Contrato de R$ 48,7 milhões prevê sistema de água em aldeias de MS
Sanesul formaliza projeto estadual nesta sexta (15)
Governo do Estado deve assinar, nesta sexta-feira (16), o contrato para implantar um sistema de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados, município a 251 quilômetros de Campo Grande. O investimento previsto é de R$ 48,7 milhões e ocorre após décadas de escassez enfrentada pela população indígena. A assinatura está marcada para 9h30, na sede da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul).
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A falta de água na Reserva Indígena de Dourados é um problema histórico e recorrente. Famílias precisam buscar água longe de casa, dependem de caminhões-pipa e armazenam o recurso em caixas improvisadas. A situação já provocou riscos à saúde e mobilizações frequentes da comunidade.
Nos últimos anos, indígenas das duas aldeias bloquearam rodovias e acessos a serviços públicos para cobrar uma solução. As manifestações se intensificaram após Jaguapiru e Bororó ficarem fora, inicialmente, de um convênio de R$ 60 milhões firmado entre Itaipu Binacional e governos para atender outras aldeias do Cone Sul. Segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), vivem na reserva cerca de 20 mil pessoas em uma área de 3,5 mil hectares.
“O problema de falta de água nas reservas indígenas é crônico, histórico e nunca foi sanado de verdade”, afirmou Flávio Vicente Machado, representante do conselho em Dourados. Ele destaca que o sistema atual é precário, com vazamentos constantes e tubulações expostas. Também aponta o crescimento populacional como fator que agravou a escassez.
Em 2024, após novos protestos, o Ministério dos Povos Indígenas anunciou medidas emergenciais. O acordo previu a perfuração de dois poços profundos, com investimento de R$ 2 milhões, além do fornecimento diário de água por caminhões-pipa. As obras ficaram previstas para conclusão até março de 2025.
Em junho do ano passado, a ministra Sônia Guajajara entregou 12 poços artesianos na reserva e anunciou mais cinco em instalação. Na ocasião, prometeu articular R$ 53 milhões para uma solução estrutural de abastecimento. Segundo ela, os poços tinham caráter emergencial e não resolviam o problema de forma definitiva.


