Sem solução definitiva, famílias seguem sob risco de árvores em barracos
Após nova queda, moradores relatam perigo constante causado por leucenas na ocupação

Durante o temporal da noite desta quarta-feira (18), a família de Raquel de Souza, 27 anos, teve de se esconder debaixo da cama após o barraco ser atingido por uma árvore de grande porte que caiu no local. No entanto, Raquel e os filhos, de 5 e 11 anos, não foram os únicos afetados na ocupação Cidade dos Anjos, e o problema segue sem solução definitiva por parte do poder público.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O coordenador da Defesa Civil Municipal, Enéas Netto, informou que a pasta esteve no local para organizar a atuação das secretarias envolvidas na solução do problema e tem notificado os setores responsáveis, como a Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável) e a Emha (Agência Municipal de Habitação).
- Leia Também
- Ventania derruba árvore sobre barraco e comunidade cobra ajuda para retirada
- A cada dia de chuva, viver em comunidade repleta de árvores é desesperador
Enéas esclareceu, por exemplo, que não pode realizar qualquer trabalho que envolva supressão arbórea no local sem autorização da Semades. Ele também disse não saber informar se há programa habitacional no qual as famílias da ocupação possam ser inseridas para realocação em local seguro, já que essa é uma área de atuação da Emha.
“Aquilo ali são leucenas, tem de fato queda, ela é uma praga em Campo Grande. E nós temos também uma ocupação em uma área que é APP, ela é uma Área de Preservação Permanente e de uma ZEIA também, que é uma Zona Especial de Interesse Ambiental”, esclarece o coordenador.
Segundo ele, uma solução para o local depende do diálogo entre as pastas responsáveis. Enéas pontua que, de acordo com a legislação, a prefeitura pode retirar as famílias, já que a ocupação é irregular, mas, do ponto de vista social, a medida traria impacto para os moradores e para a cidade.“É difícil para nós pegar e falar assim ‘olha, eu vou ter que chegar e fazer uma retirada dessa árvore aqui, você vai ter que desocupar a área’. Pelo poder público, olhando pelo lado social nós não temos como fazer dessa maneira. Se for fazer dessa maneira nós vamos cumprir a regra, a lei fala que eles não podem estar lá, então nós vamos tirar todo mundo de lá e vamos criar um caos em Campo Grande”, explica.
Impossibilitada de entrar com maquinário para retirar árvores que apresentam risco, a Defesa Civil informou apenas que tem feito apontamentos às secretarias. Enquanto isso, famílias como a de Raquel seguem cercadas pelas leucenas.
“A gente escutou o barulho do vento e se escondeu embaixo da cama até a chuva passar e dar para sair. A árvore quebrou as telhas e afundou as do quarto”, relatou.
Desde então, por segurança, Raquel e os filhos estão abrigados na casa da mãe dela. Segundo a moradora, a geladeira acabou impedindo que a árvore atingisse diretamente a família. “Só não caiu em cima da gente porque a geladeira ficou embaixo, mas ainda está perigoso”, disse.
Com o telhado danificado, a geladeira foi atingida pela chuva e, sem energia elétrica, os alimentos armazenados estragaram. Diante da situação, Raquel pede doações. Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelo telefone (67) 99249-7260.

Essa não é a primeira vez que a situação se repete. Logo na entrada da ocupação, um dos barracos exibe o aviso: “não ultrapasse o isolamento”. Em dezembro do ano passado, outra árvore caiu durante uma tempestade na madrugada, atingindo o barraco onde Gleiciane Garrido, 33 anos, estava com o marido e os filhos.
“No segundo estalo nós já pulamos da cama, porque o galho maior caiu, fez o maior barulho, quebrou o telhado e um pedaço caiu na cama dos meus filhos”, relata a moradora à época.
Na ocasião, vizinhos também acordaram com o barulho e temeram que o mesmo ocorresse com seus barracos. Franciely Nicomedes, 33 anos, vizinha de Gleiciane, relatou que há uma árvore com a base comprometida por cupins no quintal dela e que gostaria de autorização para a retirada. “Queremos segurança para dormir tranquilos, principalmente por conta das crianças”, conta a moradora, que tem seis filhos, com idades entre 1 e 13 anos.
A reportagem entrou em contato com a prefeitura, mas, até a publicação, não obteve resposta das pastas citadas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Confira a galeria de imagens:
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.












