Esquema para abastecer presídio com celulares e drogas pagava propina a servidor
Gaeco cumpre 35 mandados de prisão e 24 de busca contra integrantes da facção

Esquema montado para levar drogas e celulares para dentro do presídio em Campo Grande levou à realização da Operação “Pombo Sem Asas” na manhã desta quarta-feira. A investigação mostrou que integrantes de uma facção criminosa nacional organizavam, de dentro do Presídio de Segurança Máxima, no Jardim Noroeste, a entrada de materiais proibidos por meio de arremessos feitos do lado de fora dos muros, com ajuda de pessoas em liberdade e a participação de um servidor público que recebia propina.
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O nome do funcionário ou função não foram divulgados. No local, cerca de 70 pacotes foram apreendidos com produtos ilícitos, além de balanças, celulares e acessórios de comunicação.
Segundo as apurações, o grupo planejava o envio de pacotes com entorpecentes e aparelhos celulares para dentro do complexo penitenciário da Capital. Esses volumes, chamados pelos próprios criminosos de “pombos”, eram jogados por cima dos muros ou enviados com uso de drones. Para que isso acontecesse, um servidor que fazia a vigilância externa nas torres do presídio recebia dinheiro para permitir a entrada dos materiais.
Imagens captadas durante a investigação, mostram arremessos e um dos responsáveis pelo esquema resgatando o material.
As apurações apontaram que os detentos organizavam toda a logística do esquema de dentro da prisão, definindo horários e locais para os arremessos. Do lado de fora, integrantes da organização executavam a entrega dos pacotes e mantinham contato com os presos para garantir que os itens chegassem até eles.

Além de abastecer os detentos, o grupo também movimentava dinheiro do tráfico usando contas bancárias próprias e de outras pessoas. Parte desses valores era usada para pagar propina e manter o funcionamento da facção dentro do sistema prisional. O levantamento também indica que a rede criminosa organizava o envio de drogas para outros estados.
A Operação “Pombo Sem Asas” foi realizada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Ao todo, a Justiça autorizou 35 prisões preventivas e 24 buscas em casas e outros endereços, cumpridas em Campo Grande e também nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
A investigação contou com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Gerência de Inteligência Penitenciária da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário). As ações tiveram ainda participação de equipes da Polícia Militar, como o Batalhão de Choque, o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e forças táticas do 1º Batalhão e da 5ª Companhia Independente.
A expressão “pombo sem asas” simboliza, segundo os investigadores, a tentativa de interromper esse fluxo e impedir que celulares e drogas continuem chegando às mãos de detentos.


