ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram
ABRIL, SEXTA  04    CAMPO GRANDE 26º

Artes

Ana trocou faxina por pincéis e descobriu seu talento nas cabaças

Artesã começou a fazer as peça no improviso, há mais de 20 anos, desde então nunca mais parou

Por Natália Olliver | 04/04/2025 08:46
Ana trocou faxina por pincéis e descobriu seu talento nas cabaças
Artesã Ana Maria Sena Molinari trocou os serviços domésticos pela cabaça (Foto: Arquivo pessoal)

Há mais de 20 anos, Ana Maria Sena Molinari, descobriu na cabaça uma chance de sair dos serviços domésticos. O fruto entrou na vida da artesã de maneira inusitada e nunca mais saiu. Quando ela conta sobre o que fazia antes do artesanato é quase como se falasse de uma outra vida, de uma Ana Maria que não conhecia ainda a verdadeira vocação.

A primeira peça foi motivo de festa, mas Ana admite que o resultado ficou horrível. Na época ela usou durepox para fazer o que se faz com biscuit. Ela nunca fez curso, queria o desafio de aprender uma coisa nova sozinha.

“Eu não sabia nada, fiz uma galinhazinha feinha, fazia biquinhos com durepox. Era feia e eu achava lindo. Aí fui aprimorando. Na minha família tinha uma tia que fazia bichinhos na madeira e eu admirava muito ela, talvez seja dai a ideia. Quando eu conheci a cabaça eu achei que era de comer, aí um amigo falou que com isso eu fazia artesanato. Eu tinha 30 anos e comecei a fazer vasinhos, galinhas pintadinhas e corujas. Hoje sou apaixonada por cabaça”.

Ana trocou faxina por pincéis e descobriu seu talento nas cabaças
Ana trocou faxina por pincéis e descobriu seu talento nas cabaças
As peças da artesã são feitas apenas com cabaças e biscuit (Foto: Arquivo pessoal)

A vida antes da cabaça era diferente para ela, que já se aventurou por outros ramos antes de achar algo que ela gostasse de verdade. Ana chegou a ser cabeleireira, mas quando descobriu o fruto a história mudou.

“Antes de ser artesã eu era doméstica e comecei a cortar cabelo. Fiz um curso e tudo. Quando descobri a cabeça deixei de ser cabeleireira. Eu adorei, porque isso eu faço a hora que eu quero. Mexer com tinta, massinha de biscuit é diferente”.

Hoje com o que ganha ainda não é possível sobreviver apenas do artesanato, mas ela largou as faxinas pelos pincéis de vez e conta com ajuda do marido para complementar a renda de casa.

“O artesanato não é tão valorizado ainda. Hoje eu vejo que leva tempo para a gente ter um reconhecimento. As pessoas aparecem quando querem dar presentes, vejo que elas gostam de verdade das peças porque eu procuro fazer uma que não vai estragar, que vai ter durabilidade. Sou bem exigente nisso".

Ana trocou faxina por pincéis e descobriu seu talento nas cabaças
Confecção é feita na casa de Ana Maria, mas o sonho é abrir um loja no futuro (Foto: Arquivo pessoal)

Ela também trabalha com outros materiais, como a folha de coqueiro e os chinelos bordados. A loja ainda não aconteceu mas é um desejo dela para o futuro.

Artesanato significa a cura. Às vezes tô sem fazer e vou me distrair com as cabaças. Isso é a minha terapia. Eu não consigo viver sem o artesanato”.

Ana revela que passou a indicar a arte em cabaças para mulheres que estão na menopausa. Para ela, isso é o segredo de uma boa noite de sono, do ânimo  no dia a dia  da esperança.

“Eu falo pra pessoa, a maioria é dona de casa e aposentada, que ela precisa aprender a fazer alguma coisa, algo pra se ocupar”. Ana Maria explica que as cabaças são suas grandes aliadas e uma verdadeira paixão. Elas podem ser decorativas, recipientes para água ou cachaça.

Preocupada com o futuro do fruto, ela espalha sementes nas estradas de Mato Grosso do Sul para que nunca falte material. "Eu tomo muito cuidado pra cabaça não acabar porque jogo as sementes por aí nas estradas. Tem gente que tem medo da concorrência mas eu não. Já cheguei a perder boas oportunidades por falta de conhecimento".

Confira a galeria de imagens:

  • Campo Grande News
  • Campo Grande News
  • Campo Grande News
  • Campo Grande News
  • Campo Grande News

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e Twitter. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.

Nos siga no Google Notícias