.
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De acordo com a Subea, em 2025 foram feitos seis novos cadastros, com predominância de felinos em relação a cães. O programa oferece consulta veterinária, microchipagem, vacinação e castração aos animais comunitários registrados. A superintendência informou que não dispõe de um levantamento preciso sobre quantos animais vivem em cada local cadastrado.
Entre os exemplos positivos está a gata Chiquinha, mascote de uma clínica veterinária em Campo Grande. Vítima de maus-tratos ainda filhote, ela chegou ao local em estado grave, precisando de cirurgia e cuidados intensivos. Após tentativas frustradas de adoção, a equipe decidiu mantê-la definitivamente na clínica, onde recebe atenção diária, acompanhamento veterinário e cuidados contínuos.

“A Chiquinha é oficialmente a nossa mascote, mas na prática, ela acaba sendo a ‘gerente’ do centro. Ter ela com a gente é um alívio diário. Existe um sentimento muito forte de saber que, de alguma forma, nós salvamos a vida dela e hoje ela está bem porque recebe cuidados constantes. Ela faz parte da rotina, da equipe e do ambiente. A presença dela traz acolhimento e cria um vínculo afetivo muito forte,” relata a equipe. Apesar de ser cuidada coletivamente, a Chiquinha não é registrada como animal comunitário por viver em ambiente particular e não em espaço público.
No bairro Nova Campo Grande, a servidora pública Luzia Barbosa Teixeira de Mello, de 57 anos, cuida de quatro gatos comunitários: Rajadinho, Frajola, Fumaça e Faísca. Eles começaram a aparecer em 2021 e, desde então, passaram a receber alimentação adequada, vermifugação, vitaminas e atendimento veterinário.
Outros quatro animais que viviam no local já foram doados, todos castrados. Luzia participa do programa da Subea desde 2022, e não tem apoio dos vizinhos para cuidar dos animais, mas eles são considerados comunitários por viverem fora de sua residência e se alimentarem apenas no local. “Algumas pessoas já reclamaram, mas eles não mexem no lixo porque estão sempre bem cuidados. A Subea sempre me atendeu”, afirma.
Outro caso emblemático é o do gato Frajola, reconhecido como o primeiro animal comunitário oficialmente registrado em Campo Grande. Ele vive em um condomínio da Capital e é cuidado por cerca de sete famílias, que se revezam na alimentação e nos cuidados de saúde. O animal tem casinha em área comum, usa coleira com rastreamento e não sai do condomínio. As unhas são mantidas aparadas para evitar danos.
“O animal comunitário não é só comida e água. Tem deveres, como cuidados veterinários e respeito aos moradores”, explica Pablo Chaves, corretor de imóveis e especialista em direito animal.

Segundo Pablo, o caso do Frajola teve repercussão judicial e ajudou a impulsionar a regulamentação municipal da lei do animal comunitário, que já existia, mas não era aplicada na prática. Após a vitória judicial que garantiu a permanência do gato no condomínio, o tema ganhou visibilidade nacional e inspirou a apresentação de um projeto de lei federal, protocolado em 2023, que busca regulamentar os animais comunitários em todo o país. A proposta, no entanto, não avançou no Congresso.
A regulamentação do Animal Comunitário foi publicada no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) em março de 2022. A iniciativa está prevista na Lei Complementar n° 395, de 1° de setembro de 2020, e regulamentada no Decreto n° 15.147. O objetivo é regularizar a existência de cães e gatos de vida livre, que mantenham uma relação de afeto e dependência com tutores voluntários membros de comunidades.
Os interessados em se cadastrar no programa podem se inscrever através de formulário no site da Subea e enviar para o e-mail gerenciavet.subea@segov.campogrande.ms.gov.br, ou presencialmente na sede do órgão, que fica na Rua Rui Barbosa, 3538, bairro Vila Alta. Há uma série de critérios e etapas estabelecidas pela pasta para efetivar o cadastro, como ter no mínimo dois tutores obrigatórios para os animais.
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