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Empregos

Convocados buscam validação de inscrição de programa de trabalho

Salário mínimo, sacolão de alimentos e vale-transporte despertam atenção de quem precisa trabalhar

Por Gabriel Neris e Viviane Oliveira | 09/02/2026 09:14
Convocados buscam validação de inscrição de programa de trabalho
Candidatas aguardavam atendimento na Funsat (Foto: Viviane Oliveira)

A manhã desta segunda-feira foi de filas, expectativa e ansiedade na Funsat (Fundação Social do Trabalho), em Campo Grande, com a validação das inscrições dos candidatos convocados para o PRIMT (Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho). Desde cedo, dezenas de pessoas buscaram atendimento para garantir uma das vagas do programa, que oferece salário mínimo, sacolão de alimentos e vale-transporte.

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A Funsat (Fundação Social do Trabalho) em Campo Grande registrou intensa movimentação durante a validação das inscrições para o PRIMT (Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho). O programa oferece salário mínimo, vale-transporte e sacolão de alimentos aos participantes. A maioria dos candidatos é composta por mães solo e desempregados de longa data. Cerca de 300 pessoas serão chamadas inicialmente para trabalhar nas secretarias municipais, com os demais permanecendo em lista de espera para convocações graduais.

Entre os convocados estava Matheus Pereira de Sá, de 27 anos, desempregado há cinco anos e morador do Aero Rancho. Nesse período, ele sobreviveu fazendo bicos como cantor. Esta é a segunda vez que participa do PRIMT. Na primeira, atuou como auxiliar de serviços gerais no Parque Ayrton Senna. Para conseguir a vaga atual, chegou ao CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) do bairro às 19h do dia 20 de janeiro e só foi atendido na manhã seguinte. Quando chegou, já havia cerca de 30 pessoas à frente. “Estou muito feliz por causa da minha filha, de um ano e seis meses. Com esse dinheiro não vai atrasar a pensão dela, e vou poder ficar mais tempo com ela”, afirmou. Com salário fixo, ele diz que pretende reduzir os bicos.

A maioria dos relatos ouvidos pela reportagem é de mulheres, em especial mães solo, que veem no programa uma forma de organizar a rotina e garantir o básico. Stephany Rodrigues, de 28 anos, formada em estética, vive atualmente com renda informal e benefícios sociais. Ela fez, no ano passado, um curso de alongamento de cílios oferecido pela própria Funsat e passou a atender em casa. Mesmo assim, a renda é instável. Com Bolsa Família e outros auxílios, recebe cerca de R$ 900 por mês, valor que praticamente empata com o aluguel.

“Esse dinheiro do PRIMT vai ajudar no que as crianças precisam”, disse. Mãe de dois filhos, de 3 e 6 anos, ela destaca que o trabalho de segunda a sexta, em meio período, facilita a conciliação com a escola. Como o contrato é renovado a cada seis meses, ela não perde os benefícios sociais.

Situação semelhante vive Evelin dos Santos Lopes, de 24 anos, mãe solo de duas crianças pequenas, de 2 e 3 anos, moradora da região do Noroeste. Ela fez a inscrição no próprio bairro e espera conseguir uma vaga próxima de casa, para evitar tempo e custo com deslocamento. “A maioria das mulheres aqui é mãe solo. O meio período ajuda a organizar a rotina com a creche”, contou. Além do sacolão, Evelin pretende complementar a renda à noite, vendendo açaí em casa.

Convocados buscam validação de inscrição de programa de trabalho
Kamila e Aline esperavam sair da Funsat já empregadas (Foto: Viviane Oliveira)

Nem todos, porém, saíram satisfeitos. Aline Ruiz de Oliveira, de 32 anos, relatou frustração ao descobrir que apenas os 15 primeiros convocados seriam encaminhados diretamente ao local de trabalho. Moradora da região do Centro-Oeste e mãe de três filhos, ela perdeu uma diária de trabalho para comparecer à Funsat.

“Achei que ia sair com o papel do emprego na mão. Preciso trabalhar, não é todo dia que aparece diária”, desabafou. Kamila Amaral, de 27 anos, também do Centro-Oeste, vive situação parecida. Mãe de três filhos, ela disse ter visto o próprio nome em duas listas e acreditava que sairia com o contrato assinado. “Vim cheia de esperança. Agora disseram que é para acompanhar pelo Diário Oficial”, afirmou.

O diretor-presidente da Funsat, João Henrique Bezerra, informou que cerca de 300 pessoas serão chamadas inicialmente e já devem começar a trabalhar nas secretarias municipais. Os demais convocados permanecerão em lista de espera e serão chamados de forma gradativa. Enquanto isso, para quem passou anos sobrevivendo de bicos ou auxílios, a manhã foi menos burocrática do que simbólica: um passo concreto para voltar a ter renda fixa.