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Capital

Condutor que causou morte em racha recebe pena de 9 anos de prisão

Willian respondeu pelos crimes de homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa

Por Gustavo Bonotto e Bruna Marques | 03/04/2025 17:28
Condutor que causou morte em racha recebe pena de 9 anos de prisão
Willian Abbade sentou no banco dos réus durante a tarde desta quinta-feira (3). (Foto: Marcos Maluf)

Tribunal do Júri condenou, na tarde desta quinta-feira (3), Willian Goes Abbade a 9 anos de prisão por ferir cinco pessoas e causar a morte da jovem Roberta Costa Coelho em um acidente de trânsito. O caso aconteceu em 2022, quando o réu dirigia embriagado e em alta velocidade na Avenida Júlio de Castilho, região do Bairro Vila Alba, em Campo Grande.

Conforme os autos processuais, Willian dirigia um Ford Ka durante um suposto racha na avenida que terminou em um grave acidente. A decisão foi tomada após júri popular na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Campo Grande. Durante o julgamento, os jurados decidiram pela desclassificação do crime de homicídio doloso (quando há intenção de matar) para homicídio culposo na direção de veículo automotor.

Ao juiz, Wilian, que é supervisor de atendimento a crianças autistas, contou que saiu aquele dia para que duas amigas fizessem às pazes. "Eu ofereci carona e tinha intenção só de deixar eles na casa dela e ia embora para casa. Eu perdi o controle, assustei com a mudança de faixa pq ele [Olliver] ia virar para a Yokohama e depois voltou. Não tirei racha e ele não me chamou para racha".

Dessa forma, Willian foi condenado por homicídio culposo qualificado e por lesão corporal culposa contra cinco vítimas. Além da pena de prisão, ele teve a habilitação suspensa e foi proibido de obter nova permissão para dirigir.

Condutor que causou morte em racha recebe pena de 9 anos de prisão
Automóvel ficou completamente destruído ao bater em poste. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Contou, ainda, que não conhecia Roberta, mas que ela havia chamado para beberem na casa dela depois da tabacaria. "Eu não tinha intenção de matar ninguém. Até porque não tem muito sentido, eu não conhecia as outras pessoas", afirmou. "Tive traumatismo craniano, o cérebro inchou. Eles abriram minha cabeça e fiquei em coma. Quebrei a mão, dedos, punho. Coloquei pino. Já fiz mais de 100 sessões de fisioterapia, mas minha mão não fecha e não posso pegar peso", completou.

Olliver, mecânico de motos, afirmou que estava indo embora para casa na companhia de um amigo naquele dia. "Passamos no radar a 30 km na Júlio de Castilho, quando encostou esse Ford Ka. Não conhecia ninguém. Meio que ficou um pouco na nossa frente. Aí eu acelerei um pouco, encostamos do lado como se fosse parar. E o pessoal perguntou, onde é o after? Como estava cheio de meninas, eu olhei para o meu amigo e falei e 'lá para casa'. Depois, larguei mão", lembra.

"Eu segui a Júlio quando olhei no retrovisor pra virar na Yokohama dei seta, mas ele estava muito rápido e dei uma segurada para esperar ele passar. Ele não conseguiu fazer a curva e eu passei devagar do lado. Desci, fui até a esquina e já tinha três ambulâncias e duas viaturas da polícia".

Olliver nega o racha. "Passei no sinal vermelho era de madrugada. Diminuía e depois passava. Não tinha bebido naquela noite, eu estava tomando antibiótico tinha recém quebrado minha perna. Em nenhum momento chamamos para fazer racha. Depois do acidente, a gente voltou lá e fiquei refletindo se voltava ou não. A gente não sabia o que fazer, porque eu não tinha habilitação. Tinha pegado o carro do meu pai escondido. Não voltei lá com o carro com medo de apreenderem".

Denúncia - De acordo com a denúncia, no dia do acidente, Willian e o outro réu, Olliver Siebra, estavam disputando um racha em uma das principais avenidas da cidade. O velocímetro do carro de Willian travou em 100 km/h no momento do impacto, sendo que o limite permitido no local era de 60 km/h.

Ele também admitiu ter ingerido ao menos quatro latas de cerveja antes de dirigir. Testemunhas afirmaram que os veículos estavam em alta velocidade e não respeitaram a sinalização de trânsito.

Olliver respondia por omissão de socorro, disputa automobilística e condução de veículo sem habilitação. No entanto, como o júri desclassificou os crimes atribuídos a Willian, as acusações contra Olliver também foram desconsideradas. O rapaz foi condenado a um ano e seis meses de detenção e teve a CNH suspensa.

Willian cumprirá pena em regime fechado e não poderá converter a prisão em penas alternativas, devido à gravidade do caso e ao número de vítimas. O advogado de defesa afirmou que recorrerá da decisão.

Condutor que causou morte em racha recebe pena de 9 anos de prisão
Roberta, jovem que morreu em acidente na Avenida Júlio de Castilho. (Foto: Direto das Ruas)

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