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Em Pauta

Carnaval e bebedeira: o caso dos astecas bêbados e abstêmios

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 26/02/2025 07:00
Carnaval e bebedeira: o caso dos astecas bêbados e abstêmios

Sabemos que os astecas tinham bebida alcoólica, sabemos que a odiavam e também sabemos que a bebiam. É tudo muito confuso. Os astecas produziam “pulque”, que é uma estranha bebida branca e meio viscosa, com o teor alcoólico próximo de uma cerveja. Era feita da seiva fermentada do “agave", uma planta que talvez você tenha em teu jardim. Era bem nutriente e um velho ditado asteca dizia que faltava pouco para o pulque ser carne. Portanto, não surpreende que grávidas eram obrigadas a bebê-lo. Afinal, bebiam por duas pessoas. Mas os astecas franziam a testa para o pulque. Todavia, o pulque e os bêbados estavam em toda parte. É bem estranho, porque o pulque era ilegal.


Carnaval e bebedeira: o caso dos astecas bêbados e abstêmios

Pena de morte para os bêbados.

A sociedade asteca era muito fechada para os bêbados. Ninguém bebia pulque, com exceção das grávidas e dos idosos, mas estes o faziam em segredo. E sem se embriagar. Se um homem aparecesse bêbado em público, se vagasse cantarolando na companhia de seus amigos beberrões, seria punido. Caso fosse plebeu, seria punido com espancamento até a morte ou enforcado diante de jovens, para servir de exemplo. Se fosse nobre, seu enforcamento não seria público. Não sei de que vale a privacidade quando se está sendo enforcado, mas significava alguma coisa para eles.


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Mas tinham deuses da bebida.

Mas se beber era tão ilegal, como podia ocupar um espaço central na cultura asteca? E de fato ocupava. Eles tinham vários deuses da bebida. Tinham, por exemplo, uma deusa com 400 seios para serem sugados com agave. E, ainda mais estranho, essa deusa tinha dado à luz 400 coelhinhos divinos, os Cenzon Totochtin. Nada mais se sabe sobre esses coelhinhos. Onde se ligavam com a bebedeira, além de um carnaval. Todavia, ao mesmo tempo, havia uma grande quantidade de bêbados na sociedade asteca. A bebida era onipresente. Então, recapitulando, a bebida era rigorosamente proibida e punida com a morte. Mas ela estava em todos os lugares e era reverenciada com uma deusa, que era um verdadeiro alambique.


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Sede de sangue e de alucinógeno.

Os astecas tinham uma sede de sangue impressionante. E um entusiamo para o sacrifício humano. Além da bebedeira, o adultério também era penalizado com a morte. Homens adúlteros eram enforcados e tinham a cabeça aberta com uma pedra. Os astecas também eram inclinados a uma dose rápida de “teonanacatl”, um alucinógeno que era totalmente legal. E quando ocorria o “carnaval dos 400 coelhinhos” eles enfiavam o pé na jaca. Ficavam apocalíptica e religiosamente bêbados. Tal qual egípcios e chineses antigos, usavam o álcool e os alucinógenos para experimentar o divino. Depois, por um mês inteiro, nada bebiam.


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Chegam os espanhóis. E, com eles, o alcoolismo.

Quando os jesuítas chegaram, o alcoolismo asteca se tornou uma pandemia. Os padres tinham uma teoria de que Satã levava os nativos ao alcoolismo porque não queria que eles se tornassem bons cristãos. Mas o que aconteceu foi o contrário. Ninguém era mais condenado à morte por beber. Também houve uma imensa desorientação em tudo na sociedade asteca, inclusive no uso de pulque. Essa historia do pulque dos astecas guarda alguma semelhança à de vários povos nativos brasileiros.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.

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