Idoso segue preso após investigação concluir que morte da esposa foi suicídio
Advogado questiona fundamentos da prisão preventiva e aguarda decisão judicial com base em laudo necroscópico
Preso em flagrante por feminicídio e mantido em prisão preventiva, Alípio Drum Alves, 63 anos, continua detido mesmo após a conclusão do inquérito apontar que a morte da esposa, Janete Feles Valoes, foi suicídio. O caso ocorreu em Selvíria, a 400 quilômetros de Campo Grande, e foi oficialmente reclassificado. A investigação da Polícia Civil foi encerrada nesta sexta-feira (13).
RESUMO
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Um homem de 63 anos permanece detido em Selvíria, Mato Grosso do Sul, mesmo após investigação policial concluir que a morte de sua esposa foi suicídio, e não feminicídio como inicialmente suspeitado. Alípio Drum Alves foi preso em flagrante após a morte de Janete Feles Valoes, tendo sua prisão convertida em preventiva. O laudo necroscópico e depoimentos dos filhos revelaram que a vítima, diagnosticada com câncer, apresentava sinais de depressão. A médica legista confirmou características típicas de suicídio, incluindo a angulação da lesão e a forma como a faca estava posicionada. A defesa aguarda decisão judicial sobre pedido de liberdade baseado nas novas evidências.
A defesa é feita pelo advogado José Pinheiro de Alencar Neto. Segundo ele, desde o início havia convicção de que não se tratava de feminicídio. O advogado afirma que o auto de prisão em flagrante foi registrado com base em uma interpretação equivocada de policiais militares sobre a fala de um dos filhos do casal, que ainda nem havia sido ouvido naquele momento.
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De acordo com a defesa, os policiais entenderam que o filho teria dito que levou a mãe até a rua como forma de encenação para simular o início de atendimento médico. O advogado sustenta que essa não foi a declaração do filho e que ele sequer havia prestado depoimento naquele primeiro momento.
A defesa pediu que os filhos fossem ouvidos na delegacia. Durante a apuração, surgiram informações sobre o estado de saúde de Janete. Segundo o advogado, os filhos inicialmente desconheciam, mas depois encontraram exames indicando que ela estava com câncer. Ele afirma que, nos últimos meses, ela teria apresentado sinais de depressão e não buscou tratamento. Nesse contexto, segundo a defesa, ela teria cometido suicídio.
O laudo necroscópico reforçou essa hipótese. Em nota, a polícia informou que, conforme a médica legista, a vítima empurrou a faca contra o próprio peito. A lâmina não estava totalmente cravada, característica apontada no relatório como comum em casos de suicídio. A angulação da lesão também indicou autoferimento.
O filho que tentou prestar socorro relatou que a mãe havia confidenciado o diagnóstico de câncer e mencionado intenção de tirar a própria vida. Não há registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal.
Mesmo assim, Alípio permanece preso. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva na audiência de custódia. Ele ligou para o filho na noite de domingo (8), dizendo que a esposa havia feito “besteira”, versão que manteve em depoimento.
“Infelizmente, ele continua preso. Acredito que seja solto somente na semana que vem”, afirmou o advogado.
A defesa já apresentou pedido de liberdade com base nos depoimentos e prepara nova solicitação, agora com o laudo médico e o relatório final do delegado que concluiu pela ocorrência de suicídio. A decisão aguarda análise do juiz Marcos Pedrini.
O advogado também questiona os fundamentos da prisão preventiva. Segundo ele, o magistrado teria considerado a gravidade abstrata do crime, argumentando que se trata de um fato de grande repercussão e que causou temor na população de Selvíria, município de pequeno porte.
A defesa avalia ainda eventual responsabilidade civil pela divulgação inicial do caso como feminicídio. O advogado afirma que é preciso verificar se houve exposição indevida e danosa. Também menciona a necessidade de apoio psicológico para o cliente, que estaria em situação emocional delicada.
Segundo a defesa, Alípio enfrenta condições difíceis na prisão, tanto pela idade quanto pelo estado de saúde, e não pôde se despedir da esposa. O advogado diz trabalhar para acelerar a expedição do alvará de soltura.
Entenda o caso - O caso começou por volta das 20h40 de domingo. O filho da vítima buscou ajuda na base da concessionária Way, na MS-112, com a mãe dentro do carro e uma faca no peito. Os socorristas constataram que ela já estava sem vida.
A polícia foi acionada e, após diligências no assentamento, localizou Alípio na madrugada. Ele foi levado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Três Lagoas, autuado em flagrante e permaneceu preso, mesmo alegando inocência.
Com a reclassificação, Mato Grosso do Sul passa a registrar dois feminicídios em 2026.
Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelos telefones 141 e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.
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