Com jeito de interior, bairro foi povoado por quem sonha com casa própria
Na entrada da Capital, Jardim Inápolis surgiu há mais de 50 anos e ainda vive com ruas de terra
Com a tranquilidade que somente uma cidade do interior possui, o Jardim Inápolis, na entrada de Campo Grande, caminha a passos lentos rumo à urbanização. Parte dos moradores relata que vive no bairro porque nasceu ali há mais de 40 anos. Outros se mudaram atraídos pelo sonho da casa própria, pelo valor abaixo do mercado e pela impressão de que a região seria um bairro em crescimento.
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O Jardim Inápolis, localizado na entrada de Campo Grande, mantém características de interior, com ruas de terra e terrenos desocupados, mas atrai moradores em busca de casa própria a preços acessíveis. A região, que ainda carece de infraestrutura básica, como posto de saúde e escola, tem visto um crescimento lento, impulsionado pela instalação de empresas e pela valorização imobiliária. Moradores antigos destacam a tranquilidade do bairro, enquanto novos residentes esperam por melhorias que acompanhem o desenvolvimento da cidade. Apesar das dificuldades, muitos veem no Inápolis uma oportunidade de mudança de vida.
Ruas de terra, terrenos desocupados e algumas poucas casas em construção compõem a paisagem. A esperança de muitos é de que o Jardim Inápolis “vingue”, com a chegada de um posto de saúde para atender centenas de moradores, um atacadista próximo para baratear os custos com alimentação e uma escola que atenda crianças e adolescentes.
Há cinco anos, em plena pandemia de covid-19, um apartamento no Jardim Inápolis foi a chance para Kamila Rodrigues Lima, de 40 anos, sair do aluguel e conquistar um espaço para viver com os filhos, hoje com 16, 15 e 6 anos. Naquele período, o mundo lidava com um vírus para o qual ainda não havia vacina, e a doença vitimou o marido de Kamila.

“Por acaso, vi uma pessoa anunciando o apartamento pelo exato valor que eu tinha guardado. Como era pandemia, eu não tinha o que fazer. Estava com ansiedade, depressão e lidando com a morte do meu marido [...] Eu vim com tudo o que eu tinha e gosto do bairro”, contou.
Segundo Kamila, o bairro é tranquilo. “Aqui tem ar de interior, porém precisa de melhorias e acompanhar o crescimento de Campo Grande. Não dá para ficar estagnado”, comentou a moradora. Na época, Kamila pagou R$ 20 mil pelo imóvel. Cinco anos depois, apartamentos no mesmo residencial estão sendo vendidos por até R$ 150 mil, mostrando que a região passou por valorização.
Dados do Creci-MS (Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 14ª Região), de 2024, apontavam que o metro quadrado mais barato de Campo Grande estava no Jardim Inápolis. A região possui botecos, duas lojas de materiais de construção e uma Emei (Escola Municipal de Educação Infantil), inaugurada em 2024 após ter ficado 18 anos com a obra paralisada.
Confira a galeria de imagens:
Morador da região há 40 anos, Antônio Aparecido Laureano relata que, quando se mudou para o Inápolis, era possível contar a quantidade de casas. As crianças se encontravam para jogar futebol e, até hoje, mantêm a tradição. “Na sexta-feira e no sábado nós jogamos. Temos um grupo de veteranos aqui do bairro e juntamos umas 60 pessoas. Apesar de o bairro ter crescido, a gente ainda se reúne para a resenha”, contou.
Segundo Antônio, o bairro cresceu junto com a instalação de novas empresas na região. Na época, a família pagou 300 cruzeiros pelo terreno. “Hoje dá para encontrar terreno por 80 mil ou 100 mil reais, dependendo de quem está vendendo”, disse.
O comerciante Xavier Joaquim dos Santos, de 58 anos, contou que abriu um pequeno mercado há cinco anos para o filho administrar. No entanto, como o rapaz decidiu seguir outro caminho, ele assumiu o comércio para não ficar no prejuízo. Diariamente, Xavier percorre quase 15 quilômetros do Bairro Panamá até o Inápolis para abrir o mercado. Na opinião dele, o bairro ainda vai crescer.

“Um conhecido meu falou que devem sair, em média, 150 casas por ano aqui no Inápolis. Tem muitas quitinetes que funcionam como aluguel temporário, enquanto os trabalhadores ficam na indústria por seis meses ou um ano”, afirmou. Segundo ele, apesar do movimento ser pequeno, o lucro ao final do mês é suficiente para pagar as contas.
Iludidos pela ideia de que o Jardim Inápolis seria um bairro novo e promissor, o casal Rosângela Bispo da Silva, de 39 anos, e José Augusto dos Santos, de 54, se mudou para a região em 2016. Antes, eles moravam de favor no Jardim Aeroporto com dois filhos. Ao encontrarem a casa onde hoje vivem à venda, viram um bairro com poucas casas e muitos terrenos vazios e imaginaram que aquela seria uma oportunidade de mudar de vida.
Além da casa, o casal montou uma loja de materiais de construção que, segundo José Augusto, tem pouco movimento. “Muita gente compra terreno por aqui e não consegue pagar. Aqui é muito tranquilo, mas o bairro não desenvolve. Não tem mercado grande, escola nem posto de saúde. Para tudo, a gente depende do Indubrasil”, disse.
Segundo Rosângela, o bairro é esquecido. “Estou há uns três anos tentando vender. Coloquei nas redes sociais. As pessoas até se interessam, mas quando descobrem que é no Jardim Inápolis desistem. Ninguém quer vir para cá”, afirmou.
O comerciante Mauro Correia, de 44 anos, nasceu e foi criado no Jardim Inápolis. Proprietário de uma loja de materiais de construção e de um mercado na rua mais movimentada do bairro, ele afirma que a região tem apresentado crescimento nos últimos anos. Segundo Mauro, atualmente o local reúne mais de 120 empresas.
Morador antigo da região, ele lembra que, quando nasceu, a área era formada por chácaras e poucas casas. “Aqui era praticamente só chácara. As casas começaram a surgir depois, conforme as empresas foram se instalando”, contou.
Segundo ele, o Jardim Inápolis tem mais de 50 anos de existência e, mesmo assim, ainda sofre com a falta de infraestrutura. “É um dos bairros mais antigos de Campo Grande e continua muito esquecido, mesmo estando dentro de um polo industrial”, afirmou.
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