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Artes

Rotunda virou cenário de audiovisual de techno gravado por DJ

Undercod encontrou na música eletrônica uma forma de expressão e fez do espaço cenário de homenagem à cidade

Por Clayton Neves | 23/01/2026 07:28

A Rotunda, um dos espaços mais históricos e esquecidos de Campo Grande, virou cenário de um projeto audiovisual que mistura música eletrônica, memória e identidade. O responsável é Anderson Gonçalves, de 31 anos, o Undercod, DJ e produtor que encontrou no techno uma forma de se expressar e de cuidar da própria saúde mental. Hoje, morando em Berlim, na Alemanha, ele leva o nome de Mato Grosso do Sul para a Europa, sem perder o vínculo com a cidade onde tudo começou.

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O DJ e produtor Anderson Gonçalves, conhecido como Undercod, transformou a histórica Rotunda de Campo Grande em palco para um projeto audiovisual que une música eletrônica e memória. Enfermeiro que atuou na linha de frente durante a pandemia, ele encontrou na música uma forma de preservar sua saúde mental em meio ao desgaste emocional do período. Atualmente residindo em Berlim, Anderson escolheu a Rotunda como cenário por sua conexão com a estética do techno e seu potencial artístico, apesar do abandono. O projeto, gravado em maio de 2025, busca chamar atenção para o complexo ferroviário e homenagear Campo Grande, cidade que já teve papel relevante na cena do techno nacional.

Enfermeiro de formação, Anderson atuou na linha de frente da saúde durante a pandemia de Covid-19. O período foi marcado por perdas diárias e um forte desgaste emocional. Foi nesse contexto que a música deixou de ser apenas interesse e passou a ocupar um espaço essencial em sua vida. “A música surgiu, então, como uma maneira de me desconectar, ainda que por pouco tempo, da realidade que eu estava vivendo”, contou.

Segundo ele, o que começou como escape virou projeto artístico. “A música me fez um bem imenso durante a pandemia, ajudando a preservar minha saúde mental em um dos períodos mais difíceis da minha vida, e segue sendo até hoje uma parte fundamental da minha trajetória”, avalia.

Rotunda virou cenário de audiovisual de techno gravado por DJ
Anderson tem 31 anos e encontrou na música um escape para a rotina na área da saúde. (Foto: Arquivo Pessoal)

A escolha da Rotunda como cenário do set não foi aleatória. Anderson conta que sentiu uma conexão imediata com o espaço. “Desde a primeira vez que conheci o local, ele sempre me despertou algo muito forte”, destaca.

 Para ele, o ambiente dialoga diretamente com a estética do techno. “O techno, desde os seus primórdios em Detroit, sempre flertou com espaços marginalizados, com uma estética mais crua e underground”, acrescenta.

 Ao mesmo tempo, o abandono do local causa incômodo. “Existe uma certa tristeza em ver um lugar com tanto potencial completamente abandonado.” A ideia, segundo o DJ, foi ocupar o espaço artisticamente e provocar reflexão. “Mostrar que, mesmo do jeito em que se encontra hoje, existe ali uma beleza enorme e um potencial gigantesco”, avalia.

O projeto audiovisual só saiu do papel graças à colaboração de amigos. “Foi um verdadeiro esforço coletivo”, comenta. A gravação aconteceu sem autorização formal e incluiu até um momento inesperado, com a passagem da polícia durante o set, que aparece rapidamente no vídeo. Anderson se apresentou com um set híbrido, no qual algumas faixas são desenvolvidas ao vivo.

Rotunda virou cenário de audiovisual de techno gravado por DJ
Atualmente, DJ sul-mato-grossense mora em Berlim, na Alemanha. (Foto: Arquivo Pessoal)

Gravado em maio de 2025, o material foi lançado no dia 18 de janeiro, data do aniversário do artista. As imagens destacam o pôr do sol atravessando a Rotunda, com o complexo ferroviário ao fundo, reforçando a força visual da proposta.

“O objetivo específico deste set foi chamar atenção para a Rotunda e para o complexo ferroviário, para que um holofote seja direcionado a esse espaço, que merece um cuidado especial pela sua magnitude, beleza e dimensão”, explica o DJ.

Hoje vivendo em Berlim, Anderson vê o trabalho também como uma homenagem à cidade natal. “Essa gravação também foi uma maneira de homenagear a minha cidade natal”, revela. Ele lembra que Campo Grande já teve papel importante na cena do techno nacional.

 “Elas ajudam a entender o quanto a cidade foi, e ainda é, um celeiro de talentos”, detalha. A ideia é continuar gravando sets nesse formato e, no futuro, explorar novas locações em Campo Grande e em outros pontos de Mato Grosso do Sul.

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