Mãe que amarrou filho desnutrido agora é investigada por tentativa de homicídio
Inicialmente tratado como maus-tratos, caso teve novos desdobramentos
A mulher suspeita de ser responsável pela desnutrição e agressões contra o próprio filho, de 3 anos, foi presa e agora é investigada por tentativa de homicídio. A Polícia Civil de Anastácio, a 122 km de Campo Grande, aponta que as violências sofridas pela criança vão além dos maus-tratos.
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A suspeita foi presa em flagrante no último dia 3 de março, após denúncias de que estaria maltratando o filho. Na ocasião, a polícia solicitou a prisão preventiva, mas a Justiça negou. Após a soltura, novas provas foram reunidas, e um novo pedido de prisão foi aceito pelo juiz da comarca.
Entre os novos elementos do inquérito, está o depoimento do médico que atendeu a criança. Segundo ele, a mulher não procurou o hospital por vontade própria, mas foi forçada por populares a buscar atendimento. O menino apresentava desidratação, desnutrição severa, múltiplos ferimentos, queimaduras e marcas nos punhos, indicando que foi amarrado.
O laudo médico aponta que, sem atendimento, a vítima poderia ter morrido. Diante disso, a polícia entendeu que o caso deve ser tratado como tentativa de homicídio, já que a omissão e os maus-tratos colocaram a vida da criança em risco extremo.
Para a delegada responsável pelo caso, Tatiana Zyngier, as agressões físicas e psicológicas não foram episódios isolados, mas parte de um padrão contínuo de abusos.
“A negligência extrema, como a privação de alimento, água e atendimento médico, pode ser tão letal quanto outros meios de execução”, justificou. A intervenção de populares, que obrigaram a mulher a levar o filho ao hospital, foi decisiva para evitar um desfecho fatal.
Entenda - Na segunda-feira (3), por volta das 20 horas, a própria mãe deu entrada na unidade de saúde de Anastácio. Ao atender a criança, equipe médica percebeu lesões pela cabeça, no queixo, braços e por toda a região do abdome. Além disso, a criança estava desnutrida e desidratada.

Por conta da situação, o Conselho Tutelar foi acionado e, posteriormente, a Polícia Militar. Ao conversar com a mãe, a mesma alegou que estava em uma fazenda e deixou o filho com a avó paterna. A PM, então, foi até o imóvel da avó e também a questionou. A mulher negou as agressões, afirmando que quem as cometia era a própria mãe.
Diante das contradições, três pessoas, mãe, avó e tia da criança acabaram conduzidas para a delegacia, onde prestaram esclarecimentos. Lá, a avó contou que nora e neto estavam morando com ela há cerca de cinco meses. Também relatou que presenciava a mãe batendo na criança, mas não se metia na "educação". A mulher afirmou, ainda, que já havia orientado a levar o menino no médico.
Na delegacia, a mãe mudou a versão, afirmando que a irmã, tia do menino, era quem cometia as agressões. Utilizando um cadarço, amarrava a criança e usava um cano de água para bater nele, toda vez que pedia comida. Já a tia nega os fatos, também apontando como autora a própria mãe.
Testemunhas, vizinhos da casa onde a família morava, afirmam que já fizeram várias denúncias ao Conselho Tutelar sobre a situação. "Quando elas suspeitavam que o Conselho vinha, trancavam a casa. Essa criança chorava o dia todo", disse uma vizinha que pediu para ter o nome preservado.
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