Morto em confronto foi alvo do Gaeco por distribuir celulares ao PCC
Denúncia descreve atuação estratégica na comunicação e no controle interno da facção
Roger Costa Gonçalves, de 31 anos, morto em confronto com o Batalhão de Choque da Polícia Militar na tarde desta quarta-feira (14), em Campo Grande, era apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) como liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital) e exercia função considerada estratégica dentro da facção.
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Roger Costa Gonçalves, de 31 anos, morreu em confronto com o Batalhão de Choque da Polícia Militar em Campo Grande. Conhecido pelo codinome ".40", ele era apontado pelo Gaeco como liderança do PCC, exercendo função estratégica na facção criminosa. Segundo o Ministério Público, Roger atuava como "apoio do resumo da Bahia", setor responsável pela articulação e comunicação entre integrantes do PCC. No momento do óbito, ele cumpria regime aberto domiciliar com tornozeleira eletrônica. O confronto ocorreu no Residencial Reinaldo Busanelli, onde testemunhas relataram ter ouvido diversos disparos.
Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Roger integrava a estrutura da facção de forma ativa e organizada, sendo identificado pelo codinome “.40” (ponto quarenta). Nos autos, ele aparece descrito como “apoio do resumo da Bahia”, setor interno responsável pela articulação, controle disciplinar e comunicação entre integrantes da facção, inclusive com atuação interestadual.
De acordo com o Gaeco, o “resumo” é uma função de alta relevância dentro do PCC, responsável por centralizar informações, repassar ordens, organizar demandas internas e manter o funcionamento da facção mesmo com lideranças presas. A atuação envolve contato frequente com outros núcleos da organização, inclusive por meio de aparelhos celulares introduzidos ilegalmente no sistema prisional.
As investigações apontam que Roger fazia parte do grupo encarregado de dar suporte à comunicação da facção, auxiliando na logística e na distribuição de celulares utilizados por membros presos no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande. Esses aparelhos eram usados para manter contato com integrantes em liberdade e com lideranças de outros estados.
Em listas internas interceptadas durante a investigação, Roger é citado nominalmente, com função definida e número de telefone vinculado à facção, o que, segundo o Ministério Público, demonstra posição de confiança e relevância hierárquica, ainda que ele não figurasse como líder máximo.
A denúncia ainda destaca que a atuação de integrantes como Roger permitia que o PCC mantivesse controle interno, aplicasse regras disciplinares e coordenasse atividades criminosas, incluindo tráfico de drogas e outras ações, mesmo a partir do interior das unidades prisionais.
Por conta desse conjunto de provas, Roger Costa Gonçalves foi denunciado pelos crimes de integrar organização criminosa e associação para o tráfico de drogas, além de responder a outros processos criminais por delitos como porte e posse ilegal de arma de fogo, disparo de arma, furto, desacato e tentativa de homicídio.
À época dos fatos investigados pelo Gaeco, ele chegou a ficar preso, mas, no momento da morte, estava em regime aberto domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.
Além da atuação atribuída dentro do PCC, Roger acumulava uma extensa ficha criminal. Conforme registros judiciais e apuração da reportagem, ele respondeu por furto, furto na forma tentada, desacato, porte de drogas para consumo pessoal, posse irregular e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, disparo de arma de fogo e homicídio simples na forma tentada. Também constam processos por tráfico de drogas e associação para o tráfico, relacionados à atuação conjunta com outros integrantes da facção. No momento da morte, ele estava em regime aberto domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.
A morte - Roger Costa Gonçalves morreu após confronto com policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar dentro do Residencial Reinaldo Busanelli, no Jardim Campo Nobre, em Campo Grande. A ação ocorreu no terceiro andar, na última rua do condomínio, no horário do almoço. De acordo com os oficiais, Roger teria reagido a abordagem e tentado atirar contra a equipe.
Moradores relataram que ouviram uma sequência de disparos, seguida da sirene da viatura, o que provocou pânico no residencial. Roger chegou a ser socorrido após o confronto, mas não resistiu aos ferimentos. Familiares estiveram no local e, muito emocionados, disseram que Roger saiu recentemente do sistema prisional e que estava se reconstruindo. Eles escutaram cerca de cinco tiros no local.
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