Jovem denuncia estupros cometidos pelo padrasto desde que ela tinha 10 anos
Vítima solicitou medida protetiva contra o suspeito e também a mãe, por entender que ela sabia e não denunciou
Uma jovem procurou a Polícia Civil e denunciou ter sido vítima de abusos sexuais praticados pelo próprio padrasto desde que ela tinha 10 anos de idade, em Dourados, cidade a 253 km de Campo Grande. O caso foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), nesta semana, e é investigado como estupro com agravante por se tratar de crime cometido por alguém que exercia autoridade sobre a vítima.
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Segundo o boletim de ocorrência registrado na noite desta quinta-feira (22), a jovem relatou que morava com a mãe e o padrasto desde os oito anos de idade, no Bairro Parque das Nações II, e completou a maior idade recentemente. Quando ela tinha 10 anos, o homem iniciou os abusos, que se repetiram por anos dentro da residência da família. A vítima afirmou que, sempre que tentava resistir, era intimidada e ameaçada, inclusive com a inversão da culpa, o que a manteve em silêncio por medo.
Segundo o relato, sempre que tentava afastar o agressor, a vítima era coagida. O padrasto teria usado ameaças psicológicas para mantê-la em silêncio, afirmando que, caso ela contasse algo, diria que a menina o seduzia ou tentava manter relação com ele. Por medo, a jovem não denunciou os fatos.
De acordo com o relato, os abusos só cessaram após a jovem iniciar um relacionamento amoroso e afirmar ao padrasto que o denunciaria. Mesmo assim, o comportamento do homem mudou para atitudes de controle excessivo, ciúmes e restrições. Incentivada pelo atual namorado, com quem se relaciona há sete meses, ela decidiu buscar ajuda.
A menina revelou os abusos à mãe há alguns meses, mas não foi acreditada. A falta de acolhimento fez com que passasse a evitar a casa onde morava, o que chamou a atenção do pai biológico e da madrasta. Questionada, ela relatou tudo o que havia vivido e acabou sendo acolhida pelo casal.
Ainda conforme o registro policial, o pai e a madrasta avisaram a mãe da jovem que procurariam a polícia. Desde então, a mãe estaria exigindo que a filha retornasse à residência e impedindo que terceiros retirem seus pertences do local. Diante da situação, a vítima solicitou medidas protetivas de urgência tanto contra o padrasto, apontado como autor dos abusos, quanto contra a mãe, por entender que ela tinha conhecimento dos fatos e não os denunciou.
O pedido prevê a proibição de qualquer tipo de contato ou aproximação. A Polícia Civil informou que a solicitação de medida protetiva será encaminhada ao Poder Judiciário no prazo de até 48 horas. A jovem foi orientada a não manter contato com os denunciados e a acionar a polícia em caso de emergência. Ela também manifestou interesse em receber acompanhamento psicológico por meio do Programa Viva Mulher. O caso segue sob investigação.
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