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Capital

“Ele falou que ia beber nosso sangue”, dizem presos por matar rapaz esfaqueado

Guilherme e Murilo confessaram assassinato na Vila Marli, mas alegaram legítima defesa

Por Ana Paula Chuva | 22/02/2026 16:55
“Ele falou que ia beber nosso sangue”, dizem presos por matar rapaz esfaqueado
Guilherme chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital (Foto: Reprodução | Facebook)

Os dois presos por matarem Guilherme Soares dos Santos afirmaram que agiram em legítima defesa após serem ameaçados pela vítima. O crime aconteceu na madrugada deste domingo (22) na Rua Generoso Leite, Vila Marli, em Campo Grande e Murilo Oliveira Coelho e Guilherme Henrique Alves Leiria Ferreira, ambos de 19 anos, foram presos.

RESUMO

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Dois jovens de 19 anos foram presos em Campo Grande após matarem Guilherme Soares dos Santos na madrugada de domingo (22). Os suspeitos, Murilo Oliveira Coelho e Guilherme Henrique Alves Leiria Ferreira, alegam legítima defesa após serem ameaçados pela vítima devido à cor de seus cabelos. Segundo os depoimentos, a vítima os acusou de pertencerem ao Comando Vermelho e fez ameaças de morte. Durante o confronto, Murilo desferiu diversas facadas em Guilherme, que foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos, vindo a óbito por volta das 9h55 no hospital Santa Casa.

Em depoimento, Murilo relatou que Guilherme há uns dias acusou ele e o outro rapaz de serem integrantes do CV (Comando Vermelho) por conta da cor do cabelo de ambos. Nessa madrugada, o rapaz retornou à residência e então ameaçou matar os dois.

“Ele já chegou julgando nosso cabelo, falei que a gente não era de facção nenhuma só achava bonito. Ai ontem essa madrugada ele veio novamente, nós estávamos bebendo lá em casa e ele falou que nós era do Comando Vermelho. Falei que ia cortar nossa cabeça e tomar nosso sangue que o PCC tinha mandado ele lá em casa”, declarou Murilo ao delegado Felipe Rossato.

Segundo a versão do rapaz, a vítima estava do lado de fora da casa e ficou chamando os dois até que ele decidiu sair. “A porta já dá direto na rua. Ele estava lá fazendo barulho, disse que tinha espancado um mano por causa de cabelo vermelho. Peguei a faca dentro de casa mesmo. Ele me mordeu, tô todo mordido. Eu fui e dei as facadas nele”, afirmou.

Ao delegado, Murilo alegou não se lembrar de quantas facadas deu na vítima, porém afirma que todas ocorreram enquanto ele estava em pé e que, no momento em que Guilherme parou com as agressões, fugiu com o irmão.

“Ele levantou, sentou e nós fomos embora. Eu só me defendi, não foi nada de emoção. Eu me defendi. Fui eu quem deu as facadas nele, ele me agrediu” finalizou.

Guilherme confirmou a versão da defesa. Ao delegado, o rapaz contou que já havia vendido bebida alcoólica para a vítima dias antes e foi questionado sobre a cor do cabelo. Nesta madrugada, o rapaz voltou à casa do autor e então fez as ameaças.

“Ele foi lá acusando a gente de ser do CV por causa do cabelo, disse que ia cortar nosso pescoço e beber nosso sangue. Eu dei um murro na boca dele e fui levando ele para a rua, foi quando ele sacou uma faca e eu fui mais ligeiro. Meu irmão chegou e se envolveu. Infelizmente ele falou umas caminhada desagradável e nós não aceitou”, disse o rapaz.

Caso - Segundo o boletim de ocorrência, equipe da Polícia Militar foi acionada após denúncia de que havia um homem caído ao solo com ferimentos de arma branca e sangramento intenso.  Testemunha relatou que viu dois indivíduos com os rostos cobertos fugindo logo após o ataque.

No local do crime, a Perícia recolheu uma faca quebrada, com cabo e lâmina encontrados separados,  uma bicicleta e um celular danificado. A vítima apresentava diversas perfurações e ainda estava consciente quando foi socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhada à Santa Casa.

Equipes do GOI (Grupo de Operações e Investigações) identificaram os suspeitos por meio de imagens e informações repassadas anonimamente. Foram presos Guilherme Henrique Alves Leiria Ferreira, de 19 anos, ajudante de estoquista, e Murilo Oliveira Coelho, de 19 anos, auxiliar de serviços gerais.

Os policiais estiveram na casa de Guilherme e no local encontraram os dois rapazes que confessaram o crime. Eles receberam voz de prisão e foram levados para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol.

Ainda conforme o registro policial, a equipe esteve no hospital, mas por conta da gravidade dos ferimentos, Guilherme não conseguiu prestar depoimento posteriormente. Por volta das 9h55 ele acabou não resistindo aos ferimentos e morreu.